Requião presidente
O senador paranaense Roberto Requião propôs-se a uma disputa interna no MDB como candidato presidencial. Com isso, antes de tudo, esnoba o desafio de Beto Richa para um debate, já que isso contemplaria a Série B do campeonato brasileiro. Se está disposto a encarar o ex-ministro Henrique Meirelles, a troco de que dispersaria energia para ver quem meteu a mão no jarro com mais força, se ele ou o outro, bi-prefeito e bi-governador?

Com isso, não afeta a estratégia do seu principal aliado (do momento, é claro), o ex-presidente Lula, na disposição de concorrer mesmo encarcerado e provoca cisões do outro lado, bem no seu estilo desagregador. Obviamente, não será atendido porque há vários pleitos internos por sua expulsão do partido, o que já aconteceu antes ao tempo de Orestes Quercia, ainda que conte hoje com a proteção de José Sarney e Renan Calheiros.

Várias vezes historicamente quase estivemos na sucessão, como se deu em 1954-55 com a hipótese da postulação de Munhoz da Rocha para vice-presidente e, posteriormente, com Affonsinho Camargo, que decepcionou com uma campanha que estava longe das pregações ideológicas à esquerda na democracia cristã, pelas quais foi contido pelos milicos, o que não o impediu de ser o maior articulador de Tancredo Neves na consulta ao Colégio Eleitoral, que compensou a perda das Diretas Já com seus comícios espetaculares.

Como já temos um candidato com o senador Alvaro Dias dá para dizer que o Paraná, depois de tanta submissão e conformismo, aparenta estar "se achando" e restabelecendo o arquétipo tão batido da autofagia com que seguidamente nos adornam.

Greca insiste
A insistência do prefeito Rafael Greca de que o acampamento lulista deve ser dissolvido porque desrespeitou decisão judicial sobre o interdito proibitório parece desprezar a delicadeza do tema, que, a rigor, só beneficiaria o PT na imagem persecutória. Na verdade, o despacho judicial de terça-feira recomenda que o oficial de justiça vá até o acampamento nos termos da decisão extrajudicial e verifique se os termos do ajuste com os acampados está sendo cumprido e, se for necessário, que se faça acompanhar da polícia militar.

Como ontem foi dia de visita de familiares do ex-presidente e também da senadora Gleisi Hoffmann, presidente do partido, e do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, havia um clima até festivo, posto que a defesa presidencial tenha se mostrado inconformada com a decisão judicial que tira de Lula o direito ao uso do automóvel especial, entendido como requisito inaplicável a um preso. Tal qual o caso das delações, esse originalíssimo, de um ex-presidente encanado, dá trabalho jurisprudencial.

Ex-presidente preso não perderia status quo e se exigiria que seu carcereiro fosse no mínimo um PHD na especialidade.

Crise
Além do bloqueio europeu ao nosso frango, que vai gerar crise de proporções inclusive com farto desemprego, encaramos as consequências do impacto cambial na Argentina na relação com o setor automotivo. Sismógrafos do Ipardes continuam voltados para indicadores macroeconômicos que sinalizam recuperação da economia regional. Como dizia o Rubens Ricúpero: o positivo a gente divulga, o negativo esconde.

Sabesp e Sanepar
Preocupação com acionista de empresa pública – e entre elas estão Petrobras e Copel – é algo que pouco se leva em conta, e tanto que a capitalização da Sanepar foi olhada por alguns oposicionistas como fato desprezível. Agora, com a queda do valor na Bolsa da Cetesb, a maior empresa de saneamento da América latina, da ordem de R$ 3,4 bilhões, ou seja, 15% do seu patrimônio, o tema ganhou os meios de comunicação. Entre nós, tanto a capitalização da Copel quanto a da Sanepar se revelam itens relevantes de plataformas estratégicas de estatais.

Em cima do MDB
Nova ofensiva do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, apura se integrantes do MDB receberam propina da JBS. Entre os visados o presidente do Senado, Eunício Oliveira, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Valdir Raupp, Eduardo Braga. Na história, segundo Sergio Machado, ex- presidente da Transpetro, o PT teria pedido à holding J&F um pagamento de R$ 40 milhões ao MDB do Senado como compra de apoio político nas eleições de 2014. Essa vantagem à Câmara Alta gerou dissenção com os deputados federais, o que teria levado Michel Temer a reassumir a presidência do partido e botar a ordem na casa, ajustar o botim. Temer era vice de Dilma Rousseff e a chapa concorria à reeleição.

Folclore
Quem ganha num debate entre Requião e Beto Richa? O que um ganha em farolagem outro não se acerta na parolagem. Requião costumava, embora os favores que devia a José Richa na eleição de prefeito de Curitiba, espezinhá-lo e fiz a caricatura do conflito entre um turco lento e um truculento.

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