Tolerância zero
Dias depois da demissão de Deonilson Roldo, em reunião do secretariado ontem pela manhã, a governadora Cida Borghetti declarou tolerância zero com a corrupção e destacou o papel que caberá à Divisão, recém criada, na polícia civil. Apesar da veemente defesa do acusado, não prevaleceu em seu favor sequer o benefício da dúvida, o mesmo trato que Beto Richa e sua equipe deram a Nelson Leal Júnior, diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, quando de sua prisão, fulminantemente demitido que foi quando seu chefe imediato era o irmão mais velho do governador, Pepe.

Se essa disposição era anterior a essas ocorrências, principalmente as que botam Beto Richa sob investigação judicial e ainda por cima a deslocaram para Sergio Moro, o fato ocorrido com um hierarca menor, formalmente desmentido pelo governador e pela Copel no acerto com aquele empresário que seria diplomaticamente deixado de lado para que a obra ficasse com a Odebrecht, mas com a promessa de uma compensação, e isso dias depois da sentença final que vem desde o governo Lerner do caso dos tais créditos da Olvepar e que revelaram vulnerável a nossa estatal a exotismos políticos e financeiros, entre os quais o de acumular a pasta da Fazenda com a presidência da joia da coroa .

O governador, como Lula, não sabia de nada o que ocorria a seu redor e agora entrega Deonilson às feras, da mesma forma que agiu em relação ao seu diretor do DER, correndo o risco de uma delação premiada (como ainda há outra, a do Maurício Fanini, no chuncho dos desvios escolares da "Quadro Negro").
O combate à corrupção vai ser para valer? Então a Divisão criada tem uma pauta cheia no Gaeco com a "Publicano", aquela da quadrilha fiscal com gente já condenada a mais de 90 anos como o amigo automobilista e copiloto do governador Márcio Albuquerque Lima, a "Valdemort" que pega o primo Luis Abi, cada vez mais distante, também sentenciado em primeira instância e, é claro, o denso material da "Quadro Negro". É prato cheio para mais de um governo, inclusive o imaginado e razoavelmente buscado da reeleição.

Plataforma
Corrupção é um tema apropriado para a campanha eleitoral, desde que quem a promova não esteja sob risco, ainda que remoto, de enquadramento. Tudo indica que não era intenção de Cida Borghetti cuidar do tema como prioridade. Por sinal que na pasta da Segurança falta um pouco mais de eficiência em questões elementares como o ataque a caixa eletrônicos, ainda que venha obtendo resultados na redução da violência, um ganho estrutural, e esteja para dar mais respostas no caso de penitenciárias e distritais, hoje transferida de área.

Como assumiu a guerra à corrupção e ainda prometeu reduzi-la a zero, pode ter mexido no meio de campo das prioridades e assumindo a mais complexa. Há decisões que não têm volta porque o público passa a monitorá-la.

Em São Paulo, o governador Marcio França, surfando no episódio da policial que matou um bandido, condecorou-a tal qual o Rafael Greca fez aqui com o guarda municipal, que atirou num pichador do cemitério. Em ambos os casos as pessoas de bom senso lembraram que há normas menos extremas para abordagem, mas eleitoralmente têm forte apelo, assim como esse buscado agora pelo governo paranaense. O divisor ideológico do Brasil é entre quem é a favor ou contra a Lava Jato.

Tríplex sem lances
Novamente tem sido grande, perto de 40 mil visualizações, o interesse pelo leilão do tríplex do Lula – ou que lhe é atribuído no Guarujá - mas até agora, como se deu anteriormente, não há lances que se encerram hoje às duas da tarde. É algo meio maldito como casa mal assombrada.

Marketing
O goleiro Santos, do Atlético Paranaense, foi peça de uma jogada de marketing em favor do "maio amarelo", em torno da forma adequada de usar o celular. Se tivesse um fone e uma boa orientação técnica poderia ouvir pelo celular um conselho para goleiros afoitos em saídas da área para cabeçadas. No futebol moderno, indispensável treinar goleiros para jogar com os pés como um zagueiro e também com o peito e a cabeça. Já que as mãos e os punhos são os mais empregados. Quanto ao saque institucional, é eficaz, ainda que redundante, até porque se discute ainda hoje se a decisão do paulista teve ou não influência externa.

Varejo cresce
Em Curitiba sinais bons de consumo: 6% de aumento de março em relação a fevereiro, segundo a Fecomércio. Em relação a março de 2017 a alta foi de 3%.

Gripe
Ontem havia o registro de mais um caso de morte por gripe, em Toledo. Campanha de vacinação é tocada no setor público e no das empresas.

Folclore
O professor letão William Butler, no Ginásio Paranaense, dava aula de inglês e ensinava a diferença entre tradução e versão. Explicava as utilidades da vaca, que nos dá o leite, a carne e dos ossos dá pra fazer botão. Aí detalhava em inglês os subprodutos: botton, botton, milk. De repente, fez uma reflexão e reconheceu que a voz da vaca era nada agradável. Bastou isso para que um mugido tomasse conta da sala. O mestre perguntou: "quem fez esse barulho com a boca?" e lá de trás o Kit Abdalla, o incrível Kit Abdalla, replicou: "foi a mãe da vaca".

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