LUIZ GERALDO MAZZA
Virtual e virtuosa
Lula perdeu de novo, agora numa instância virtual. E foi na 2ª turma do STF que as esperanças renasceram quando daquele 3 a 2 que afastava da Lava Jato referências que não tivessem liga com a Petrobras e os encaminharia a São Paulo. Reanimada, a defesa entrou com um pedido formal para que a causa saísse das mãos de Sergio Moro, que já havia reagido ao entendimento da maioria em vista de existirem conexões com a petroleira, e agora temos o coroamento disso tudo. A decisão que refez as energias da defesa depende da clareza e alcance dos seus parâmetros, que só se esclarecerão no acórdão em cima do relatório de Dias Toffoli, que se manifestou, duas vezes seguidas, contra uma interpretação extensiva e negou a pretensão liberatória. E de outro lado está mais do que claro que a resistência, tanto no acampamento como fora dele, é cada vez mais fraca, tal qual se viu no frustrante 1º de Maio.
De repente escasseiam-se as notícias animadoras, e apesar do apelo ao exterior para que as lideranças se manifestassem contra a prisão de Lula, malograram. Incluindo aí o apelo, um tanto quanto quixotesco, à Organização das Nações Unidas para que condenasse o julgamento e desse à causa aquilo que até aqui a justiça brasileira não concedeu.
Verdade que Mandela ficou encarcerado 26 anos e Lula afrouxou o garrão em menos de 26 dias e essa analogia em torno da medida de heróis, bem na linha carlyleana, vai minando a opinião pública, cada vez mais cética. Aliás, quando Lula enfrentou Collor no segundo debate, já que vencera o primeiro, perdeu feio e como se não bastasse, a edição facciosa da Globo aprofundou o desastre. Era principalmente para aqueles que guardam uma visão do processo com timbre revolucionário o equivalente à pior das derrotas.
Se essa perspectiva, a do vitimalismo, não se sustentar, quem passará à impaciência serão as lideranças do próprio PT, a essa altura inconformadas com a manutenção de um projeto destinado à mais contundente das derrotas no sebastianismo da persistência da postulação impossível diante da Lei da Ficha Lima.
Cida em ação
Num dia com o ministro da Agricultura tratando do veto ao frango paranaense e ontem com o dos Transportes discutindo a questão das concessões ao pedágio em rodovias federais e está acertado que um novo modelo será discutido entre as partes interessadas, a União e as unidades federativas. Todo esse ativismo governamental e mais as ações de caráter político indicam que mantém, em seu horizonte imediato, o cuidado com a reeleição.
2.030 é longe
Dias passados, a prefeitura da Capital fez algumas simulações de médio e longo prazos ao imaginar o que seríamos lá pelos anos 2.030. Se qualquer dos projetistas visse como está entupida a circulação da cidade só poderia guardar uma visão ciclópica do caos, e assim, com as demais questões como educação e moradia, transporte público e recreação. Outra coisa: se tivermos uma chuva apreciável poderíamos importar gondoleiros de Veneza não para turismo e sim para resgate. Imaginar gondoleiro cantando no Barigui e Belém é cafonice máxima.
Meirelles na praça
Curitiba é trampolim de novidades, como se sabe, inclusive as marqueteiras. Pois ontem quem esteve por aí foi o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, dando um plá na Lide do Fabrício de Macedo, de candidato presidencial. A imagem forte de credibilidade empresarial é inegável até no exterior, mas não chega nas massas populares. Uma das composições imaginadas seria com um vice do PSDB, pois com a saída do Joaquim Barbosa, Geraldo Alckmin pouco reagiu.
Sem moral
O poder legislativo está sem moral para deter as ousadias do Judiciário na invasão das suas atribuições, marca do momento vivido e presente na questão do foro privilegiado e nas imaginadas proposições como a do ministro Dias Toffoli, que pretende estender restrições para todas as autoridades, inclusive as do Judiciário. Trata-se de orientação radical sobre a qual não há consenso. O pior, porém, esta no desequilíbrio da situação, já que o Judiciário consolida sua intromissão nas artes de legislar. Mas a Câmara reagiu ao instalar comissão especial de 35 membros para tratar do caso do foro que já tinha aprovado no Senado, em 2017, medida bem mais ampla que a do STF.
Delação
Está cada vez mais consolidada a noção de que o ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, Nelson Leal Júnior, fará delação premiada na Lava Jato, embora seu deslocamento à Polícia Federal tenha se dado em razão também da falta de segurança que ocorreu igualmente no caso de Maurício Fanini, operador da "Quadro Negro", delator e também se sentindo sob ameaça, daí porque o levaram a Brasília. A Divisão contra a Corrupção da polícia civil poderia ouvir Nelson Leal Júnior sobre a paralela do porto privado do litoral, decidida em sua gestão e supervisão também de Pepe Richa.
Folclore
Sebastião Vieira Lins era um orador de júri e chegou a líder do Getúlio Vargas justamente na época da tragédia. Num debate na TV Paraná dos associados ele ouviu de Newton Carneiro a acusação de que teria fragilizado a defesa do presidente, ao que Vieira Lins respondeu que isso levava jeito de informação de Ivete Vargas, sugerindo, ainda, intimidade entre os dois.





