Desgaste visível
Tentou-se dar ao 1º de Maio um tom militante, de resistência civil ao menos, quando o timbraram como um ato unívoco das centrais sindicais em favor de Lula. E o festejo esteve longe de canalizar tantas energias, conquanto pautado pelo clamor das forças do trabalho.
Da mesma forma havia a perspectiva de sangue se Lula fosse preso e estaríamos sob a ameaça de ocupação de estradas e prédios públicos e nada aconteceu. Daí a perda de vitalidade das medidas utilizadas como a de forçar visitas ao ex-presidente a três por dois que não renderam o esperado: a convicção de que tais negativas fortaleciam a noção de que Lula é inocente e alvo de perseguição obsessiva. Todos os elos da corrente se encontram em processo de estresse, fadiga do material.
E o resultado da mobilização, em que pese a aposta feita em seus efeitos psicossociais, foi mínimo, muito distante do esperado. E, como se não bastasse, vieram novas denúncias de outras propinas favorecendo Lula e o PT e um apelo do Noam Chomsky recomendando à esquerda o exercício da autocrítica por terem sucumbido à corrupção. Apesar da empatia do linguista pelas causas sociais, ele não ignora que a turma botou a mão no jarro para valer e deve, pelo menos, o exercício de uma penitência.

Duas prensas
Nesta quarta-feira (2), à frente da sede da prefeitura, dois movimentos: o dos moradores da Santa Cândida, que querem a prisão do ex-presidente fora de Curitiba ou, pelo menos, distante de suas moradias; e o dos comerciantes empenhados em obter alvará provisório para o desempenho normal de suas atividades. No meio disso tudo, o prefeito Rafael Greca veio com uma tese bem no seu estilo, a de que a Polícia Federal não tem alvará para funcionar como prisão, ao que estaria impedida por situar-se num zoneamento e por agredir fundamentos da Lei de Uso do Solo. A resistência de Greca vem desde abril e está centrada nesses fundamentos arguidos pela Procuradoria do município e já levados à justiça e rejeitados.

Brasil informal
Curitiba, um dia, descobriu a miserabilidade dos seus cortiços na avenida Cândido de Abreu e isso muito depois de consolidadas as obras do Centenário como o Centro Cívico, Guairão, Praça 19 de Dezembro, Biblioteca Pública, Grupo Tiradentes : um caminhão estacionado em ponto morto numa ladeira se deslocou, atravessou a via e atingiu em cheio uma casa de cômodos matando várias pessoas. Um mimetismo urbano, a avenida de cimento armado, ocultava as habitações precárias com divisões em lençóis e todas equipadas com fogão a gás.
Isso se deu há décadas passadas e desvelou um lado desconhecido da luta pela moradia e, para a cidade, causou surpresa semelhante a essa do prédio que desabou em São Paulo, gerido por movimentos sociais que cobram aluguel dos moradores. Apurou-se que na capital paulista há pelo menos 70 prédios em condição igual e sob o mesmo tipo de exploração, olhado pela autoridade como piedoso posto que seja visível seu aspecto mafioso. Afinal, um tipo de relação que oficializa o roubo com seus cartórios invisíveis. Na raiz do império do crime no Rio de Janeiro um pouco de tudo isso.

PSDB, bola da vez?
A prensa contra o tucanato ganha força em São Paulo: delatores da Odebrecht dizem ter dado ao ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, cerca de R$ 173 milhões em propinas só em obras municipais da capital. Além do caso Eduardo Azeredo, o mais antigo e que precede o mensalão petista, que está em fase final de julgamento 20 anos depois, e que sempre foi apontado por um suposto traço seletivo nas apurações diante do ataque preferencial aos lulistas. Além dessa há aquela denúncia do Ministério Público da Suíça de alta soma em banco no exterior.

Planejado
Investigações da polícia paranaense tendem a indicar que o ataque havido à caravana de Lula entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul foi efetivamente planejado. Ocorre que em Quedas do Iguaçu há uma das maiores ações do MST contra a Araupel, normalmente marcada por bloqueios de rodovias e demandas judiciais intermináveis.

Protagonismo
Quando não é alguém do PT aparece um protagonista de outro partido para demandar contra a juíza de Curitiba que está negando visitas a Lula. Agora quem está agindo é Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal, quase presidenciável, que se dirigiu ao STF para contestar à proibição às visitas. Obviamente, a prisão pós-decisão de segunda instância é prioridade e tem amplitude maior já que pode influir na liberdade de Lula, mas a técnica de bater no monotema dá também seus resultados e essa expectativa já era aguardada por parlamentares.

Folclore
No STF há 399 inquéritos e 86 ações penais contra deputados e senadores e cuja vida pode ser balanceada, a partir de agora, pela supressão das vantagens decorrentes do foro especial. Isso era uma das reflexões mais correntes sobre a decisão já tomada por maioria e afinal concluída nesta quarta-feira (2).

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