LUIZ GERALDO MAZZA
Visitantes internacionais
Depois de Esquivel, dos governadores do Norte-Nordeste, do vereador Suplicy, do Martinho da Vila, da Comissão de Direitos Humanos do Senado, quem deseja visitar Lula é um grupo de Direitos Humanos do Parlasul. Está virando, pela ausência de imaginação, uma chatice.
Talvez caiba valer mais esse argumento, junto aqueles da Polícia Federal, pela transferência do ex-presidente, tese acolhida pela Federação Nacional dos federais. Claro que as razões vão de complicações burocráticas da instituição transformar-se em acampamento político aos abusos com moradores vizinhos. Estamos perto da celebração do 1º de Maio pelas centrais sindicais e isso deveria ser tão bem planejado para não frustrar expectativas como essa chatice das visitas e, pelos seus efeitos, valeria como consagração. É que se imaginava um banho de sangue com a prisão de Lula, tanto que a senadora Gleisi Hoffmann lembrou que iria morrer gente ou que o exército do Stédile, como sugeria Lula, ocuparia estradas e edifícios públicos. Mesmo nas audiências a que o ex-presidente respondeu em Curitiba havia uma perspectiva dantesca que também não aconteceu.
Por isso tudo o 1º de Maio, com histórico revolucionário e os mártires de Chicago, tem de tudo para ser não uma festa de hostilidade e beligerância, mas, antes e acima de tudo, um alinhamento festivo, pacífico e, sobretudo, democrático. A retirada daquele slogan "eleição sem Lula é golpe" é a garantia de que a lucidez pode retornar. E com a volta do raciocínio e o exercício da reflexão esse protesto, pelo fato de representar a cultura do trabalho, pode ganhar expressão, aí sim, internacional.
Bola da vez
Beto Richa é a bola da vez da Lava Jato. Isso já se enunciava há algum tempo e ele acha que há simetria entre o seu caso e o do ex-colega de São Paulo, Geraldo Alckmin, que foi para a área eleitoral. Casos podem até ser parecidos, mas não iguais como procuradores da República já explicaram. A grana da Odebrecht pega o tempo da eleição na prefeitura e depois a do governo. E tem agora ainda o caso do diretor do DER encarcerado na Polícia Federal e disposto a delatar. Surpreende no episódio dele a frieza do governo, ao saber da prisão, exonerá-lo sem levar em conta qualquer sinal de, pelo menos, o beneficio da dúvida.
Tolice
Por vezes, o cenário brasileiro recria o clima de paranoia de 1964 e uma dessas situações ocorreu com uma representação amalucada na Procuradoria-Geral da República por causa de uma entrevista a Al-Jazira pela senadora Gleisi Hoffmann e tida, no entender de uma senador gaúcha, como um sinal para o EI (Estadio Islâmico) fazer do Brasil um dos seus campos de provas. A Procuradoria decidiu arquivar a representação por absurda, já que entre as armas que o PT pode empregar na defesa de Lula está a tentativa de internacionalizar a causa, como se fez ao levá-la à ONU no seu setor de Direitos Humanos. Por sinal, no 1º de Maio teremos aqui várias comitivas do exterior
Causa
Curada da leucemia, Francieli, que empolgou Curitiba com sua causa, quando padecia da moléstia e angariava doações, transformou-se numa cruzada da luta e voltou ao Hospital Nossa Senhora das Graças nesta sexta-feira (27) para o proselitismo solidário.
Já era
Num certo momento da vida brasileira, criou-se em meio à crise entre poderes a noção de que o Judiciário era o mais equilibrado deles. Pior que o Executivo e o Congresso não poderia de fato ser, mas suas decisões paradoxais e conflitivas afastam qualquer perspectiva de um mínimo de segurança judicial, uma vez que é mais forte a impressão de que seus membros atuam como torcidas organizadas - não em torno de teses, mas de respostas a um só conflito: se ajudam ou prejudicam Lula. É o caso visível da discussão epistemológica em torno da prisão pós-decisão de segunda instância.
Maringá
A tonalidade dominante do governo estadual é maringaense e tanto que o secretário-chave, o da Fazenda, José Luis Bovo, que atuou na função quando era prefeito Sílvio Barros, é o titular. O caráter tecnicista do gestor anterior não será desprezado pela persistência óbvia da crise fiscal. Uma das preocupações será a questão previdenciária pelo risco, deixado pelos últimos atos de Beto Richa, de quebra definitiva do fundo de pensão estadual, já apontado como um dos maiores do País. Em princípio, o monitoramento da situação fazendária recomenda a manutenção do congelamento salarial dos servidores em que pese o lado político do caso.
Folclore
Beto Richa dá poucos sinais de apoio a Cida Borghetti e não poucos de sua turma já se alinharam a Ratinho Júnior e até a Osmar Dias. Incrível é que um homem que ganhou duas eleições em primeiro turno (a de Curitiba e a do governo estadual) pareça não dirigir seus supostos liderados. Por sinal que o PSDB não deve manter a hegemonia. Repete-se com ele o havido com Requião que mumificou o MDB num maracujá de gaveta, ainda que se revelem tão diferenciados.





