Radicalismo no veludo
Nas últimas votações do STF deu para perceber que a Lava Jato já não é tão sentenciosa quanto antes. Dá para perceber um nível de arregimentação entre os ministros e com um viés de equilíbrio que se viu nesta quinta-feira (19) no exame dos embargos infringentes no processo de Maluf. Se isso é bom ou ruim só se saberá nos desdobramentos que exigirão, por certo, mais precisão das denúncias levadas à Corte.
Os que votam contra os desígnios judiciais das denúncias alegam fazê-lo não se importando com a opinião pública e, às vezes, avançando para dizer que esse tipo de populismo desfigura o sentido da justiça, assumindo com isso postura heroica e necessária contra o cortejamento servil das massas e atribuindo missão demagógica aos adversários e quem o faz com maior desenvoltura e proeminência é o ministro Gilmar Mendes.
Como se vê, nem a retórica untuosa que pasteuriza agressões é suficiente para dissimular que o radicalismo, esse mesmo que afeta as relações interpessoais em nosso cotidiano, lá chegou e permanece. Daí as explicações para pesquisas de opinião em que o público ao mesmo tempo acredita nos delitos de Lula, mas conclui que nada acontecerá com eles.
Nem o augusto ambiente com sua sobriedade, cortinas e tapetes de veludo, detém a marcha oleosa do radicalismo, e lá parecia constituir-se, apesar de tudo e das muitas incongruências, a derradeira referência da paz social e do ordenamento democrático. Empatia ou qualquer forma de idiossincrasia não pode ser o fator que agrega ou afasta nessas deliberações.

Segunda época
Primeiro foi a própria Anvisa que condenou a vacinação contra dengue adotada pelos padrões e protocolos da Secretaria de Saúde. Agora a OMS (Organização Mundial de Saúde) assume igual veto, o que é mais um "abacaxi" para o governo de Cida Borghetti, como as muitas das heranças de Beto Richa, dentre as quais as cadeias superlotadas e esse constrangedor episódio de carros da polícia e dos bombeiros abandonados nos reparos por falta de pagamento. Cada dia vai aparecer uma dessas situações, inclusive a feita nos descontos do tempo regulamentar nos compromissos de meio e longo prazos da ParanaPrevidência, aquela do assalto que deu origem ao massacre do Centro Cívico por obra da dupla Richa-Francischini.
O governo que passou por média até aqui, pelo menos na propaganda, acaba em segunda época no choque de realidade.

O libertador
Quem estava na fila nesta quarta-feira para visitar Lula era o homem da Teologia da Libertação, Leonardo Boff, uma dos maiores teólogos da América Latina e que foi censurado pelo cardeal Ratzinger, mais tarde Papa. Boff, hoje mais místico do que o cerebralista da doutrina e especialmente focado na degradação ambiental, que punha pitadas de materialismo histórico no evangelho, queria também marcar presença nos atos de solidariedade ao ex-presidente.
Persistia por lá o Adolfo Perez Esquivel, Nobel da Paz, com seus familiares tentando ainda fazer a visita bloqueada pela justiça.

Gripe
Só neste ano já tivemos cinco mortes no Paraná pela gripe. Em Curitiba, houve cinco casos agudos, nenhum fatal. Na campanha deste ano se evitarão, o quanto possível, ocorrências como as do ano passado, com quadros na sequência à imunização em pelo menos quatro pessoas com a suspeita de contaminação por indevida manipulação ou ausência de cautela.

Polícia de menos
Uma das causas de falhas no policiamento é o hábito de botar PMs (na prefeitura quatro deles) e policiais civis e até delegados de carreira à disposição de deputados. Essas coisas sindicatos não denunciam porque acomodam interesses institucionais.

Roto ri do remendado
Geraldo Alckmin entende que o seu correligionário e senador Aécio Neves não deveria disputar eleições por causa do enquadramento. E os dele, menos graves, não valem? Tucano também se bica. Agora, por exemplo, a justiça paulista torna os ex-chefes do metrô réus em ação cível. Tudo se deu nas gestões de José Serra, Alberto Goldman e Alckmin. É o roto a rir do remendado.

Drogas
Uma operação conjunta das polícias Federal, Militar e Civil prendeu seis pessoas no Oeste-Sudoeste envolvidas no tráfico de drogas.

Minerva
Mais uma decisão no STF decidida por voto de minerva: 6 a 5 na rejeição aos embargos infringentes em favor de Paulo Maluf.

Folclore
Com a perda do foro, até agora Geraldo Alckmin ficou fora da Lava Jato, já que o seu problema ficou a cargo da justiça eleitoral. A investigação de Beto Richa no STJ pode fluir para as mãos de Sergio Moro, segundo o jornalista Celso Nascimento no Contraponto.

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