Ciclo punitivo
Vivemos um ciclo punitivo e consequentemente com um viés nem sempre equilibrado . E tudo se dá em todos os níveis de governo. Todo santo dia fato novo: Aécio Neves feito réu, governadores e prefeitos cassados, ex-presidente da Câmara Municipal de Londrina, Rony Alves e Mario Takahashi, em processo de cassação de mandato por quebra de decoro, em função de denúncia do Ministério Público de cobrança de propina para acertar mudanças do zoneamento urbano.

Hoje, felizmente, há mais nuances do que no período do mensalão seguido pelo do petrolão na Lava Jato. O fluxo corretor é bem aceito, como se viu no Datafolha, com 84% entendendo que não deve ser detido, mas com 12% acreditando como Romero Jucá que a sangria tem que ser contida. Não se pode subestimar a pressão dos criminalistas que tentam valer-se de doutrina para conter os exageros, visível na pressão deles por força do peso das acusações contra a OAB que como qualquer instituição abre um olho para a corporação e outro para a opinião pública, tal qual se dá com os tribunais.

Entre o infravermelho e o ultravioleta do espectro ideológico há matizes mas a hora vivida é a dos radicalismos e até o STF se mostra permeável ao canibalismo das torcidas de futebol. Ocorre que estávamos ajustados demais à cumplicidade com a impunidade, a sacanagem ritual de processos intermináveis em nome da subjetivíssima presunção de inocência que pode estar em tantas coisas menos nas relações público-privadas deste País, onde sempre há malícia, subterfúgio, desvio. Trata-se de ambiente sem espaço para a inocência, como se vê nos eventos da Lava Jato, nos assaltos à Petrobras.

Trata-se de um ciclo, espera-se, e não de uma era. O contraditório começa a ganhar mais espaço e isso é suficiente para reequilibrar. Essa fase de cruzada e fundamentalismo terá seu termo como imposição da racionalidade.

Operação difícil
Ainda que disposto a adiar a votação da LDO para rediscutir a data-base dos salários dos barnabés há um setor do governo Cida Borghetti sensível às amarras do congelamento diante da evidência de que, apesar de tudo, gastos com pessoal continuaram subindo em escala bem maior do que a receita. É que mesmo com a prensa a chamada elevação dos gastos inerciais (de acumulação como a de quinquênios, ações judiciais de atrasados) se processa sem qualquer meio de contenção para detê-la.
Casos mais dramáticos como os que foram atendidos na área educacional não autorizam a crer numa liberação genérica que porá abaixo todas as barreiras fiscais e devolverá gradualmente o problema fiscal na linha que se observa no Rio Grande do Sul, em que a evidência da quebra fiscal é notória e sem disfarces como os aqui adotados.

A mais fria
Embora, por vezes, os registros do Simepar apontem General Carneiro como o ponto mais frio do Estado, o axioma mais antigo se impõe indicando Palmas no sudoeste. Uma polêmica sobre o tema ocupou o interesse do legislativo estadual com Nereu Moura pró Palmas e o professor Lemos por General Carneiro. O debate sobre o frio não esquentou.

Negativo
A juíza da 12ª Vara Federal que na terça-feira liberou a visita dos senadores da Comissão de Direitos Humanos (e que testemunhou que tudo está nos conformes nas prisões) agora voltou a negar o ingresso de Adolpho Esquivel, prêmio Nobel da paz, na visita a Lula. Parecer fundamentado. Pelo jeito pretende-se evitar uma saturação com ações de mero proselitismo. De repente o time do Corinthians (que joga aqui no domingo) e a escola de samba da Vai Vai se habilitam.

Manifesto
Na terça (17) à tarde, o vice-presidente do PT, Marcio Macedo, fez a leitura de um manifesto do ex-presidente Lula de agradecimento e estímulo à resistência dos seus seguidores, tanto o dos acampamentos como os do que o fazem por outras formas. Por sinal, em coletiva, as centrais sindicais anunciaram uma grande arregimentação em Curitiba no 1º de Maio, também pela causa do maior líder obreiro do País. Já os petistas e apoiadores querem Lula livre o quanto mais cedo possível.

Agressão ambiental
O Ministério Público está cobrando da Universidade Tuiuti, fundado em decisão judicial, que ela recupere a área que devastou e que estava sob proteção. É uma demanda de pelo menos R$ 6 milhões.

Clonagem de cheques
Uma quadrilha especializada em clonar cheques foi presa e apresentada em entrevista coletiva na terça-feira (17). Composta por cinco elementos fez estrago na cidade, mas a façanha policial recupera no público o perdido sentimento de segurança.

Folclore
A sensação do provisório está na própria montagem e desmontagem dos acampamentos em favor do ex-presidente Lula ao expressar a ansiedade por sua liberdade imediata. Daí porque há estranheza na concentração marcada para 1º de Maio das centrais sindicais, que todos acham extremamente tardia.

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