Teste de força e unidade
O ritual – posse às 10 na Assembleia e às 11 transmissão do posto a Cida Borghetti no Palácio Iguaçu - mostrará vitalidade da nova gestão e a aliança com Beto Richa, maior cabo eleitoral paranaense, um teste de força e unidade visível na arregimentação. Por isso não pode falhar e constituir-se , já de entrada, no sinal da reeleição.

Toda posse de governo é sempre oba-oba, mas nesse caso precisa do atributo de excepcional para impor-se e mostrar que as vantagens eventuais de Osmar Dias e Ratinho Júnior à frente das pesquisas são transitórias e teremos a visão disso, da unidade na transição, na formação do secretariado que necessariamente terá que expressar essa energia. Assim, exige-se precisão e perfeição nessa montagem, o que é muito difícil de consumar-se num campo sujeito a erros como o da política.

Montar esse cenário não será fácil, porém quem o comanda é Ricardo Barros, a mais pragmática das nossas lideranças que ocupou postos de liderança parlamentar sob FHC, Lula, Dilma e agora sob Temer. Apesar de tonalidades divergentes, quanto ao novo pacto, predominantes na base aliada, todo esforço é despendido para expressar o consenso. E Beto Richa precisa, num momento em que uma figura estratégica do seu governo, o diretor do DER, é preso na Lava Jato, já que ele obedece por ordem hierárquica ao irmão mais velho, o Pepe, na secretaria de Infraestrutura e isso deverá ser questionado na campanha juntamente com os feitos da "Publicano" e da "Quadro Negro".

Concessões recentes aos municípios carentes de repasses federais e em crise fiscal dão impulso tanto à campanha senatorial de Beto Richa como a da reeleição de Cida, porém certamente haverá defecções, ainda que limitadas, em favor de Ratinho Junior em função do proselitismo na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e em escala menor de Osmar Dias. A luta será a de manter o máximo possível da tropa, pelo menos hoje eufórica, convicta de que a causa é boa.

Há, porém, uma carência: além de ordens de serviço e feitos como o de ontem de entrega da escada Magirus, reparada desde 2016 na Alemanha, deixou muito pouco para a gestão de sua vice empenhada na reeleição. Com esses feitos, a dele, pelo menos, está quase garantida.

Mais um
Além de Nelson Leal Júnior, ex diretor do DER, preso na Lava Jato ontem houve nova detenção de auxiliar de Beto Richa, em seu primeiro mandato, o ex-secretário Edson Casagrande, enrolado nas ações do Gaeco em Araucária.

Proposta
Falava-se muito no interesse do Mackenzie no Hospital Evangélico de Curitiba, mas quem fará a proposta formal ao interventor da Justiça do Trabalho será a Universidade Brasil de São Paulo. A crise é antiga e a perspectiva dessa perda é fato possível, em que pese tudo o que a Sociedade Evangélica representa.

Premiação
O prêmio ao guarda municipal que atirou no pichador do Cemitério Municipal levou pelo exercício de cautela o comando da corporação a lembrar a conduta operacional adequada para esse tipo de confronto que desconsidera obviamente o emprego de meios letais.

Uma tese
A tese do ministro Gilmar Mendes de que a prisão em segunda instância só pode ser emitida pelo STJ é invocada por um grupo de criminalistas em pedido de liminar. Como se vê muita água vai correr por baixo da ponte na expectativa da prisão do ex-presidente Lula, inclusive o embargo dos embargos no TRF4. O STJ negou por cinco votos, à unanimidade, o habeas corpus pleiteado.

Pioneiro
Manter o pioneirismo de suas iniciativas é uma disposição do Tribunal Regional Eleitoral agora voltada para o documento único de identidade que numa primeira etapa abrangeria o CPF e o título eleitoral e numa posterior o Registro Geral.

Assimetria
Não há simetria jurídico-técnica entre a negação do habeas corpus ao ex-presidente Lula e a matéria de fundo, até aqui empurrada com a barriga, da questão da prisão pós-decisão de segunda instância. A ministra Rosa Weber que decidiu com seu voto a matéria anteontem é de posição doutrinária contrária e no caso apenas se louvou na questão da colegialidade, respeito ao que foi decidido em 2016, como tem feito na maioria dos relatos de habeas corpus: em 57 em apenas um deu a medida.. Como Cármen Lúcia, presidente, resiste em colocar o tema em pauta, isso se dará certamente com o seu sucessor. A tendência contra a prisão pós decisão de segunda instância hoje é majoritária.

Folclore
O ministro Gilmar Mendes queixou-se severamente do que chama de pressão da mídia (e referia-se ao registro de que os magistrados têm 88 folgas ao ano além dos fins de semana, de menor carga informativa do que o auxílio-moradia) e sugeriu que beirava à chantagem. Dos ministros que ocupam o STF é seguramente o que mais pressiona em suas posições, inclusive na proteção de compadrios como se dá com o chefe do cartel dos ônibus do Rio, o Barata, ou conversando com o presidente Michel Temer fora de agenda.

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