LUIZ GERALDO MAZZA
Um pouco de democracia direta
Fala-se tanto e teoriza-se demais sobre a democracia direta, tanto que houve sua inclusão no texto constitucional ao lado da forma clássica representativa em 1988. Pois ao longo do tempo se tentou fixar seus fundamentos e possíveis limites, e é claro, cercaram suas hipóteses dentro de elementos formais como a tal lei de iniciativa popular, uma das quais testamos aqui quando Lerner e sua base parlamentar derrubaram a que decorria de uma decisão soberana de impedir o leilão da Copel. Uma, nacional da CNBB, que proibia fraude eleitoral, foi uma das que emplacaram, e a nossa deu margem a uma das maiores tensões legislativas, inclusive com tiros também nos vidros da Assembleia, tão ideológicos quanto os que acertaram a caravana do ex-presidente Lula.
Da mesma forma que o fermento provocado foi maior do que o novo dispositivo que figura na federal, mas não na estadual, temos hoje em escala nacional um tipo de conflito que por sua amplitude, com uma boa tintura de anarquia, vai muito além do buscado pela norma imperativa, mas carente de alguma regulação. O debate, por exemplo, em torno da prisão pós decisório de segunda instância não divide apenas ministros e doutrinadores e sim todo o país e com um empenho como das torcidas organizadas no futebol.
Há até a tentativa de transformar o debate numa questão de rumos quanto à corrupção: se cair o entendimento fixado, a Lava Jato teria sucumbido, e a exortação pelo jejum, durante o ritual de depois de amanhã, do Dallagnol, dá bem a medida de fanatismo ínsita no processo como se os dois lados não tivessem fundamentação lógica para sustentar seu ponto de vista.
E como se não bastasse tudo isso permeia o processo o radicalismo ideológico do "nós contra eles" - o divisor maniqueista de direita e esquerda - nem sempre aplicável às demandas em jogo. Há o enlouquecimento das ideias, de que falava Munhoz da Rocha, e a irracionalidade parece tudo comandar como um ato do Ministério do Trabalho sobre imposto sindical tente impor-se como lei enquanto os dispositivos da Medida Provisória da reforma trabalhista ameaçam caducar por ausência de ratificação e, no varejo, a pretensão de Michel Temer como empenhado na reeleição, apesar de mais um cerco judicial. O que estamos assistindo é ao desnudamento das nossas instituições, umas se sobrepondo a outras sem qualquer visão de freios e contrapesos.
Coelho gordo
A previsão da Associação Comercial do Paraná, por seus institutos apropriados, era de que teríamos uma alta de 1,2% no movimento das compras e ela foi amplamente superada no fato de que o resultado chegou a 3,2%, dois pontos percentuais acima do imaginado. E isso apesar da notícia de que permanece congelado o desemprego com carteira assinada em mais de 12% e mal compensado pelo mercado invisível e sem carteira, que dá equilíbrio, mas não fomenta o consumo.
Tremor
Provavelmente em função do abalo sísmico na Bolívia vários pontos do território estadual sofrem tremores geológicos. Cascavel, Umuarama, Maringá e Cianorte o experimentaram. Não foi forte demais, todavia gerou preocupação.
Estradas
A BR-277 é um ponto de alto risco no Paraná, tanto que em 2016 tivemos 206 acidentes e no ano seguinte o registro foi de 309. Mas no feriadão houve queda de mortes nas rodovias do Paraná: apenas seis casos, 104 feridos, 67 bebuns ao volante, 520 ultrapassagens e 6.900 burlando a velocidade, alguns a mais de 200 por hora.
Velocidade
A rapidez com que o legislativo aprovou as vantagens para o Judiciário e o Ministério Público é sincrônica ao tempo que levou para congelar, por mais de uma vez, os salários dos barnabés do Executivo.
Bikes na rua
Uma das promessas de prefeituras passadas e isso se deu na de Gustavo Fruet, que assumiu o poder de bicicleta era a de deixar bikes disponíveis na cidade para o uso público. Pois quem saiu na frente, mais uma vez, foi São Paulo, que terá 20 mil unidades que podem ser deixadas em qualquer lugar. Imaginem passar agora o filme de Vitório de Sica "O Ladrão de Bicicletas", só para confronto de épocas e cenários.
Alvaro vice
O PSDB deve estar em exercício de autocrítica porque alguns dos seus cardeais entendem como indispensável hoje o aproveitamento do senador Alvaro Dias como vice de Geraldo Alckmin. Nem o peso eleitoral de Beto Richa é suficiente para mexer nas pesquisas, que mostram o senador liderando a corrida presidencial por aqui, quando o governador paulista não deslancha. Alvaro está determinado, mesmo com a precariedade do tempo de propaganda do "Podemos", a manter-se na disputa.
Folclore
Deltan Dallagnol fica em jejum durante a votação do habeas corpus de Lula, conforme afirma. Pelo temor de que a decisão mexa na questão da prisão pós segunda instância, vai ao sacrifício religioso. Só falta alguém pleitear cruzada contra os infiéis que estão sempre do outro lado, nunca do nosso. E a ministra Carmen Lúcia pediu temperança aos extremados. Resolve?





