Quem ganhou?
Teremos hoje e também amanhã a avaliação, que nem a de auditório, de quem se deu melhor e obteve mais proselitismo, se Lula ou Bolsonaro, esse tão confiante que fez o desafio ao ex-presidente antes da chegada em Curitiba. De um lado o desespero, porque a derradeira esperança em salvar o que o PT representa na história brasileira e de outro a mais bem arregimentada força de direita montada no país, fundamentos portanto de mobilização máxima. Os dois mostrarão o máximo do seu potencial: lulistas na praça da Universidade, bolsonaristas no logradouro do homem nu, praça 19 de Dezembro, sob o comando do MBL.

O circo não terminou ontem, já que hoje no Madalosso, o Maracanã de polenta e frango, a turma da direitona, aquela que ousa dizer o nome, faz a sua concentração. A validez dos números não será diferente da experimentada nas pesquisas de intenção de votos, que segundo visões mais atualizadas estariam num empate técnico decorrente da deserção daqueles que olham como inviável a pretensão de Lula por causa da ficha limpa que ele próprio assinou, como a das normas das delações premiadas é feito de Dilma Rousseff.

Há coisas previsíveis, quando se tem um efetivo serviço de Inteligência na polícia e a hipótese de incidentes em Quedas do Iguaçu, onde está fincada a Araupel e que enfrenta o maior dos problemas fundiários com a ação permanente do MST, deveria constar desse radar . E foi na saída da cidade que houve o atentado contra o ônibus da caravana. Como o cacoete maior da política brasileira é o vitimalismo – e que explora tragédias que às vezes nada têm de traço político tal qual se deu com o assassinato de João Pessoa nos pródromos da revolução de 1930 (golpe para os adversários que haviam ganho a eleição) e no suicídio de Vargas em 1954 que barrou um putsh, depois assegurado na intervenção militar dos generais Lott e Odílio Dinis no impedimento da posse de Carlos Luz como presidente da República e que garantiria a posse de Juscelino Kubitschek da frente popular PSD-PTB.

O país é outro hoje em termos institucionais como o comprova a Lava Jato, apesar da série de acrobacias do Judiciário, que começa a perder o peso ante os demais poderes fortemente abatidos pela crise moral e a metástase da corrupção. Vai ganhar quem disser mais alto que ganhou. No grito, que é outra das nossas mais cultuadas tradições. A impressão mais forte que fica é a seguinte: nós perdemos com esse embate.

Ligeirão
Mal bolada, a estreia da linha do ligeirão foi cheia de incidentes e bateu o recorde dos sofridos pela caravana de Lula com um ônibus alcançado por três tiros contra dois ônibus novos quebrados e um da geração antiga entre Santa Cândida e o divisor de Batel-Água Verde, isso sem falar nas confusões, inclusive um engarrafamento colossal na praça Eufrasio Correa.

Ainda que sanáveis as confusões, por se tratar do primeiro dia da experiência, o teste foi negativo nos prejuízos acumulados e que mantidos nessa frequência tornariam a operação inviável sob o ponto de vista econômico. Houve um certo açodamento na marcação da data de véspera do aniversário da cidade. No mais, trata-se de uma inovação no sistema, ainda que reproduzindo a frutuosa e equivalente do Boqueirão, aquela sim com efetiva economia de tempo na cobertura do percurso com a supressão de pontos intermediários. Havia tempo que não se criava nada de novo no sistema tão badalado como modelar em escala mundial.

Mais gratificação
Depois da gratificação consolidada em lei do Judiciário, a de igual sentido foi aprovada ontem na Comissão de Constituição e Justiça do legislativo em favor do Ministério Público. Vapt vupt, tão rápido quando o congelamento salarial dos servidores. Esse desequilíbrio vai ser insumo de manobras políticas num ano eleitoral.

Sucesso
A entrevista de Sergio Moro no Roda Viva da TV Cultura, além de ter marcado o maior feito do programa em termos de Ibope, assegurou mais posições de parlamentares a favor da prisão pós decisão de segunda instância, maior conflito jurídico do momento e divisor de água radical no colegiado do STF. Num momento de queda dos nossos líderes políticos há paranaenses projetados na luta contra a corrupção na força-tarefa da Lava Jato e no desempenho que além de Sérgio Moro alcança a Polícia Federal como instituição e a ação desenvolta de procuradores como Carlos Fernando dos Santos Lima e Deltan Dallagnol.

E o PPS, como fica?
Com a desistência da candidatura do prefeito de Guarapuava Cesar Silvestri, do PPS, que se mostrou inviável, caberá a Rubens Bueno, maior liderança regional, acertar com os seus correligionários o rumo da agremiação que deverá compor-se com a candidatura mais afinada entre as até agora constantes. O histórico de esquerda, do antigo PCB, pode aproximá-lo de Osmar Dias, do PDT que resiste ao apelo do irmão Alvaro Dias para ingressar no "Podemos". Bueno, que foi assistente de Alvaro Dias antes de construir caminho próprio, teve um histórico desacerto com Requião. Que também terá seus problemas se Michel Temer for candidato presidencial em face das dificuldades de ajuste regional.

Folclore
Coisas abandonadas e esquecidas como a estrada da uva, a ponte de Guaratuba e a paralela em direção a Ponta do Poço em Pontal do Sul mostram a plena arregimentação eleitoral do governador Beto Richa. Ontem saiu no Diário Oficial a convocação para a licitação da estrada que beneficiará um terminal privado. O Ministério Público do Meio Ambiente não chiou.

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