As desigualdades
O tema chave de todo o dia é justamente avaliar se houve ou não melhora na igualdade, essa sim, conforme Norberto Bobbio, a aspiração maior da esquerda. Somos uma sociedade um tanto quanto mumificada a consagrar um regime de castas. O melhor critério para avaliar é o de ver como anda o topo da pirâmide e não a sua achatada base.

Ainda ontem passou na Comissão de Constituição e Justiça do legislativo estadual mais um dos penduricalhos do Judiciário, justificado em acúmulo de atividades para efeito de gratificação, e que precederá igual trato ao Ministério Público, que com ele mantém simetria salarial. Desde o tal ajuste fiscal, que na verdade só pressiona o Executivo, já que não se estende aos demais poderes e organismos como Tribunal de Contas e Defensoria Pública, foi rompida inteiramente a referência remuneratória de áreas assemelhadas às beneficiadas como as representadas pela Procuradoria Geral do Estado e advocacia pública.

Uma regra elementar de equidade estranharia tal distorção, como fica claro que os efeitos da crise são partilhados de forma desigual. Que é comum e a todos atinge, não tem tratamento isonômico até porque não se viu jamais o governador, num papel de estadista, ao menos tentando convencer os demais poderes ao esforço de recuperação fiscal, a um regramento mínimo de austeridade. Como se as distorções se dessem apenas num deles, o Executivo, submete-o à dureza do sacrifício como se o orçamento e a Lei de Meios não os disciplinasse nas mesmas regras.

Pretende-se que os servidores submetidos a essa "capitis diminutio", a classificação desigual dos cidadãos de Roma, cultivem obediência e não tenham sequer o direito de chiar diante do raio de Zeus que os atinge. Claro que é mais cômodo fustigar o pessoal do Executivo, embora as vanguardas do professorado e dos delegados de polícia, do que com poderes com os quais é obrigado a negociar e que mais discretos e sóbrios na hora em que são provocados reagem com fúria corporativa como se vê na demanda do auxílio-moradia.

Via da uva
Desde 2009 uma velha aspiração da Região Metropolitana de Curitiba não anda no chamado circuito italiano, mas agora o Tribunal de Contas teria autorizado ao Departamento de Estradas de Rodagem à referida licitação. A coincidência de várias obras a essa época, de safra eleitoral, é surpreendente e ela se estende por vários pontos do Estado, sem que a frágil oposição o perceba, posto que algumas delas implicam em contestação como a da via paralela rumo à Ponta do Poço em Pontal do Sul e o tal viaduto na baía de Guaratuba, aspiração que aparecia no texto constitucional, ambas de impacto ambiental de primeiríssima ordem.

E junto com as obras, uma enxurrada publicitária do governo que deixava claro de antemão a decisão do governador disputar uma das vagas senatoriais. Apoteose de fim de mandato não justificaria o empenho, a um só tempo, em obras e marketing claramente eleitoral.

Moeda de plástico
Há muito tempo se tenta disciplinar o cartão de crédito e intensificar a sua utilização com redução de custos, e o Banco Central pretende a partir de outubro limitar a tarifa que bancos cobram de lojistas para aceitar pagamentos no cartão de débito. Atualmente, os bancos cobram em média 0,8% do valor de compra que o BC busca transformar em taxa máxima.

Palmômetro
Bolsonaro, animado com o fato de que estará em Curitiba no mesmo dia que o ex-presidente Lula, o está desafiando para ver quem reúne mais gente. Na verdade, ele será recepcionado pela manhã no aeroporto Afonso Pena e seguirá para Ponta Grossa, enquanto Lula buscará fechar bem a sua caravana no sul com comício expressivo na praça Santos Andrade. Ocorre que nas simulações nacionais, quando Lula é posto como candidato tende a empatar com Jair Bolsonaro, que isolado lidera as sondagens no centro-oeste e em Minas, por exemplo. Enquanto Lula encerra sua estada hoje, o deputado celebra a sua na Capital amanhã com jantar no Madalosso.

Arqueologia
Embora tenhamos gente voltada para a possível existência de sítios arqueológicos, como o encontrado na Cidade Industrial e que ensejará a criação de um parque municipal, volta e meia a nossa engenharia da área dá mancada pelo desconhecimento do subsolo como tem ocorrido no Cabral com o desconhecimento da localização do rio Juvevê, o que tem provocado reparos na pista de rolamento dos expressos, alguns deles feitos até mais de quatro vezes nas correções no pavimento.

Ontem o professor Fernando Stas, da Universidade Federal, explicou como se deu a descoberta do mais recente sítio. A história do primeiro núcleo provisório da cidade no Atuba, na denominada Vilinha, não havia referenciais tão evidentes como os mais recentes e também o "lanho" da Praça Tiradentes e o encontro de material cerâmico no Bacacheri (Tingui).

Folclore
Na aula de latim o aluno do professor João Mazarotto traduz a expressão "aperto loco" nas batalhas da Gália como "aperto louco" e não "lugar aberto", como indicava a narrativa. O mestre chamou o discípulo de tongo e lançou-lhe o apagador do quadro negro.

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