Temer, o salvador
Carregando nos sinais positivos da economia, como se decorressem de obra sua, Michel Temer crê que pode surfar aí na campanha presidencial. Os dados não são assim tão entusiasmantes, mas como expressam melhora em relação à longa recessão, vão compondo o que chama da obra sua, de mais ninguém. Por exemplo, em fevereiro o Brasil teve 61.186 vagas com carteira assinada (7.703 no Paraná e 106 em Londrina) e como se observa, a recuperação é lenta demais, tanto que no ano passado o que safou o país da crise foi a criação de 1 milhão e 800 mil vagas no setor informal, cuja renda é a metade da obtida pelo trabalhador formal, e não ativa, consequentemente, o consumo das famílias, o que pode implicar em queda do PIB.

Esse indicador, consumo das famílias, responde por 65% do PIB, e a proporção de formais na população ocupada estava entre 2011 e 2014, ciclo máximo do consumo, em 45% e esse percentual estaria hoje em 40%. Há muito, pois, a avançar para comemorar e não há mais instrumentos como as contas inativas do FGTS (R$ 44 bi) e do Pis-Pasep (outra dezena de bilhões), que aqueceram o mercado no ano passado.

A mágica a empregar estaria no aumento do bolsa família, nas casas populares e em medidas de investimento público centradas nas parcerias público-privadas. O acervo de conquistas é ainda escasso para sensibilizar eleitoralmente, isso sem considerar ainda a forte resistência popular ao governo, que não marcará muitos pontos centrados na "coragem" do presidente de pleitear a reeleição.

Beto sai
Depois de tanto suspense, mas ao longo do tempo deixando indicadores promocionais como o marketing das obras que asfixiam o telespectador sugerindo que sairia, Beto Richa sentenciou que entrega o bastão para Cida Borghetti e disputa uma vaga ao Senado, e ao mesmo tempo, o que também já era esperado, apoiará a regra três na reeleição.

Qual a mudança no cenário? Ratinho Júnior se obriga para diferenciar-se, pois tem origem na base aliada e numa secretaria sempre reservada para o sucessor, a assumir postura mais clara de oposição, ainda que o transbordamento não pegue bem. Pelo menos tem gama de partidos para ombrear-se como a montada por Ricardo Barros em favor da esposa.

Resta saber quais as bases de Osmar Dias e se fará ou não dobradinha com Requião, este numa pretensão ao Senado, já que a expectativa presidencial ou de vice logrou. Com Temer na ofensiva, Requião terá dificuldades se permanecer no MDB.

Mas até abril pode acontecer muita coisa como o adensamento da base de Alvaro Dias, o ajuste entre Osmar Dias e Ciro Gomes e o destino de Requião.

Obesidade
Por 23 votos a 3 a Câmara Municipal de Curitiba aprovou projeto que prevê a reserva de 3% de espaços para pessoas obesas em restaurantes. O número, convenhamos, é restrito para esse perfil no conjunto da sociedade.

A iniciativa poderia voltar-se para outros aspectos da inclusão como espaços em ônibus e convívio com a catraca e nos teatros e casas de espetáculos.

Quem mandará?
Eleita Cida Borghetti e sufragado o marido como deputado federal fica nítido que a família maringaense terá predomínio nas decisões políticas. A predominância de Ricardo Barros nas relações com Beto Richa levaram o PSDB à perda de uma cadeira no Senado, quando Gustavo Fruet parecia o mais habilitado e foi preterido, o que facilitou a continuidade da carreira de Roberto Requião. Caso de justiça poética seria Requião, agora em disputa no Senado, fazer mais votos do que Richa, o que é difícil, mas não impossível.

Obscurantismo
A "Escola sem partido" passou na Comissão de Constituição e Justiça, embora flagrantemente inconstitucional, alertamento que o Conselho Estadual de Educação fez a todos níveis de poder e foi lido em plenário pelo deputado Péricles de Melo. É o obscurantismo em marcha, num tempo de radicalismos e nostalgia da ditadura no que tinha de pior.

Sítio arqueológico
Descoberto um sítio arqueológico na Cidade Industrial de Curitiba e imediatamente o prefeito Rafael Greca imaginou a instituição na área de um parque municipal. Curitiba tem tradição no tema tanto que em plena Praça Tiradentes há um trabalho do arqueólogo Igor Schmiz a revelar o passado num fragmento aberto e exposto daquele logradouro do seu subsolo. Também ao longo do Parque Tingui houve detecção de cerâmica trabalhada. Dá para imaginar o rolo que daria, na hipótese da construção do metrô, o encontro de tais vestígios que determinariam por imposição legal à interrupção da obra como houve no filme de Fellini em Roma.

Folclore
Haja oligarquia: Ricardo Barros fazendo campanha pela esposa Cida Borghetti a favor de sua reeleição e pela filha Maria Victória para deputada estadual ; Beto Richa apoiando o irmão mais velho Pepe para federal e o filho para estadual; Alvaro Dias, candidato presidencial, dando um pitaco pro mano Osmar Dias e Requião tentando reeleger o filho. O Paraná já foi diferente do Nordeste. Quem o deixa assim nessa fatalidade brazuca é a classe política.

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