Judiciário em avaliação
Depois principalmente da Lava Jato, o Judiciário emergiu como o poder que na análise dos outros (Legislativo e Executivo) expressaria a maior esperança republicana. Da mesma forma, com o ocorrido com o fluxo judicial moralizador com seus momentos de autoritarismo e até de fundamentalismo foi perdendo a linearidade em sua decisões controversas. Claro que esse teste é em função da mecânica institucional, posto que o seu cotidiano expresse quase de forma sistemática deficiências na questão das delongas e sua abertura para a impunidade e a prescrição do que a questão da prisão pós decisão de segunda instância é referencial de primeira ordem e o cerco feito em cima da jurisprudência por um novo julgamento está no cerne das artes protelatórias.
O varejo judicial é o de casos como o do ex-deputado Ribas Carli no crime de trânsito e que levou pela habilidade dos seus advogados à demora de oito anos para ir a júri com o empenho ainda para que o julgamento fosse longe de Curitiba pela existência de clima psicossocial que prejudicaria o réu, o que não emplacou. E agora tivemos o júri do pecuarista Mauro Janene Costa, que matou a professora Ester Pacheco, dezoito anos atrás, em Londrina, e com o desaforamento do júri para Ponta Grossa e anteontem julgado e condenado. Dezoito anos, mais do que o dobro do tempo do crime de Ribas Carli para ser levado a julgamento popular .
E é nesse varejo – e não em causas com a do habeas corpus do ex-presidente Lula, na qual também são captáveis as incongruências – que se percebe a ineficiência como se dá com a baixa estatística de homicídios que chegam a julgamento e tendo na superlotação dos presídios e suas consequências como a do nível de arregimentação a que chegou o crime organizado no interior dessas masmorras afrontosas aos direitos humanos.
O momento brasileiro está longe de ser a hora de passar a limpo nossas instituições, posto que a Lava Jato tenha reavivado nossas esperanças por algum tempo.

Desempenho fabril
Desde 2014 a nossa indústria acumulava, em função do processo recessivo, registros negativos em seu desempenho, subitamente transformado apenas em 2017, em que pese a persistência de sedimentos da crise, com um crescimento de 1,8%, uma grande recuperação levando em conta a soma de fatores adversos. Falávamos ontem do segundo lugar que obtivemos, em escala nacional, no setor terciário, o de serviços, perdendo apenas de Mato Grosso, e agora com esse feito no secundário podemos sinalizar um ciclo de desenvolvimento contínuo.

Mdb na cabeça
Capa da revista Istoé com o presidente Michel Temer afirmando que seria extrema covardia não se candidatar à reeleição. O presidente tem dois vetores contra ele, a popularidade negativa, a mais baixa de um gestor na história brasileira, e a sequência de denúncias (que por sinal não param como as restrições que enfrenta no episódio do decreto portuário e daquele jantar que a sobremesa foram os milhões ao partido que dirigia pela Odebrecht, essa campeã de presidentes derrubados como o do Peru e os do Brasil) que puseram na cadeia vários dos seus ministros e auxiliares como as malas do Rocha Loures e do Geddel o expressam.
O MDB tem tradição de quebrar a cara na tentativa presidencial como se deu com Orestes Quércia e com o mitológico Ulysses Guimarães, bem mais categorizados do que ele que tenta algo de épico até no dia a dia tentando simular o estadista quando mal oculta a face de indiciado. E o mais ousado é que anuncia que uma equipe de intelectuais, comandada por Moreira Franco, está preparando o documento "a ponte para o futuro número dois". Ponte que Fernando Henrique Cardoso chamou apropriadamente de pinguela.

Flagra
Ontem a polícia anunciou alguns feitos na área de crimes bancários: o Cope relatou a prisão de um homem que preparava os carros para os assaltos e destacou avanços na investigação pertinente à área. Outra interessante, mas do varejo, foi a prisão de três estelionatários, vindos de São Paulo, em operações especializadas em agência central.

Clonagem
Depois dos casos de Cida Borghetti e Luis Claudio Romanelli, mais um celular clonado, o do prefeito de Cascavel, Leonardo Paranhos. Um secretário dele entrou numa fria ao depositar R$ 10 mil numa conta indicada. Choveu boletim de ocorrência dele e do colega.

Atração
Na quarta-feira teremos aqui os dois líderes das intenções de votos: Lula, que faz o comício final da viagem ao sul na praça da Universidade, e Jair Bolsonaro, que fica aqui dois dias e na véspera vai a Ponta Grossa. Por que Curitiba e Ponta Grossa? Simples: nessas cidades Afif Domingos e Plínio Salgado chegaram a liderar nos votos e parece que o referencial histórico teria sido levado em conta. Na chegada de Lula os adeptos de Bolsonaro vão recepcionar o chefe no aeroporto e depois acompanhá-lo em caravana a Ponta Grossa, já no dia seguinte fazem concentração no Madalosso, em Santa Felicidade.

Folclore
Michel Temer, candidato presidencial, o fracasso afinal subiu à cabeça rumo à apoteose mental. E tem mais: seria um covarde se não topasse o desafio presidencial, conforme seu depoimento. É por essas que Alvaro Dias, mais discreto, também acredita.

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