Clima de taberna
Havia nos anos quarenta no Ginásio Paranaense o professor Becker, alvo de molecagens dos alunos. Uma das perversidades que faziam contra ele era a de simular que estava chegando tarde (depois de já ter respondido à chamada) e com isso ser dispensado. Lembro que quando morreu uma espécie de sentimento de culpa coletivo levou a rapaziada a prestar as últimas homenagens ao mestre de francês.

Era muito sereno, mas quando percebia um sinal de tumulto reagia com voz forte e às vezes proferia irado "taberna de italianos bêbados!" Lembrei desse corte epistemológico e, ao mesmo tempo, pedagógico ao assistir ao confronto de agressões no STF entre os ministros Roberto Luis Barroso e Gilmar Mendes.

A retórica nem sempre é suficiente para amaciar, aveludar, o sentido das agressões. Afinal, chamar alguém de "rebento de uma doidivanas" ou "gerado por uma hetaíra" não se distancia dos gritos da torcida de futebol contra o árbitro dirigidos à sua genitora. Assim também quando, no esgrimir verbal, um chama outro de psicopata e ouve como resposta a insinuação de que faz de sua função magisterial um escritório de advocacia.

Se as decisões conflitantes e recentes do STF geram sensação de insegurança jurídica visível no recuo pretendido quanto à prisão depois da decisão de segunda instância e na carga de manobras visando a revisão (e em tantas outras situações como a da manutenção dos direitos políticos da ex-presidente cassada) é evidente que conflitos como os ocorridos no meio da semana só podem acentuar essa sensação.

Terciário
Vai muito bem a economia do Paraná no chamado setor terciário, dos serviços, aparecendo em segundo lugar no Brasil, atrás apenas de Mato Grosso. Enquanto a média brasileira, captada pelo IBGE, em pesquisa setorial, teve a queda média de 2,7%, a nossa chegou, de fevereiro de 2017 a janeiro de 2018, a um crescimento de 4,9%, taxa superada por Mato Grosso com incríveis 17,5%.

Itaú e o escrete
O Banco Itaú faz uma aposta generosa na seleção brasileira e no trabalho do técnico Tite, como se viu no anúncio de duas páginas ontem nos jornais. É elevado o grau de confiança da maioria da população, fato que deve ter sido mensurado em pesquisa pelo anunciante, em nosso escrete. Uma das boas peças de publicidade é a dos russos cantando, em sua língua, o inesquecível "Pra frente, Brasil" em ritmo de gostosa euforia.

Vestígios
Não estamos numa fase de boa colheita de prisões e casos solucionados na questão hoje não apenas de explosões de caixas eletrônicos como também de assalto à luz do dia em bancos, como se deu em Araucária. Há imagens das operações (tal qual as do caso Marielle no Rio quanto ao preparo do crime) e indícios como o do encontro ontem de um carro abandonado em rua de Pinhais e com carga de explosivos, e ainda notícias, ainda não muito claras, de um confronto e morte de suspeito de ser um dos integrantes da quadrilha que atacou três agências bancárias em Pitanga, região centro-oeste. Notícia boa, para acalmar a população, é a de que já na segunda feira todas as três agências voltam a funcionar, o que não aconteceu em cidades pequenas como é o caso de Guaraqueçaba, que permanecerá, como outros municípios menores, sem serviços bancários.

Mulher, a causa
Maria da Penha, a corajosa mulher que deu origem à lei que lhe leva o nome, esteve ontem em Curitiba em pregação pela causa e viu como está funcionando o complexo prisional e assistencial da Casa da Mulher, que já tinha visitado quando se encontrava em obras. Números de atentados contra a mulher, tanto no Paraná como em Curitiba, são elevadíssimos.

Campanha
Perspectivas de tempo no rádio e na tevê são precaríssimas para o senador Alvaro Dias, candidato presidencial do "Podemos", com alguma chance no Paraná e sul do país em função mais do seu histórico e exposição na mídia. Ontem na Universidade Positivo fez palestra para empresários e profissionais liberais. Quando governador, o reitor da Positivo era diretor geral do secretário da Fazenda, Luis Carlos Hauly.

Hábito comum
Uma das habilidades nacionais é a de não pagar multas, como se dá com prestadoras de assistência à saúde, com as infratoras de crimes ambientais (serrarias, madeireiras) e agora também com as empresas que fazem acordos com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), como ocorre com a UTC, alcançada pela Lava Jato, que deixou de pagar duas parcelas e por isso é ameaçada do cancelamento dos acordos. Macunaíma, o herói sem caráter de Mário de Andrade, expressa tudo isso, inclusive a leniência das autoridades estimula essa cultura abominável.

Folclore
No tempo da falta de energia eram comuns manifestações em Paranaguá, Apucarana e outras cidades. Para fazer a cobertura no litoral o fotógrafo Sergio Matulevicius viajou no trem toco duro e chegou em Paranaguá com as pernas adormecidas, razão pela qual forçava a marcha batendo os pés. E saiu perguntando onde era o "quebra". Com aquele rosto enorme de imigrante e o agito das pernas na segunda roda levou o apelido de robô curioso.

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