LUIZ GERALDO MAZZA
Primado da violência
Se queres a paz, prepara-te para a guerra , "se vis pace para bellum", era o bordão da paz romana. Pouco depois da experiência carioca da tal da polícia protetora, e que era apenas essencialmente polícia, o Paraná a decalcou com as Unidades do Paraná Seguro, fracasso lá e reprisado aqui, como se percebe na celebração dos seus cinco anos na reportagem, ontem, desta "Folha", de José Marcio Lopes.
Essa ênfase na violência normalmente oferece terapias que subestimam a carência social e a ausência de Estado nesses núcleos. O martírio da vereadora Marielle Franco, anteontem, expressou-se como a consolidação desse fracasso em dimensões mundiais e ninguém esquece do aparato bélico das forças armadas empregado na tal polícia pacificadora tanto como show e finalidade operadora, agora completada com a intervenção.
Em Curitiba houve queda da violência na relação por cem mil habitantes, mas na Cidade Industrial, a despeito da instalação de cinco unidades, ela se manteve como o maior centro de violência da capital.
Se ao longo desse tempo testemunhamos um fracasso, por não suprir a ação do Estado, por vezes atendida ao seu estilo pelo tráfico, vimos nesses quatro anos de Lava Jato, em que Curitiba se faz uma República na ironia de Lula e de criminalistas do panteão da glória, um feito civilizador que abre perspectivas de o Brasil fazer-se sério. O pior é que a despeito da cruzada punitiva e desmistificadora das nossas práticas políticas, faz-se opção no Brasil não por esse avanço, repetindo-se os ciclos repressivos com a intervenção federal no Rio e a criação do Ministério da Segurança, cujas primeiras ações não sustentam as esperanças geradas e que encontram na execução da vereadora Marielle Franco uma evidência de que, por muito tempo, seguiremos andando em areia movediça.
Firmando posição
Um fenômeno insólito na economia norte paranaense: uma singular, a Cativa, adquire a central, no caso os 100%, da Confepar, Agroindustrial Cooperativa Central, a qual afinal pertencia. O cooperativismo tem encontrado no modelo paranaense uma das expressões máximas do Brasil. Esse processo de concentração permitirá, segundo seus dirigentes, um aumento de R$ 600 milhões, obtidos em 2017, para R$ 900 milhões neste ano. Operando na captação de leite e na produção de seus derivados no Paraná, Santa Catarina e São Paulo, a Cativa dá uma contribuição relevante na área em que o Paraná figura como segundo maior produtor de laticínio nacional com seus 4,7 bilhões de litros em 2016.
Tecnocracia
Uma das formas de a política tradicional opor-se ao universo técnico é carismá-lo com o apodo deformante da tecnocracia. Percebeu-se isso no regime militar, quando a classe política, ao sentir-se em melhores condições de atuar com a abertura, lenta e gradual, de Geisel, irritava-se com a predominância de sentido técnico nas decisões. O tema ou melhor essa tensão é permanente e é invocada agora na Câmara Municipal de Londrina com a evidência de que o Conselho da Cidade, para evitar distorções como as ocorridas em relação ao seu Plano Diretor, deve ter um sentido mais técnico não só na sua composição como ainda na doutrina a seguir em termos de estruturação urbana.
Mexida no tabuleiro
Movimentos do governador Beto Richa são claros no sentido de que disputará o Senado (até para fortalecer dobradinhas com o irmão Pepe para deputado federal e o filho para estadual), o que fortalecerá consideravelmente a posição da Cida Borghetti com a assunção no Palácio Iguaçu para o que já está fortalecendo seu esquema de alianças até para opor-se, em especial, ao de Ratinho Junior que agrega os dois partidos a que pertenceu, PSC e PSD. Teremos, pois, uma eleição com um timbre fortemente oligárquico, pois se Ratinho leva a vantagem paterna do empresário de comunicação, e Osmar Dias sua fraternidade com o irmão presidenciável, uma família inteira - Ricardo Barros pleiteando outra vez a Câmara Federal, a esposa Cida em busca da reeleição e a filha Maria Victória no legislativo estadual.
É exemplo para não acanhar-se diante do Maranhão, Ceará ou Alagoas. Antes olhávamos os feudos familiares do nordeste como algo distante. Tema para Ricardo de Oliveira.
Virose assusta
Uma afecção que ataca mão, pé e boca das crianças e por isso mesmo chamada de mão-pé e boca popularmente se manifesta de forma intensa em Mandirituba, região metropolitana de Curitiba. Centenas de casos da virose foram registrados em escolas e creches e a secretaria de Saúde já está informada.
Folclore
Enquanto o Ministério Público estadual questiona o Conselho Municipal de Educação por falta de formação do pessoal convocado para aulas nos centros de educação infantil, outro setor volta a carga contra a superlotação da Furtos e Roubos, com capacidade para oito, e tem 39 detentos e a Central de Flagrantes com oito vagas e mais de cem presos. Foi aí que houve a tentativa de violência sexual com uma detenta. Depois governantes perdem a paciência com promotores, pois preferem promotores de vendas e de candidaturas.





