Contactos do terceiro grau
Esperar ações policiais e judiciais nas universidades - como elas se dão hoje, inclusive com aquela tragédia do reitor em Santa Catarina - até outro dia era equivalente a contacto imediato com o terceiro grau, do campo refinado da ficção. Agora elas se tornaram frequentes e tivemos, não faz muito tempo, aquele caso da Federal do Paraná com chunchos em cursos de pós-graduação. O ocorrido na Universidade Tecnológica Federal em Cornélio Procópio, precedida de investigações e demissões de dois dos seus quadros dirigentes em processos internos desde 2015, levaram a uma nova investida, com operações que se estenderam a Londrina e Uraí com dezenas de mandados de busca e apreensão e prisões.
O impacto emocional gerado pelo suicídio do reitor, sob intensa investigação, é evidente como alerta aos riscos das cruzadas que estamos vivendo com essa compulsão punitiva, necessária, mas reclamando cautelas tal qual se dá na Lava Jato quando é mantido preso alguém sob o impacto de um acidente vascular ou de qualquer outra patologia. Tanto que até hoje o caso de Florianópolis é cercado de mistério e até de um generalizado sentimento de culpa coletivo.
Agora se tem como certo com as ações da Polícia Federal e do Ministério Público, com o grau de espetaculosidade que o episódio comporta, os desdobramentos de uma novela de sete anos de irregularidades em contratos com superfaturamento em diversas áreas a confirmar que o surto de corrupção, em dimensão de metástase, alcança todos os níveis da vida brasileira.
Daí fica difícil a postura dos intelectuais que colocam a igualdade como aspiração prioritária sobre a corrupção. Não dá para comparar o embate de hoje com aquele da UDN no passado centrado em coisas vagas e um pouco de demofobia. Nem tragédias como a de Getúlio Vargas, que teve origem na criação do jornal "Ultima Hora" para defendê-lo e seu financiamento pelo Banco do Brasil, deixam transparecer o que vemos agora com a generalização da ocupação do aparato público por uma fauna política que não sabe viver sem o desvio e o golpe.

Crise
Curitiba lembrou ontem cenas do neorrealismo do cinema italiano com a oferta de emprego da farmácia Nissei: mais de mil pessoas se habilitaram às duzentas vagas para funções como a de atendente. Isso já havia ocorrido com abertura de lojas de supermercados com as filas ocupando mais de dois quarteirões.

Páscoa
Apesar da já constatada diferença de preços nos produtos de chocolate, que chegam a 137%, a previsão da Associação Comercial do Paraná é no sentido de que haverá um crescimento de 1,2% nas vendas de Páscoa. Há muitos anos especialistas em turismo têm sugerido que a cidade faça com essa celebração o que já conseguiu com o Natal, explorando a variedade das manifestações como a dos ucranianos com peçankas (ovos coloridos com sinais da mais pura arte bizantina) e as krachankas com seus rituais nas igrejas. O grupo Lanteri, que encena sempre a "paixão" de Cristo, é outro componente mobilizável e que agora deixou a Pedreira Paulo Leminski para apresentações na Região Metropolitana.

O sítio
Na questão do sítio de Atibaia (há quem entenda que o grau de comprometimento aí seria bem maior do que o do tríplex) havia ontem expectativa em torno do depoimento do ex-líder do PT no Senado, Delcídio do Amaral. Aliás, já no episódio do mensalão, naquela CPI, o senador teve conduta equilibrada e que em momento algum visou deturpar o andamento das investigações com postura imparcial.

Colheita
Até ontem, em consequência da operação da Polícia Federal, no caso específico do campus da Universidade Tecnológica em Cornélio Procópio, foram arrestados vários imóveis, seis carros, 27 mil dólares, motos, jet ski, lanchas. Pelo jeito virá em capítulos.

Caixa abatida
A Caixa Econômica Federal perdeu status e tanto que pela primeira vez se cogitou da sua privatização. Sua decisão de não atender o pagamento das contas da Copel irritou nossos parlamentares anteontem e a revolta prosseguiu durante todo o dia de ontem. A Copel entrou na justiça pela rescisão unilateral do banco público. Mais um gravame para Guaraqueçaba, que ficou sem banco, por causa da explosão do caixa eletrônico do Itaú, e recuperou a lotérica, que agora não pode cobrar a conta da luz.

Guerra de braço
A Fazenda levou a melhor na queda de braço no aumento da adição de etanol na gasolina contra a Casa Civil, que defendia os interesses do segmento sucroalcooleiro. Ficará tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Folclore
Segundo a imprensa paulista, o patrimônio de Aécio Neves teria triplicado após a eleição de 2014. Isso vem a propósito do ocorrido com Lupion, vítima de um cerco moralista, e exemplo de empresário que empobreceu na política ao contrário do que seus adversários diziam. Moisés era um dos homens mais ricos do país antes de se meter em política: dono de mais de 20 carteiras de bancos, dono de empresa de navegação, de fábrica de papel, de fazendas e do Castelo do Batel que seus herdeiros salvaram no último minuto do jogo.

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