LUIZ GERALDO MAZZA
Encontros inusitados
O presidente Michel Temer se queixa das ações intentadas contra ele pelo Judiciário e Procuradoria da República na questão específica da investigação sobre os efeitos da medida que beneficiou o setor portuário e naquele jantar que acertou 10 milhas ao MDB. De fato, parece haver um transbordamento, conforme o entender de juristas e também do ministro Torquato Jardim no entendimento de que ele, por força de sua condição magisterial, mereceria tratamento diferenciado e como chefe de Estado não poderia ficar exposto.
Se há alguém que transborda neste País é o presidente, que recebe de madrugada Wesley Batista e mantém aquela conversação gravada e cuja sequência foi a corrida do Rocha Loures pelas ruas de São Paulo com a mala de dinheiro ou que recebe ministros do STF fora de qualquer agenda e ainda nos surpreendeu com a à carta à Procuradora Raquel Dodge como se estivesse falando com a subordinada que nomeou para criticar seu enquadramento no acerto em jantar dos milhões da Odebrechet. E para coroar a sequência de non sense houve a visita à presidente do STF, Carmen Lúcia.
Um pouco disso, dessa imprudência sequencial, parece começar, lá atrás, quando na condição de vice-presidente se queixou em carta à presidente Dilma Rousseff sobre sua irrelevância no processo político-administrativo brasileiro, que precedeu, de longo tempo, o impeachment sob o comando do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, hoje também encanado, como tantos outros.
Guerra nos combustíveis
O Paraná tem interesse direto numa disputa interna do governo entre a Casa Civil e a Fazenda em torno do aumento do etanol na gasolina, que subiria dos atuais 27% para 30% até 2030 e de 40% até 2040. A Casa Civil toma o partido do setor sucroalcooleiro, e a Fazenda, por entender que haverá perda de arrecadação e aumento de preços e de inflação. A política de incentivos aos biocombustíveis é sinuosa, com seus momentos de avanços seguidos de recuos, por isso o RenovaBio trava aí batalha decisiva.
Outra pasta interessada é o Ministério de Minas e Energia, que calcula que a oferta nacional de combustível chegará a 55% em 2030. Claro que o segmento interessado é o sucroalcooleiro, que tem razoável desempenho em nossa economia. Nos cálculos fazendários a perda seria de R$ 4 bilhões anuais.
Assalto
De cada grupo de dez cidades, pelo menos seis, segundo pesquisa desta "Folha", foram alvo de quadrilhas de assaltantes de bancos. Dos 399 municípios, 244 deles foram atingidos como aquele de Palmeira, que aterrorizou sua população com a explosão de três caixas eletrônicos e agora esse mais recente de Ponta Grossa.
Anteontem, ao celebrar seu aniversário, Guaraqueçaba, um dos mais abandonados municípios de todo Paraná, hoje despojado de serviços bancários, embora a lotérica tenha voltado a atuar, fez manifestações de protesto por sua situação extrema de isolamento, já que a ligação por terra é praticamente impossível pelas más condições e ainda ameaçada de não alterar esse quadro por alegadas razões ambientais, e a alternativa por mar é demorada e dispendiosa.
Como Guaraqueçaba, há muitas cidades isoladas por causa dos serviços bancários suspensos em função de ataques e a falta de esquemas substitutivos cria prejuízos em escala. Tanto a rede pública quanto a privada não têm um plano B para essa contingência, como mostrou recente reportagem da RPC.
O rapa
Noticia a prefeitura da Capital que no bimestre foram apreendidos nas ruas de Curitiba, em mãos de ambulantes, mais de seis mil itens piratas, o que dá uma ideia da penetração a que chegou essa atividade clandestina. Cigarros constituem um dos produtos mais comuns, mas há entre eles engenhos eletrônicos. O comércio ambulante é super fiscalizado, quase uma espécie de autorregulação por interferência de vereadores e dos próprios interessados. Uma das mais fortes ações foi a desencadeada, em momento de crise, pelo então prefeito Maurício Fruet, que liberou uma frota de quinhentos carrinhos verdes que nunca mais deixou seus postos.
Quando dessa intervenção de Fruet, Rafael Greca fez a crítica, bem ao seu estilo, que se tratava de ambulantes que não ambulam, já que têm postos fixos. Mas agora Greca está cogitando de acabar uma das iniciativas do seu antecessor, Gustavo Fruet , desmontando os pontos de recepção do lixo reciclável.
Belvedere
Sindicato de arquitetos e urbanistas vai pressionar a prefeitura de Curitiba a assumir a defesa do belvedere do Alto São Francisco por tratar-se de um bem de relevância histórica e estar completamente abandonado e entregue à ação dos vândalos que o incendiaram.
Folclore
Estamos num ciclo de obscurantismo: agora o deputado Jonas Guimarães quer proibir exposições de arte plástica que exibam libidinagem. Se o critério for subjetivo, toda nudez, como em Nelson Rodrigues, será castigada e aqui não entram nem obras expostas no Vaticano.





