LUIZ GERALDO MAZZA
Sinais permanentes
Voltamos ao tema do colapso dos serviços públicos evidenciados nos atos anunciados ontem pelo governador da nomeação de 20 delegados e de 28 agentes da polícia científica. Isso não atende o mínimo das necessidades com as aposentadorias: a carência do Médico-Legal se aproxima dos cem e a dos delegados está muito distante do que diz a hierarquia da categoria hoje em aberta competição com a APP-Sindicato no conflito com o Palácio Iguaçu, com a diferença do discurso mais estrutural do que o personalista dos educadores.
O que o marketing oficial propaga nada tem a ver com a realidade desse processo de exaustão dos serviços públicos: não pode dar aumento ao servidor, mas pior do que isso, minimamente se dispõe a atender as demandas da população em áreas sociais como a saúde, a educação e a segurança ao menos nos níveis tradicionais. E assim vai continuar, simulando que enfrenta o problema, recorrendo no caso da impossibilidade de atender o pleito nervoso das carteiras de identidade aos préstimos da prefeitura da capital para que o faça nas Ruas da Cidadania por ter o Instituto de Identificação naufragado como os demais.
Serra segura
A Polícia Rodoviária Federal, em ações fiscalizatórias na BR-376, em sua campanha denominada "Serra Segura", constatou um absurdo: 1/3 dos caminhões apresentava problemas mecânicos, muitos deles gravíssimos. Como se já não bastassem a imprudência dos motoristas e a má condição técnica das rodovias, isso sem falar na densidade do tráfego.
Exigências demais
Um personagem de Fellini queria pouco de sua trajetória e se virasse espírita a garantia da reencarnação em espírito de luz. O senador paranaense, Alvaro Dias, como sabe dos limites da sua legenda, tenta acordos com Ratinho Júnior para o governo, numa chapa em que seu irmão, Osmar Dias, apareceria como candidato ao Senado e como composição um acordo com o Ratinho pai (que o Enéas, para não ser olhado como confiado, chamava de "Senhor Rato") para possível cobertura por sua rede de televisão regional.
O informe ontem era o de que Osmar Dias se mantém candidato ao governo, quem sabe, a essa altura, já podendo acomodar a situação com o presidencial Ciro Gomes no PDT.
Prejuízos
Segundo cálculos das seguradoras, sobem a mais de R$ 2 milhões os prejuízos e as perdas patrimoniais com automóveis nas enxurradas de Curitiba. Já o que se deu com os bens da pobreza não dá para calcular: muitos perderam tudo o que tinham.
Capilé pode?
Com a decisão, numericamente apertada, o que reafirma o caráter polêmico do tema, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça, proibindo a cerveja nos estádios e ginásios de esporte, espera-se que pelo menos se mantenha o refrigerante, quem sabe até o capilé. A reação é grande e estará presente nos recursos na hora de valer o mérito.
Chuncho
Gaeco se mantém em atalaia, e dos grandes aos pequenos municípios é forte a sua atuação contra os desvios, seja nos chunchos das alterações pontuais no Plano Diretor de Londrina seja no trambique de São João do Triunfo (e cujos mandados de busca e apreensão alcançam São Mateus do Sul e Palmeira) em cima da frota de carros da prefeitura, depois de submetida a reparos para manutenção ter sido negociada como sucata.
Ajuste de conduta
A Sanepar, acusada de grave delito ambiental ao lançar esgotos não tratados na bacia hidrográfica do Iguaçu, e por isso várias vezes denunciada e multada, fez algo como um ajuste de conduta com a justiça federal e montou um programa de médio prazo de investimentos na correção dos absurdos. O tema é antigo, o acordo que é de agora.
Muita displicência do governo na questão ambiental: bate o recorde de agressão à Mata Atlântica e certamente se superará com as consequências da paralela do Porto do Pontal. Aliás, sobre isso Ongs que defendem a Ilha do Mel encaminharam mais de 100 mil e-mails de protesto às autoridades. Acham que o novo terminal da Ponta do Poço a detona.
Autonomia
No encontro com Temer e prefeitos das capitais, dentre eles Rafael Greca, ficou assentado que se deve conceder no plano nacional de segurança maior autonomia às guardas municipais. Isso está ocorrendo, por exemplo, na questão do armamento e na habilitação dos integrantes da corporação nas funções de agente de trânsito.
Vazamento
Normalmente o argumento de que há vazamento de informações judiciais visa colocar mal a Lava Jato, mas agora o jogo mudou: o ministro Luis Roberto Barroso, do STF, acusa a defesa de Michel Temer desse tipo de comportamento no caso do inquérito sobre o decreto dos portos.
Folclore
Os que defendem a candidatura presidencial de Michel Temer entendem que a aura do vitimalismo que favorece Lula o ajudará no acúmulo de denúncias desde as de Janot, como as de agora como a da grana eleitoral para o PMDB e essa questão dos portos.





