Colapso evidente
Ontem tivemos mais provas no Paraná do colapso dos serviços públicos e que se tornará, com o passar do tempo, em situação devastadora, apesar da anestesia do marketing oficial com o festerê simétrico das promessas eleitorais, um convite ao escapismo e à fuga da realidade. Some-se isso ao diversionismo da Copa do Mundo e teremos espaço para o embotamento e a cegueira.

Evidências de ontem desse colapso: o Instituto de Identificação, se batendo para atender pedidos de carteira de identidade, tentou agendá-los pela internet desde às 9 horas da manhã e se viu obrigado a atender moradores metropolitanos à tarde, enquanto seus postos no centro e no Portão, além daquele da Rua da Cidadania do Carmo, davam apoio possível. De resto, as demandas gerais de serviço público ficavam mal atendidas como se vê no drama dos que sofreram com as enchentes da Cidade Industrial, na fila da saúde, do emprego, das cadeias superlotadas e o caso da jovem que se encontrou com o namorado preso em Piraquara, com os agentes penitenciários relatando a inviabilidade da vigilância na relação desproporcional entre mil presos e dois dígitos de servidores.

Segundo o secretário da Fazenda, o governo fechou o exercício fiscal com quase dois bilhões de superavit, próximo do valor sacado anualmente da Paranaprevidêncio, a pretexto de reduzir os encargos do Tesouro no pagamento de pouco mais de 33 mil aposentados. Ora, há vários anos temos um saque de quase dois bilhões por exercício no referido item. .

Dá para imaginar quando se consumarem as aposentadorias, o que fará o governo para um mínimo de reposição dos quadros. Concursados não podem ser nomeados por ausência de recursos. Em passado recente, funcionário público, com salários reajustados, tinha um ganho indireto com a prestação de serviços médicos, via Instituo de Previdência, o IPE, hoje inexistente. Numa coisa o governo tem razão: esse tipo de situação não se suaviza com greve ou qualquer tipo de manifestação, como certamente a APP-Sindicato fará como ritual esperado das nossas rotinas.

O fato, porém, que somando todas as medidas do ajuste fiscal, a mais duradoura e de maior presença continua sendo – e isso já apurado em vários exercícios – o saque dos dois bi no fundo de pensão dos servidores e espanta o fato de a área, à época, estar sob a gestão de Reinhold Stephanes, que foi ministro do segmento, não ter percebido o desfalque que a medida provocaria no capital da instituição, que não é do governo, mas patrimônio dos servidores.

Proibições
O Tribunal Superior Eleitoral resolveu anteontem restringir perguntas que possam ser feitas em pesquisas eleitorais, vedando questões sobre temas não relacionadas ao pleito, dentre elas a de interditar a avaliação da popularidade do presidente em sondagem de intenção de voto para o Planalto. Ora, se o presidente, como está prometendo, tiver ativa presença no processo eleitoral com suas reformas, transformando-as em temas de campanha, não haveria como sustentar essa forma de censura. Isso vai dar pano pra manga.

Aconselhamento genético
A ideia de instituir no sistema de saúde o aconselhamento genético, embora as reações dos alarmistas habituais, é uma proposta relevante e comum nos centros civilizados. É claro que há dúvidas de que o Sistema Único de Saúde, com suas notórias distorções e deficiências, possa desempenhar tal papel com um mínimo de aptidão operacional.

Paraná irrelevante?
Felizmente, com a candidatura presidencial do senador Alvaro Dias, ainda que por uma legenda sem raízes históricas, o Paraná foge nesse pleito da condição de irrelevante. Nosso governador não é evidentemente um trunfo na campanha de Geraldo Alckmin, como foram seu pai, José Richa, um dos cardeais primeiro do PDC, depois do PMDB e finalmente do PSDB, como figura de proa no processo constituinte de 1988 ou um Ney Braga, que desequilibrava o processo, como se deu com Jânio e depois nos meandros da fase militar como figura destacada dos "pombos" de Geisel e Castelo Branco oposto aos falcões da linha dura.

De outro lado, a base aliada do atual governo ficou cindida em várias candidaturas e seu peso na contribuição ao pleito presidencial se fragmentará prejudicado também pela presença de Alvaro Dias na disputa em que aparece como preferido em sondagens regionais.

Habeas
Confirmando o que se previa, o STJ recusou a concessão de liminar de habeas corpus pedida pela defesa do ex-presidente Lula, já negada anteriormente pelo vice-presidente, ministro Humberto Martins. A hipótese de a matéria ser levada ao STF é admitida, posto que reina confusão no concernente à jurisprudência de que a prisão pode se seguir à decisão em segunda instância e a presidente Carmen Lúcia resiste em pautá-la.

Esforço final
Há ainda na região de Curitiba cerca de 110 mil eleitores sem registro biométrico e o TRE fará um esforço concentrado para cobrir essa deficiência em seis meses.

Folclore
Affonsinho Camargo foi candidato, como Alvaro Dias está pretendendo, a presidente e se deu mal apesar dos bons antecedentes de articulador e doutrinador. Tanto que na campanha deu uma de Xuxa, enviando mensagens aos "baixinhos".

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