Segurança, a prioridade
Um episódio como o vivido sexta-feira (2) pela cidade pacata de Palmeira, com um ataque de madrugada, iniciado com o assassínio de um motorista e o incêndio do seu caminhão para bloquear a rodovia, seguido de explosões em três caixas eletrônicos e obstrução de vias próximas, mostra que o colapso da segurança não está apenas no Rio de Janeiro, motivo, a um só tempo, da intervenção federal e da criação do Ministério especializado. E as providências, ainda em preparo na ex-Capital, postas em confronto com as ações organizadas e com alto senso de logística por parte da quadrilha que agiu no pequeno município paranaense, dão ideia do descompasso entre a capacidade do crime e a fragilidade do esquema encarregado de preveni-lo e combatê-lo.
Essa desproporção entre a agilidade do crime e a precária ação estatal dá uma ideia perfeita de como será difícil esperar que uma ação ministerial se mostre mais eficiente do que o residual disponível nos três níveis de governo, onde é claro que o topo da hierarquia, a União, é posto como salvacionista pelo menos na intenção declarada do governo. No mesmo dia em que o Ministério da Segurança foi criado nada se alterou além da expectativa gerada de que a violência seria combatida com maior eficiência operacional.
Aqui no Paraná o ataque a caixas eletrônicos se tornou menos frequente e deslocou-se dos centros grandes e médios para os pequenos, revelando maior articulação dos criminosos e expondo suas autoridades, como no caso de Palmeira, à mais absoluta perplexidade, enquanto a sua população vivia, assombrada, um ambiente de terror e de guerra. Municípios, apesar da fragilidade de sua participação fiscal, participam de tudo na divisão de encargos, inclusive no de segurança, em que naqueles de maior porte entra em ação a guarda local para cobrir as responsabilidades do sistema de trânsito.
Mesmo que se vise uma coordenação geral de todas as forças disponíveis, o jogo se inicia com o adversário no ataque. De tudo que se deu nesta semana apenas um episódio mostrou a antecipação da polícia paulista com uma emboscada, originada em denúncia anônima, que rendeu sete mortos de uma suposta gangue no interior de Campinas e que portava fuzis e explosivos, ação essa que será investigada. Empatar e virar esse jogo não será uma tarefa singela, dada a gritante disparidade de forças entre o crime organizado, inclusive no interior das prisões como casamatas, e o burocratizado aparato oficial, mesmo com o peso da hierarquia e organização das forças armadas.

Lava Jato
O fato de a Lava Jato ter chegado à questão do pedágio gerou entusiasmo e a perspectiva de que como no petrolão acabasse abrindo a caixa preta do sistema sempre cercado de suspeitas e agora transformado em alvo de políticos que sempre desprezaram o tema por seu grau de comprometimento com o poder público e as concessões. Percebeu-se o óbvio de que prisões temporárias, por períodos curtos, seriam insuficientes para que as investigações ganhassem densidade, razão pela qual o Ministério Público tentava, uma vez mais, transformar o ato em preventiva, o que encontra juízes mais cautelosos na concessão da medida pela força gravitacional de restrições do STF à facilidade das prisões prolongadas e da sua mais imediata consequência – a das delações premiadas. Havia uma tendência de enquadramento do atual diretor do DER, Paulo Luz, que era o diretor de operações, de Nelson Leal Júnior, que está preso. Dessa feita não está nada fácil o deslanche da operação.

Terceiro no sul
Embora celebrando mais um feito de sua economia na geração de empregos pelo Caged, o Paraná obteve a melhor marca desde 2014 em carteiras assinadas, nada menos de 11 mil do superavit nacional de 77 mil, mais um sinal de reação positiva do mercado. Figuramos em quarto lugar depois de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Todavia, no Brasil meridional em terceiro, o que faz lembrar a ideia-força do governo Paulo Pimentel, que pretendia fazer do nosso Estado, lá pelos anos sessenta do século passado, o segundo do país quando não se o consegue nem na porção meridional do Brasil.
Ainda ontem mostrávamos na PNAD contínua do IBGE que em média de renda por domicílio figuramos também em terceiro no sul. O que mostra, de forma claríssima, que a crise fiscal das unidades federativas atrapalha, mas nada tem a ver com o seu desempenho global, já que o Rio de Janeiro continua medalha de ouro na competição e o Rio Grande do Sul à nossa frente, ambos com a máquina estatal rigorosamente quebrada, e a nossa, bem abalada.

Baleia
Uma terceira baleia jubarte encalha nas praias do sul, duas no Paraná, a mais recente morta e de quatro metros, uma no litoral gaúcho.

Folclore
A sexta turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que a polícia pode dispensar o mandado de busca e apreensão num caso em que o cheiro forte de maconha a leve a invadir domicílio. A decisão não autoriza a polícia do país a fazer buscas sem mandado, porém num caso concreto de São Paulo o admitiu. Pode-se dizer, ressalvado o trocadilho, sempre uma velheira, um tanto quanto parnasiana, que o sensorial, às vezes, se confunde com o senso real. Fumacê é vestígio fortíssimo e dispensa farejadores especializados.

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