Sismógrafo pedagógico
Há muito tempo o Paraná dispensou, nas suas rotinas, o aparato de planejamento. Apenas sobrou o Ipardes como resíduo de um centro de excelência e que aparece para analisar o fluxo de indicadores macroeconômicos e dar a posição que a região nele ocupa, até por tradição meritória em função de constituir-se na quarta ou quinta unidade em renda interna. De qualquer modo, é referencial importante para fixar o nosso desempenho no conjunto da produção brasileira.

Uma das preocupações dominantes é se passamos os gaúchos outra vez ou continuamos atrás na condição de quinto lugar no ranking. Isso para nós tem o impacto que teve para Londrina a sua perda para Joinville em demografia, já que seria impensável colocar os dois sistemas de produção, especialmente o industrial, em desproporcional confronto, lembrando que a mítica Manchester catarinense é o maior núcleo produtivo do Estado vizinho, seguido por Itajaí, por seu complexo portuário, e em terceirão a capital Florianópolis.

A emulação Paraná-Rio Grande do Sul persiste e há muitos anos ameaçamos e até ultrapassamos a turma da bombacha. Por sinal que quando se fala na crise fiscal que quebrou a maioria das unidades federativas percebemos a distância entre o desempenho estatal e a realidade do conjunto da economia. Rio de Janeiro, a despeito de tudo, continua como a segunda potência, mesmo com a roubalheira e a frustração que se seguiu à euforia em cima do pré sal. E o Rio Grande do Sui, em que pese a quebra fiscal, se mantém em nossa frente.

Ocorre que há muito tempo surfamos no marketing estatal em cima de indicadores como se aquele feito coubesse ao governo. Ora, se o governo ajuda também atrapalha e os nossos principais pontos de estrangulamento incidem em áreas estatais na infraestrutura de estradas, trilhos, portos e aeroportos. Por exemplo ontem esta Folha, em função da PNAD contínua do IBGE, mostrou que em renda média por domicílios somos a última do sul: RGS com R$ 1.635, SC com R$ 1.597 e Paraná com R$ 1.472. A média brasileira é R$ 1.268, Distrito Federal (aí pesa a siderurgia dos poderes e a contingência de capital), com R$ 2.548, e o Maranhão, símbolo do subdesenvolvimento, com apenas R$ 597, um tremelique na tão discutida questão igualitária. O acesso aos números é uma forma adequada de reflexão, mas às vezes mais oculta do que revela.

Atitude exemplar
Estamos longe da postura norte-americana em relação à cobrança às deficiências estatais: não temos aquela pertinácia nos pedidos de indenização por padecimentos sofridos em função de falhas estaduais, municipais e federais. O sujeito cai numa cratera, sofre problemas de saúde e patrimoniais e não reclama.

Pois agora aquela família de Colombo que teve um dos seus membros assassinado e exposto por 14 horas na estrada por deficiência da frota do Instituto Médico-Legal entrou com ação judicial contra o Estado, num pleito de R$ 150 mil reais por membro, num total de R$ 450 mil. A injúria sofrida foi posta em destaque pelo próprio governador Beto Richa como inaceitável e o vídeo reverberando a ocorrência ilustra o processo bem como constrangedor e humilhante do velório em meio à chuva.
Se o povo fosse mais rigoroso nessas questões certamente as ações de Estado melhorariam.

Puxão de orelha
O Ministério Público estadual está puxando a orelha do prefeito Rafael Greca por não manter o diálogo com a população da Praça do Japão no debate em torno da operação que ali fará o ligeirão que operará em breve no corredor Norte-Sul da cidade, fundamental para a maior eficiência operacional do sistema com redução significativa do tempo, como já ocorre com o adotado entre o Boqueirão e a cidade. O MP pede que se restabeleça, antes que a obra fique consumada, o debate entre os moradores e a prefeitura.

Nessas pendências o prefeito às vezes se mostra intolerante, como se deu com o caso da terceirização dos serviços de saúde via Oscips e que Rafael Greca criticou abertamente a promotora que interveio como agora recentemente se referiu ironicamente a algumas senhoras que estavam à frente dos protestos da praça do Japão. Tanto no caso da saúde como nesse agora há tudo para que o interesse público prevaleça, mas não custa ouvir o chio dos que protestam, condição indispensável ao ordenamento democrático.

Uber
Com o pronunciamento da Câmara Federal depois que o Senado reduziu rigores da regulação dos aplicativos na mobilidade urbana, alcançando um ponto de equilíbrio, será indispensável que os municípios ajustem seus regulamentos às disposições legais ora dependentes da sanção presidencial. Normas como as de São Paulo e Curitiba deverão passar pelo ajuste, o que também implicará em novos debates. Como o município anda sedento de recursos, haverá, é claro, o empenho, por exemplo, para que cada operador o ISS.

Folclore
Mais uma do Gaeco: ao investigar um caso de tortura de jovem em Castro (e compartilhado, por incrível que pareça, nas redes sociais), o Ministério Público prendeu um policial militar que detinha farta munição de uso restrito. Essa de partilhar a curtição de uma tortura é um exemplo de tonteira e de sadomasoquismo que lembra em parte aqueles presos de Cornélio Procópio tirando sarro de celebração em banheira pela internet...

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