Segurança, remédio genérico
Começou bem o Ministério da Segurança num ato singelo com a troca do comando da Polícia Federal : o governo, especialmente Michel Temer, não suportava mais os gols contra de sua subserviência a pretexto de proteger o chefe tanto no episódio da mala de Rocha Loures, no qual não enxergava qualquer sinal de incriminação, como no outro mais grave de sugerir o arquivamento da investigação sobre o decreto dos portos. Provocou a ira dos delegados e das instituições que os representam e levou tanto o Ministério Público quanto o STF, este na pessoa do ministro Luis Roberto Barroso, a interpelá-lo.

Assim, o primeiro ato administrativo, de sentido profundamente político, do ministro Raul Jungmann quebrou a inércia que cercava o ambiente constrangedor, algo como tirar o bode da sala, em que pese o fato de persistir a sequência de choque entre grupos na PF que nunca deixou de existir e que era contido pela postura discretíssima do gestor Leandro Daiello, cujo número dois, Rogério Galloro, assume o posto de Fernando Segovia.

Se o ato inicial tem tanta significação, já não se pode olhar como boa perspectiva a intervenção, ainda que analisada caso a caso, levada a outros Estados, conquanto muitos deles tenham performance pior do que a do Rio em taxas de criminalidade. Em taxas de violência, assassínios por 100 mil habitantes, o Rio ocupa o 21º lugar, o que não justificaria a carga midiática imperante e que está no bojo do ato intervencionista.

Tanto a intervenção no Rio quanto a criação do Ministério mostram que um governo castrado, por sua incompetência e suspeitas de corrupção, não se retempera ao virar em castrense.

Pedágio, a nova Geni
Subitamente, como se despertando de um sono de décadas, deputados estaduais, quase sempre comprometidos na omissão, investem com fúria contra o pedágio, a nova Geni, aquela do Chico Buarque em quem jogavam bosta em lugar da pedra bíblica. Bancadas inteiras saíram, de rosto pintado e borduna à mão, para o ato depurador e se anos passados houvesse o "quorum" de anteontem nas duas CPIs as concessionárias estariam raladas.

Simplesmente os parlamentares se valeram da motivação da 48ª etapa da Lava Jato para surfarem na onda que antes a maioria esmagadora desprezava por preferir a cobertura oficiosa do governo. O único mérito de tudo isso (até porque é discutível a consistência das investigações) é a criação de um clima aberto, deflagrado pelo líder chapa branca, Romanelli, contra qualquer hipótese de prorrogação dos contratos, como Beto Richa e a Faep queriam. Para as investigações a prorrogação das prisões por cinco dias é precária a não ser que apareça algum fato novo que comprove a fraude no exame de atos de riqueza dos envolvidos.

IML, decadência
Segundo estudos técnicos da área em pesquisa aplicada, o Instituto Médico Legal do Paraná, que já foi um centro de excelência nacional, aparece como o 25º dentre 27 unidades, e como se fala muito nas novas instalações a categoria vai lançar em breve outdoors relatando tudo isso e mostrando a decadência. Por incrível que pareça, o IML já editou revista científica e teve nomes como os de Ernani Simas Alves e Arlindo Blume e especialmente do educador Guido Straube. .

Qual a prioridade
Já pintou um projeto na Câmara Municipal de Curitiba que estabelece como prioridade a nomeação de médicos na série anunciada de expansão de serviços pela secretaria de Saúde nos postinhos, hospitais e áreas de pronto atendimento. Ora, pra que lei se bastaria uma recomendação nesse sentido? Legisferância leva jeito de doença e até de epidemia. Pega e com muita facilidade. O pior é que não tem vacina ou remédio disponível na praça.

Voou ou não voou?
Afinal, o carro do ex-deputado Ribas Carli voou e caiu sobre aquele em que estavam os jovens vitimados, ou a colisão, como quer a defesa, teria sido lateral? Essa questão e mais a de que o carro acidentado é que teria infringido normas de trânsito basicamente foram as teses mais debatidas no júri, encerrado ontem. Outra discussão, essa mais doutrinária, foi em torno do dolo eventual, dolo preterintencional, já que a defesa tentava configurar o delito como culposo quando a tendência em casos similares é em sentido oposto.

O fator surpresa não entrou em cena, nem se clareou por que os radares nada registraram e muito menos a versão de que havia um "pega". Se dentro do tribunal as coisas chegaram a esquentar com bate-boca, lá fora havia a fila de uns vinte interessados em assistir à novela desde que obtivesse a esperada senha de quem estivesse saindo.

Mutirão
O Sebrae montou um mutirão para orientar micros e pequenas empresas na montagem das respectivas declarações do Imposto de Renda. Apesar de toda a proclamada assistência, a natimortalidade das empresas desse módulo segue elevadíssima. A ameaça assusta tanto quanto a prensa tributária.

Folclore
Saques nas assembleias estudantis sempre iluminaram os congressos da UPE. Num deles o orador estava tão arrebatado que ao ver um participante caminhando em sua direção perguntou se desejava um aparte. Resposta: "aparte, não, eu quero a porta". E saiu mansamente da ruidosa assembleia em direção à porta de saída sob aplausos e risos.

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