LUIZ GERALDO MAZZA
Metropolização dominante
Apesar da precariedade conceitual do que venha a ser uma região metropolitana, percebe-se, cada vez com mais nitidez, a perda de relevância do enfoque limitado ao localismo tanto na cidade polo, o centro, quanto na sua periferia. E as dificuldades para maior abrangência do sistema metropolitano fracassam trombadas de caráter como na ruptura da integração dos ônibus no choque entre Beto Richa e Gustavo Fruet, cujos remendos ainda não recriaram sequer o status quo anterior, apesar do esforço da Comec para recuperar o tempo perdido.
De outro lado perdemos, mais de uma vez, a chance de resolver a questão do lixo como uma solução metropolitana e aí pela postura dos empresários interessados na exploração que levaram a questão para o campo judicial. O consórcio da limpeza pública dançou e já não sabemos o que fazer diante dos lixões, distantes ainda de soluções mínimas como a dos aterros sanitários, e a limitação de funções como a onerosíssima da simples coleta sem qualquer sinal efetivo de industrialização.
Há ainda a prensa das regiões polarizadas em cima da capital como se vê no caso da saúde, seja na rede municipal ou ainda em áreas como a do Hospital de Clínicas (esse exercendo a atração supra local, trazendo além do interior gente de Santa Catarina e São Paulo) e unidades filantrópicas que atendem o Sistema Único de Saúde. O esforço que o sistema de Curitiba aplica é de tal ordem que há uma sobrecarga nos postinhos e núcleos de pronto atendimento e justifica os anúncios feitos ontem pela secretária de saúde de Curitiba, Marcia Huçulak, de expansão da assistência com a contratação de mais de 220 servidores entre 50 médicos, 31 enfermeiros, 139 técnicos em enfermagem e redistribuição de pessoal para evitar o que acontece com postos que contam com um só médico em coexistência com aqueles que detém seis profissionais.
Os gastos são crescentes, e já foram pagos da dívida acumulada R$ 70 milhões ao SUS, restando ainda um débito de R$ 20 milhões. Agradar na área com sistema razoável de prestação de serviços não é fácil, tanto que se multiplicam não só os casos de mau atendimento aos de aberto conflito entre pacientes e funcionários traduzido até em casos de agressão.
Atenção no centro esvazia a periferia e era preciso que a Comec se revelasse mais do que habilitada para as questões de mobilidade e tivesse condições de exercer melhor o seu papel de estratégia e logística na região. O que poderia gerar um modelo de ação aplicável a outras regiões metropolitanas. É um tanto inútil falar nisso num Estado que passou a ser leigo em matéria de planejamento, confiando que o marketing resolva tudo.
Menos jato
A impressão inicial da 48ª fase da Lava Jato é que não deslancha no ritmo tradicional. Há delatores importantes como Adis Assad, que fez uma radiografia do grupo CCR, que atua em vários Estados, que de março de 2009 até 2012 teria feito pagamentos a carias de suas empresas num total de R$ 46 milhões e parte do montante retornava a seus executivos, em dinheiro vivo. Nas declarações, Assad afirma ter atuado em São Paulo por indicação do diretor do Dersa, Paulo Vieira de Souza, no governo José Serra, relação enriquecida com o informe do Ministério Público da Suíça da conta de R$ 113 milhões, mais de dois Geddeis.
Investigação no Paraná em torno de Nelson Leal Júnior, diretor afastado do DER, levou o juiz Sergio Moro a pleitear o bloqueio de suas contas bancárias em até R$ 20 milhões, mas segundo o Banco Central havia apenas 798 reais em sua conta corrente. A movimentação financeira (aquisição de imóveis) e a situação fiscal permanecem sob monitoramento.
Melhora
Mais sinais regionais de melhora além da intenção de consumo das famílias detectada pela Fecomércio no item consumo de energia: depois de dois anos longos de retração impostos pelo quadro recessivo houve uma alta de 3,4% em 2017, apoiada especialmente, o que é outro sinal alentador, na produção industrial.
Combate
O líder do governo, deputado Luis Claudio Romanelli, voltou a enfocar a questão do pedágio na tese de que é preciso, de todos os meios, impedir a renovação dos contratos prestes a expirar e espera que a Justiça Federal, que por tantas vezes tomou posição contra os que questionavam os consórcios e respectivas tarifas derrotando demandas do governo, com o aprofundamento das investigações venha a fazer algo de substancial pela baixa dos preços e pela acusação contra o uso de propinas.
Privataria
O assessor chave de Bolsonaro na economia defende o máximo de privatizações (e se fizermos com a metade delas já seria um avanço), o que parece ser o refrão da moda visível na ideia de Michel Temer de fazê-lo de cara com a Eletrobras. Agora o tucanato embarcou na onda e o estafe de Geraldo Alckmin está querendo privatizar, por causa do acúmulo de corrupção ora revelado, a Caixa Econômica Federal.
Folclore
Pedro Lauro não conseguiu ser vereador de Curitiba, mas chegou a deputado federal e nessa condição pregou a anexação da Guiana ao Brasil. Das suas pregações a mais obstinada era pelos banheiros públicos. Costumava, para não pichar e agredir o meio ambiente, usar o meio fim para mensagens a giz. E explicava: como o povo anda cabisbaixo é o jeito de anunciar.





