Lava Jato sob risco?
Todo o capital de fé pública da Lava Jato balança nessa operação contra as consorciadas do pedágio: a linha de argumentação, pelo menos até aqui, não tem a densidade obtida no petrolão, e as contestações, apenas iniciais, dos possíveis implicados derrubam boa parte dos argumentos elencados. Um outro detalhe que pode prejudicá-la está na resistência dentro do próprio STF pelo emprego das prisões prolongadas, um dos alvos de Gilmar Mendes, e que foi o fundamento maior das delações premiadas que garantiram o fluxo judicial. Obter provas está mais difícil como se já não bastassem as especificidades técnicas, eivadas de complexidade, do tema.
Evidente, também, que o governo não foi muito enfático em sua defesa com o afastamento do diretor do DER e de um assessor da Casa Civil, que o governador, para distanciá-lo de sua área, o classificou como de "terceiro escalão", logo ele que deu a um auxiliar de gabinete apanhado em desvio de dinheiro da sogra fantasma o "primeiro escalão" para garantir-lhe o foro privilegiado e também a procrastinação do processo.
O fator que enrobustece nesse caso a Lava Jato é a novela de uma caixa preta em área sensível e marcada pelas sinuosidades que vão do corte linear de 50% da tarifa pra não perder a eleição de Jaime Lerner e que responde pelos degraus tarifários que até hoje perturbam custos de produção, a inutilidade das CPIs, fora as ameaças de novas e o festival de ridicularia do "baixa ou acaba" do solerte Requião, que acabou no entanto abrindo a praça da BR-476 para cobrança na Lapa, atendendo demanda do correligionário e prefeito Paulo Furiati.
Felizmente, o governo desistiu da prorrogação que vinha tentando com apoio de entidades como a Faep, mas encontrando tenaz resistência da parte da Fiep, que sabe o quanto custa aos seus representados esse ponto de estrangulamento da economia. Já estamos perto do fim desses contratos, que expiram em 2021 e que acionada a questão em meio a um ano eleitoral seria acumular mais desastre num assunto até aqui tão mal administrado e que só pode gerar mais desconfiança.
A perspectiva, porém, de botar sob investigação o sistema de concessão rodoviária (e alguns indicadores de enriquecimento dos agentes) é alguma coisa diante do nada que se obteve até agora ao longo do tempo e persistindo os gastos de bilhões num serviço de tradição pública entregue à iniciativa privada e super protegido das suspeições e, ainda por cima, mal gerido.

Romanelli preocupado
Preocupado com a possível paralisia das obras na BR-369, os 34 kms entre Jataizinho e Cornélio Procópio em função da arremetida da Lava Jato, o líder do governo, Luiz Claudio Romanelli, toma atitude construtiva ante o pedágio, diferente da molecagem que praticou na gestão Requião ao arremessar seu carro contra a barreira da cobrança da tarifa. Diz-se combatente do pedágio de primeira hora (e a causa deveria ser tão justa que não sofreu qualquer sanção pelo ato de black bloc praticado) e esperar que se houve desvios que haja punições.

Trânsito
O ingresso de 200 guardas municipais, treinados e habilitados ao papel de agentes de trânsito em Curitiba, é um reforço para botar ordem na circulação. Ao menos no requisito de fé pública estão mais habilitados juridicamente do que os agentes da Urbs, que eram designados por mera escala administrativa várias vezes questionada e enfrentada com a resposta dos luminares do Direito Público na condição de assemelhados aos concursados. O sofisma fez jurisprudência e evitou-se o caos que seria provocado pela anulação massiva das multas.

Redes sociais
Uma divulgação de maus tratos a cães em petshop do bairro Boa Vista, em Curitiba, quase viralizou na internet e levou a secretaria do meio ambiente municipal a investigar a denúncia. Imagens mostram o tratador dando tapas nos animais que podem constituir-se em cuidado para ajeitá-los aos tratos e vistos pelos leigos como agressão. De qualquer forma, o assunto merece a competente investigação. Curitiba elegeu duas vereadoras que amparam cães de rua.

Seletividade
Uma das críticas da esquerda especialmente se dirige para o caráter supostamente seletivo dos processos que protegeriam o tucanato paulista. É verdade que houve o caso Aécio Neves, afinal salvo pelo Senado, que negou a licença. Agora voltam às cargas, quase sempre seguidas de esquecimento, contra o caso dos trens e metrôs e também o do diretor da Dersa, Paulo de Souza, tido como operador da época de José Serra. Agora as denúncias vieram do Ministério Público da Suíça de conta de R$ 113 milhões em nome do gestor. A Procuradora Raquel Dodge determinou que a Procuradoria da República de São Paulo se ocupasse do caso. Souza, na época, havia declarado um patrimônio de R$ 2,8 milhões no Brasil. Delatores da Odebrecht afirmaram que o operador pleiteava e recebia recursos em propina.

Folclore
Com a ameaça de greve por parte de juízes federais caso seja pautada a discussão do auxílio-moradia, já marcada para março, deu para lembrar que aqui no Paraná, sob Requião, os magistrados fizeram a sua parede e com apoio oportunista da OAB regional. Enquanto o Tribunal de Justiça se isolou e permaneceu em atividade, o Tribunal de Alçada pediu nada mais nada menos do que o impedimento do governador, que obviamente morreu na Assembleia.

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