Horizonte turvo
Já não estava lá essas coisas a situação moral do Paraná, mas as prisões de ontem em todo o Estado e múltiplos mandados de busca e apreensão por parte da Lava Jato colocam em foco, outra vez, a questão do pedágio, até aqui tratada com desleixo inclusive nas intervenções legislativas em CPI ou no mambembe, montado por Roberto Requião, do "baixa ou acaba" perdido na bravataria. Há muito se esperava algo que devassasse o processo desde a sua instalação até os arremedos, como o do corte linear em 50% das tarifas por Lerner para não perder a eleição e que geraram, entre outras coisas, a terapia dos degraus de reajuste que até hoje nos são impostos.
Enfim, assunto dirigido à acomodação como regular, a despeito de todas as anomalias e, sobretudo, o absurdo das suas tarifas, e tido até como salvacionista e único indicador de presença do governo na questão viária. Apesar do impacto da notícia e da prisão de Nelson Leal, diretor do DER, setor submetido à administração de Pepe Richa, irmão mais velho do governador, como secretário da Infraestrutura de Transportes, o governo emitiu uma nota em que justifica apenas o afastamento do assessor da Casa Civil, Carlos Filisberto Nasser, cuja sala de trabalho foi alvo de busca e apreensão. Há diretores da concessionária Econorte presos e só com o andamento das investigações se terá o rumo do procedimento.
Há, pela vez primeira, um sinal de seriedade em torno de assunto aparentemente tão batido, mas nunca, em tempo algum, severamente investigado. O circo da CPI, como sempre foi de uma inutilidade gritante, e o gesto anárquico do líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli, jogando seu carro contra a barreira do pedágio sem qualquer punição, é bem a tradução de como a autoridade via o assunto, alvo de acrobacias lúdicas como essa.
A Lava Jato tem lidado com profissionais das artes do superfaturamento e propinodutos e tem obtido sucesso com as delações premiadas de estatais e empreiteiras. Espera-se que sustente sua imagem forte nessa empreitada que até aqui parece conduzir o Paraná a um desafio dos mais incomuns e capaz de tirar das sombras algo que nunca teve compromisso, em tempo algum, com a transparência.

Sinais
Para compensar novos sinais de melhora no mercado: a Fecomércio anuncia alta de 5,5% das vendas em janeiro. Na construção civil, forte empregadora, houve reação em São Paulo com alta superior a 40% na venda de pequenos apartamentos. No Paraná, mercado estável com tendência discreta de melhora.

Inútil
Segundo o sindicato dos vigilantes, a lei Romanelli, que visa dificultar roubo de caixas eletrônicos, não altera em nada o quadro de impotência da autoridade. O ganho até agora foi na redução dos ataques e não na prisão de quadrilhas. O maior drama é o das cidades menores, hoje alvo mais comum das gangues, que ficam como Guaraqueçaba, que agora perdeu a lotérica que atendia o município, cujos habitantes ficam obrigados a deslocar-se a Paranaguá três horas distante por rodovia e duas pelo mar para suas operações em banco. Tal situação se repete em várias cidades de menor porte com o fechamento da agência atacada. Como os municípios são de baixa expressão eleitoral ficam entregues à própria sorte.

Mau momento
O Paraná vive um mau momento: um dia depois da representação da Procuradoria Geral da República em cima do Chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, já enrolado na "Quadro Negro", a bomba da investigação do pedágio. O despertar dos governistas ontem era um cenário de puro sonambulismo com a 48ª etapa da Lava Jato. Anteontem estava para ser julgado no STJ procedimento do Paraná em torno de caso de desembargadores e conselheiros de Tribunais de Contas.

A definição
Mais uma estocada em cima do governo e certamente acelera a decisão de Richa quanto ao ficar no posto ou concorrer. Quando prefeito da cidade e brigou pela reeleição houve a campanha de decalques em automóveis do "Beto fica" com sentido impositivo. Uma campanha ao Senado salpicada de referenciais negativos – intimidade com indiciados, inclusive em vídeos – teria muitos riscos em que pese o apoio fortíssimo da base dos prefeitos. Já a garantia do foro privilegiado pesaria na sua permanência, caso as denúncias se tornassem mais graves. Essa circunstância mexe com o equilíbrio sucessório em relação a Cida Borghetti, que levaria alguma vantagem se assumisse o Palácio Iguaçu. Isso poderia levar Beto a outra linha de indecisão quanto ao candidato a apoiar ao governo. Ficaria postiça a posição de neutro, de magistrado.

Ameaça
Algumas associações de magistrados querem radicalizar e cogitam até de greve para sustentar o auxílio-moradia, mas, apesar das pressões, a ministra Carmen Lúcia marcou o julgamento de seis ações que tratam do tema, cinco delas sob relato de Luis Fux, que sustentou a decisão da liminar que o garantiu para todos, para o dia 22 de março.

Folclore
87% dos venezuelanos desfrutam de renda abaixo da linha da pobreza e 67% na pobreza extrema, segundo pesquisa. Está bem mais igual que a dos outros a partilha bolivariana. Não deixa de ser uma forma de socialismo.

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