Vulnerabilidade exposta
Quando Deltan Dallagnol fez a observação de que uma ação coletiva no Congresso e no interior do governo traria resultados mais rápidos do que as pretendidas nas favelas do Rio, onde haveria mais pobres e honestos, baseou-se, única e exclusivamente, no que há de mais vulnerável no país com as revelações da Lava Jato. Uma reação constrangida dos chefes daqueles poderes, Senado e Câmara, sugerindo até possível convocação do procurador, esboçou uma defesa, que não conta com mínimo apoio popular.

Uma observação irônica no mesmo sentido partiu do criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay: "O governo assume o fascismo com mandados coletivos. Quero ver uma busca e apreensão coletiva na Península dos Ministros".

Tivessem fundamento moral, tanto Câmara e Senado como o ministério de Michel Temer poderiam interpelar e processar os autores dessas frases, mas como fazê-lo se a maioria da classe política é referida nas investigações, inclusive o principal deles, o presidente da República, como também os chefes da Câmara e Senado em referências bem menos contundentes? O caso da deputada Cristiane Brasil na novela de sua assunção na pasta do Trabalho é expressivo demais para mostrar a fragilidade moral do governo, aí sim algo como a tal metástase referida por Temer no avanço da criminalidade no Rio. Uma prerrogativa mínima como a de nomear um ministro é brecada tranquilamente pelo Judiciário com extrema facilidade, quando poderia transformar-se em impacto institucional da maior gravidade. O seu fundamento – a moralidade, que arguida nem precisa justificação.

E agora no atropelo da reforma previdenciária tenta-se compensá-la não apenas com o ato de força da intervenção no Rio de Janeiro, mas ainda com um pacote de iniciativas econômicas, muitas delas em tramitação, e provoca a reação dos presidentes da Câmara e Senado, que se recusam a serem pautados por um Executivo atônito. Não é apenas o Rio de Janeiro que se encontra em estado de anomia, mas toda expressão do poder.

A prisão
Esforços finais foram adotados pela defesa de Lula no caso do tríplex (no qual já foi condenado a 12 anos e um mês de prisão pelo TRF4) no embargo de declaração no registro de 39 omissões e 16 contradições no julgamento, e como admitem que os desembargadores não atendam todos os aspectos do recurso, cuidarão de nova prensa. Dificilmente a análise se fará antes de março e um setor do lulopetismo já leva como certa a ordem de prisão e com a sua transformação em ato político radical, confiando aí na reação popular, até agora meio frouxa. Enquanto isso o ex-ministro Sepúlveda Pertence, incorporado à defesa, vale-se do seu livre trânsito no STF e no qual terá contactos com vários ministros na leitura de memoriais e no esforço, enfim, para tornar mais distante a hipótese da prisão.

Haja oligarquia
Uma das maiores deformações da República, além do patrimonialismo mas também a ele vinculado, é a oligarquia visível no fato que de 1982 para cá tivemos em destaque as famílias Dias (Alvaro e Osmar, novamente em ação), Richa (José e os filhos, Beto e Pepe), Requião (Roberto, o filho, irmãos Eduardo e Maurício) e agora Cida Borghetti, o marido Ricardo Barros e a filha Maria Victória. Com a proximidade dos prazos de desincompatibilização deu para perceber que pelo menos sete secretários tiram o time para disputar mandato e pelo menos até ontem Beto Richa não tinha definido se fica ou se sai, todavia se houver um esforço para eleger familiares, opta pela candidatura ao Senado.

Houve um tempo em que olhávamos para as oligarquias nordestinas como algo distante da nossa realidade quando, na verdade, desde o mais remoto passado, as tivemos com famílias como as Camargo e Munhoz da Rocha. Ney Braga, que era um beneficiário dessa contingência por sua ligação com os Munhoz da Rocha, quando governador, nomeou apenas um irmão na Fundepar, como Bento levou o filho, Caetano, para o seu gabinete. Hoje a partilha é bem mais extensa. E as leis antinepotismo, como aquela do Tadeu Veneri, bateram na trave.

Interdição
A justiça está pegando no pé do governo na questão das carceragens superlotadas: na cadeia do Alto Maracanã não se permite um só novo preso nas próximas 24 horas e a Segurança tem 12 meses de prazo para reformar as instalações do presídio. A prensa é pedagógica porque a técnica oficial é empurrar tudo com a barriga.

O melhor
Dizendo-se mais habilitado do que os candidatos a governador já colocados, o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, exercitou a hipótese da sua postulação em meio a uma defesa diante de acusações do Ministério Público em obra quando presidia a Assembleia e do caso "Quadro Negro". Botou a giz bem forte no quadro negro seu nome à consideração do eleitorado. Ele é um dos cinco secretários que pulam fora.

Folclore
Não era bem um caso de terrorismo, mas a polícia acabou identificando e prendendo o autor dos lançamentos de bomba Molotov contra a TV Bandeirantes e a Rádio 98 da RPC. Nossa vocação não parece nada boa na especialidade.

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