LUIZ GERALDO MAZZA
Intervenção, a saída?
Se há algo inevitável na decretada intervenção no Rio de Janeiro (levemente antecipada desde a criação da polícia pacificadora com a presença de Exército, Marinha, Aeronáutica) será a saída de Michel Temer da obscuridade acentuada pela derrota já prevista do seu projeto mais ambicioso, o da reforma previdenciária. Não estivesse o Rio em estado de anomia pelo nível de corrupção dos seus dirigentes e a narcoguerrilha dando as cartas, haveria de certo setores liberais que se levantariam contra a medida radical, algumas vezes tentada no passado e que sempre contou com a resistência. No pródromo da 1964, forças do janguismo o tentaram contra o governo de Carlos Lacerda.
Como a todos esses feitos se alinharam os decorrentes do flagelo das enchentes, revelando a impotência da autoridade para reorganizar-se, tenta-se substituir o caos implantado por um novo ordenamento que se consolidará com o Ministério da Segurança, uma das aspirações da bancada da bala.
Os testes até aqui no Rio de Janeiro no choque com o crime organizado mostraram que a guerra de movimentos não encontra resposta adequada, sob o ponto de vista de tática e estratégia, pela inexperiência dos nossos soldados, e dá para imaginar o trauma nacional que se seguirá à hipótese de perdas em combate. Evidentemente, todos esses fatores foram levados em conta e mais uma vez colocamos em jogo a força moral dos nossos militares, que sempre tiveram um papel moderador nas crises institucionais. Ocorre que no Rio, mais do que em São Paulo, mesmo depois do massacre do Carandiru que gerou o PCC, há o mesmo tipo de guerra urbana da observada no México e na Colômbia.
De qualquer forma, a resposta foi dada porque a primeira questão essencial a colocar é a do princípio da autoridade, cada vez mais subjugado no processo brasileiro ao da liberdade e do espontaneísmo que esgarça o tecido institucional, o parto da anarquia.
Petrobras reage
Disposta a não ser manipulada politicamente, a Petrobras inscreveu em seu estatuto que será indenizada no caso das intervenções danosas do governo, como as vividas no lulopetismo na concessão de subsídios aos combustíveis ou com investimentos de interesse público. Afirma-se que entre 2011 e 2014 a diferença de valores e projetos deficitários teria levado a uma perda de 90 bilhões só na área do refino, ao lado dos investimentos superfaturados da Lava Jato. A sustentação de preços baixos de combustíveis, a pretexto de conter a inflação, é um desses motivos para o esforço de blindagem. É, sobretudo, uma ação defensiva dos acionistas contra os abusos políticos da hipertrofia administrativa apropriada à política das estatais em nome da condição de maior acionista conferida ao Estado.
Mesmo no plano regional, há exemplos no caso da Copel de abusos políticos como aquele decorrente da participação induzida em licitação de estradas, setor estranho às competências da empresa e adotada por decisão do governo Requião. Isso também visível em situações como a do governo Lerner, em que um agente ocupava ao mesmo tempo a secretaria da Fazenda e a presidência da estatal, que se mostraria vulnerável no caso Olvepar.
Guerra postal
Ao lado da pressão das classes conservadoras (industriais, comerciais e agropecuárias) em mensagens aos parlamentares pela reforma da previdência, ganham relevância a dos servidores da Receita Federal (mais de 100 auditores de todas as unidades federativas) em sentido oposto. Uma conflagração postal.
Esperança
Para fomentar o emprego não há melhor caminho do que o de apostar na construção civil, mas as dificuldades esbarram no financiamento da atividade ante as indefinições, mormente em bancos especializados como a Caixa Econômica Federal. Em 2017, o número de pessoas empregadas no setor caiu em 5%, um descarte de 125 mil vagas em relação a 2016, quando a retração teria chegado a abismais 14%. No Brasil o estoque de mão de obra no setor em 2017 era de 2 milhões e 370 mil pessoas, quando em 2014 estava em 3 milhões e 390 mil.
O simples aumento do consumo, que se observa no Brasil, dá sinais de melhora no mercado, mas insuficiente para um deslanche estrutural que só se consolidaria com a retomada da atividade em setores básicos como o da construção. Um dos problemas está, às vezes, na maturação longa dos projetos, como os havidos em Curitiba na Garagem Moderna e Parque Alvorada, na frente do Passeio Público e que levaram mais de oito anos para a conclusão.
Campeão na pior
Foi vendendo balas nas ruas que Emerson Olímpio, campeão mundial de muai-tai, conseguiu recursos para viajar e consagrar-se com o que acabou ganhando o apelido de Bruce Lee, nome de guerra como atleta. Agora há uma campanha em Curitiba para ajudá-lo inclusive com shows para arrecadar recursos no Largo da Ordem.
Folclore
Mais um verso propaganda do Emílio de Menezes consagrando o remédio Bromil contra doenças do peito. No poema "Um milagre" eis os tercetos finais: "Pode afirmar, por toda a eternidade,//aos mil que sofrem e aos descrentes mil,// que isso que aí vai é a essência da verdade:// De horrível tosse que me poz febril,// Dei cabo, usando apenas a metade// De um milagroso frasco de Bromil"//.





