Fúria penal
Estamos num ciclo punitivo e não são poucas as vozes contrárias a essa condicionante, é claro, descontadas as comprometidas pelo interesse como advogados de defesa dos acusados. Algo como um juízo de valor parece tudo orquestrar como se a sociedade estivesse despertando de uma letargia e ao detectar a corrupção ou qualquer outro tipo de delito precisa essa compensação que em nada assegura a baixa de sua incidência. É que aí se reafirma o conceito em criminalística de que a
simples intimidação não abranda o crime e razão pela qual a pena capital se mostra insuficiente para preveni-lo. Temos o caso do promotor do Distrito Federal que pede 387 anos de prisão ao ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, e aqui mesmo no Paraná a sentença de primeiro grau superior a 90 anos ao auditor Marcio Albuquerque Lima (aquele companheiro de Beto Richa em aventuras automobilísticas), tido como comandante de fiscais achacadores da operação "Publicano" do Gaeco em Londrina. Sergio Cabral, ex-governador fluminense, acumula em quatro condenações 87 anos de prisão e responde a mais 13 procedimentos. Até em situações corriqueiras se nota essa exacerbação como no caso em Curitiba da mãe que para corrigir a filha simulava um quadro de abandono da menor, ameaçando deixá-la na rua, sabidamente um destempero condenável que não ampararia a proteção à criança com extremos como o da perda da guarda. Questões de família têm tal complexidade que exigem dose máxima de cautela no esforço pararecompor a unidade do grupo.
Possivelmente as penas da Lava-Jato se revelam mais duras do que as do mensalão, tanto que naquele processo a admissão dos embargos infringentes baixou – e significativamente - as sentenças fixadas. Como uma das cláusulas pétreas da criminalística no Brasil fica em 30 anos, o máximo de encarceramento capta-se um impulso para a exacerbação penal que permeia todos os julgamentos, fazendo-se presente inclusive na hora de o magistrado recorrer à dosimetria como aquela que aplicou 12 anos e um mês no ex-presidente Lula na sincronia dos desembargadores do TRF da 4ª região e que pode ser mais elevada na sentença final do sítio de Atibaia. Ainda que a sanha punitiva se justifique no longo culto, através do tempo, da impunidade não é aceitável que se cobre em cada sentença o passado de omissão, o que não pegaria bem para o sentido essencial do direito na busca da equidade.

Defesa
A defesa de Lula sugeriu uma nova perícia por suspeita de fraude em investigações da Lava Jato não acatada por Sergio Moro.

Melhora
A experiência acumulada em campanhas educativas e fiscalização endurecida dão resultado como se viu agora no feriadão de carnaval nas estradas: nove mortos contra vinte em 2017. O registro de alta velocidade (até 192 kms horários) aparece dentre os 7.270 multados.

Estacionamento
Voltam a falar em estacionamento no subsolo, agora nas imediações da Rodoferroviária. Já se pensou em modelo igual no centro da cidade, em passado distante, na Santos Andrade, para atender demanda cultural universitária e o complexo do Teatro Guaíra. Esse de agora visaria fôlego não apenas para o transporte como também as compras no Mercado Municipal.

Só no STF
A polêmica posse de Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho, segundo a ministra Carmen Lúcia, sua presidente, será julgada no STF, isso depois de cassar anteontem a liminar do STJ que a autorizara. Agrava-se o problema para o governo, que insiste na prerrogativa da nomeação, mantendo o caso em suspenso. Preocupado em não constranger o PTB e botar em risco os votos pela reforma previdenciária, fica bem claro que Cristiane não terá sequer o benefício da segunda época.

Sinais bons
Enquanto o governo estadual celebrava, depois uma série negativa desde 2014, um superavit de 12.127 carteiras de trabalho assinadas (o que é significativo como saída da recessão), em 2017 também a Fecomércio registrava depois de dois anos de recuo (-8,7% em 2015, -3% em 2016) um ganho pequeno, mas surpreendente, no ano passado de 0,54% no registro das vendas. Ganhos milimétricos tem relevância quando se pega uma crise crônica.

Agora vai?
Rafael Greca, ao negar apoio à Oficina de Música no ano passado sob o argumento de que havia fila nas unidades de saúde (que teimosamente persistem e com ataques de pacientes contra médicos), comanda agora o Festival de Teatro como se tudo estivesse numa boa após o garrote vil do ajuste fiscal. É a 27ª edição, a partir de 27 de março a 8 de abril, e na qual se discutirá um tema candente: a censura em espetáculos de arte.

Folclore
Um quadro de Van Gogh, "A arlesiana", era a peça dominante de uma exposição na Biblioteca Pública de acervo do Museu de Arte de São Paulo. Uma burguesa conversava com o marido se Van Gogh era nome ou apelido. Fernando Pessoa, jornalista pernambucano, interveio para dizer que se tratava de Kirk Douglas que o interpretou em filme, aquele tempo em cartaz.

mockup