LUIZ GERALDO MAZZA
Pela mata atlântica
Cerca de 20 Ongs vão fazer marcação cerrada contra a paralela viária em direção a Pontal do Sul que dará ao Paraná, novamente no governo Richa, a condição de Estado com a maior perda nacional da mata atlântica. Emails farão essa guerrilha de informação, ao lado, é claro, de possível ingresso na justiça pelo caráter predatório da iniciativa. O governo atua num ritmo incomum nas providências administrativas, nomeações inclusive de pessoal técnico para evitar qualquer acidente de percurso, dado o caráter beligerante que a administração estadual concedeu ao projeto como se ele tivesse uma característica salvacionista. Ganha até pelo açodamento nele empenhado uma linha de desespero que não é a marca e o estilo de uma administração sabidamente sem obras e amarrada em perplexidades burocráticas.
Surpreende que a Promotoria especializada em questões ambientais, normalmente ativa, não tenha submetido ao rigor de suas análises a questão que foi aprovada sem dificuldade no Conselho do Litoral, sob forte pressão política.
Lenta e gradual
Já foi bem pior a distância salarial entre homem e mulher, mas persiste elevada numa distância de 25,6% aqui no Paraná, ainda que bem inferior à média nacional. A redução tem sido lenta e gradual, mas não deixa de haver um sinal forte de preconceito, apesar de elas estarem por ora figurando entre executivas de bancos e multinacionais. Em áreas de salários alinhados como na de jornalistas elas competem em condições iguais, inclusive em funções de comando e se destacam, sobretudo, no magistério, inclusive na operação sindical, como se vê na APP em renovação de lideranças. Por sinal que aí não há desnível como de resto não prevalece igualmente no terceiro grau nas universidades estaduais, mesmo no caso mais agudo na habilitação reitorial.
Pressão total
Governadores e prefeitos vão ser chamados à ordem para se engajarem na luta pela reforma da previdência. Os dois níveis de governo estão encalacrados na questão, por sua própria sobrevivência, e são pressionados para uma ação decisiva na Câmara Federal em cima dos deputados. Ocorre que se não houver reforma a quebra dessas unidades será fatal e o caso do Rio de Janeiro é referido emblematicamente.
O convencimento de que só mudando as regras atuais cidades e unidades federativas terão fôlego para investir, gerar empregos e crescer nos próximos anos é empregado com energia para obter adesão e em princípio a reforma entra em pauta no dia 20. Segundo Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal, se o texto não for votado em fevereiro ficará para 2.019.
Cena momesca
Nada mais carnavalesco do que o ocorrido em Matinhos semana passada: estava marcada sessão na Câmara Municipal, na sexta feira, para apreciar o processo de impeachment do prefeito Ruy Hauer e o fato não se deu porque em Curitiba roubaram a documentação do processo de uma caminhonete. Estava tudo pronto para a sessão das 16 horas quando se tomou conhecimento no rocambolesco episódio.
Venezuela
A inflação na Venezuela atinge anualmente 4.000% e seus dramas ficam expostos como o fato de mais de 70% das suas crianças estarem com a saúde comprometida, conforme relato da Organização dos Estados Americanos. Desde a morte de Hugo Chávez, em 2013, o País teve um empobrecimento de 37% e percebe-se agora a fragilidade do Brasil como ator internacional ao limitar-se às providências visando organizar o êxodo, redistribuindo os flagelados pelo país, e não exercendo um papel mais concreto.
Rotina
Houve mudança na rotina da Segurança com mais de uma dezena de mortes de suspeitos em confronto com as forças policiais, mas uma deficiência persiste nas fugas de presídios como as ocorridas em nas superlotadas distritais de Ibiporã e Ibaiti. De positivo a rapidez com que encontraram dois suspeitos dos tiros na jovem Isabele Cristiane Santos na praia de Ipanema, Pontal do Paraná.
Pedaladas
Há as pedaladas da Dilma Rousseff que ajudaram em parte a derrubá-la, há essa nossa de traço previdenciário de Beto Richa apossando-se de R$ 1 bilhão anuais do fundo de pensão estadual para reduzir encargos do tesouro e há essa nova do governo Michel Temer, usando o BNDES para conter o endividamento e driblar o respeito à regra de ouro que impede que despesas com folha de pagamento de servidores e benefícios da Previdência Social sejam atendidas por essa via. É que a regra de ouro proíbe fundamentalmente o endividamento para pagar despesas de custeio. E isso já vinha ocorrendo desde o ano passado quando o Tesouro Nacional valeu-se de empréstimos para custear despesas com seguro-desemprego, salários e aposentadorias de militares.
Folclore
Trocadilhista é tão afrontado com o pistoleiro de faroeste. Emílio de Menezes estava numa loja de granéis e um desafiante ao vê-lo saúdo-o com "É milho!" ao que o poeta o segurou e com a sentença "não se evada" (cevada´) e abraçando-o o sentou na cadeira seguido da expressão "sente-io (centeio). Os trocadilhistas não eram, como se vê, farinha do mesmo saco





