LUIZ GERALDO MAZZA
Revisão complicada
Admite-se como possível que o STF estabeleça limites para o auxílio-moradia reconhecendo as deformações do instituto e acolhendo em parte a carga de críticas desferidas. Não vai, porém, ser nada fácil uma proposta harmonizadora em torno de em que condições especialíssimas ele vigorará. Ficou nítido que a medida transbordada visou suprir carência salarial, daí seu alcance extensivo e consagrado da liminar do ministro Fux. O sociológico jeitinho brasileiro prevaleceu, o que não assenta bem no supostamente austero cenário da instância maior da justiça.
Se uma das soluções for assentada na restrição ao benefício a juiz que trabalha fora de sua cidade, o que tenderia a ajustar-se ao conceito histórico da matéria, haverá chio da maioria, que nesse caso já mostrou agir com a desenvoltura sindical como se viu na abertura do Ano Judiciário, quando a massa da magistratura foi lá para garantir a intangibilidade de direitos e postar-se radical e abertamente contra a reforma da previdência.
A limitação pretendida viria em março no exame da liminar do ministro Luiz Fux e estabelecer determinadas condições para ter acesso ao benefício, das quais uma delas é dar prioridade a quem trabalha fora de sua cidade. E isso vai acontecer em março como pretende a presidente do STF, ministra Carmen Lúcia, que avisou as entidades de juízes e procuradores do seu propósito em meio a uma carga incomum, quase uma campanha, que atinge a essência do Poder Judiciário.
Privacidade
O fervor da cobertura política mostra que nem sempre é preciso a delação premiada para que se saiba das coisas como se deu agora com a empresa de Luciano Huck e Angélica, que comprou um avião com crédito do BNDES. O empréstimo foi de R$ 17,7 milhões a juros de 3% ao ano e subsidiado pelo Tesouro. Como há estímulos para que o apresentador se candidate acaba como alvo de críticas do gênero. Por exemplo, Geraldo Alckmin anda aborrecido com possível mexida na história dos trens e metrôs, que o atingiria, e escapar do tiroteio é impossível.
Richa no STJ
O caso da "Quadro Negro" já é da área do STF e agora, como se não bastasse, o Ministério Público Federal quer ver examinada a questão da operação "Publicano", cujo delator (o único até agora sem salário de todos os mais de 50 indiciados) se referiu à drenagem de recursos achacados de empresários para o caixa da campanha da reeleição. O governo se defende desqualificando o acusador pelo fato de estar envolvido não apenas nas falcatruas de fiscais da receita mas também em crimes sexuais contra menores. Ora, até agora não houve nenhum caso de delator como exemplo de caráter: o cidadão simplesmente negocia seu espaço de liberdade com as dimensões de sua denúncia. Não fosse isso a Lava-Jato não teria saído da inércia.
Beto Richa é referido da mesma forma na Quadro Negro pelo dono da "Valor". Essas questões integram também os motivos da dúvida em torno de sair ou não candidato ao Senado. Para eleger os demais membros da família, o irmão mais velho e o filho, o ideal seria um esforço agregado que haverá também com Ricardo Barros em favor da Cida Borghetti, sua esposa, e da filha Maria Victória e dele próprio para deputado federal.
Menos corporativa
Delegados da Polícia Federal se mostram inconformados com a precipitada intervenção de Fernando Segovia na investigação do decreto que beneficiou operadores portuários ao sugerir que o delegado do caso, Cleyber Lopes, tinha cometido erros. Como se trata da segunda vez em que sai na defesa do governo (a primeira foi a do caso da mala de Rocha Loures) é bem pressionado por entidades classistas ao mesmo tempo em que recebeu críticas do ministro Luis Roberto Barroso, relator do inquérito no STF, a quem será obrigado a dar explicações.
Pressão
A morte de um passageiro por bandidos que atuam nas linhas de transporte coletivo deve implicar em nova pressão do Sindimoc e com ameaça de reprisar greves no setor enquanto persistir a falta de segurança. O clima é de tal ordem que uma greve dessas, que diz respeito à segurança pessoal, tem melhor aceitação do que os embates salariais. Notadamente os que atuam em linhas noturnas e periféricas se mostram mais sensíveis à mobilização.
Mais mortes
Além do caso de Londrina há várias vítimas em Curitiba de assassinatos de motoristas de aplicativos. Como eles são majoritários nos serviços de transporte e se percebem tão vulneráveis, já há movimentação na categoria por mais pressão nas autoridades estaduais e municipais.
Folclore
Atribuindo a erros de digitação as distorções do valor do IPTU e falta de cobrança da taxa de lixo em seu condomínio, o prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, contesta as ações do Ministério Público, que apura indícios de improbidade. Pelo jeito, não estamos mais num ciclo e sim numa era apropriada às devassas. O exagero é dos fatos e circunstâncias, não da ação do MP, que atua para não ser tido como prevaricador, que não lhe assentaria bem.





