Rumo ao tédio
Curitiba vai ser o último ponto da caravana de Lula, que repetirá o que fez em outros pontos do país e já se especula, entre seus adversários que não são poucos, caracterizá-la como legião de bandoleiros e condenados na justiça. Embora no sul o lulopetismo tenha seus prosélitos com as lideranças de Olívio Dutra e Tarso Genro entre os gaúchos é uma das áreas geográficas de maior rejeição, como se viu inclusive em eleições presidenciais. No Paraná, na melhor fase do PT, se conseguia no máximo o registro de 80 mil militantes.

No momento, porém, a estratégia é consumir espaços disponíveis no Judiciário a partir dos embargos declaratórios e de ações como a desencadeada por Sepúlveda Pertence no seu contacto com o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF. A suposta rebelião popular, imaginada como resposta imediata à condenação de Lula, e que acabou não havendo tem tudo para repetir-se na hipótese da prisão em que pese a dimensão messiânica do réu: a tal falange militarizada de Stédile não saiu dos bivaques.

Em tudo um sinal de desesperança e de passividade, nada bons para o país. A ordem para estilhaçar os pixulecos, os bonecos de Lula como presidiário, pode também não ter as esperadas respostas como até agora não se intensificaram as defesas internacionais esperadas de vários pontos do mundo. Mas se a posição de lulistas não é boa percebe-se também que a dos seus adversários não sai da inércia. Acontecimentos, enfim, com tal dimensão, não parecem suficientes para dinamizar o cenário. É por isso também que as celebrações em torno de sinais de virada na economia não mexem com o tal do deus da moda, o mercado. Tanto que janeiro teve a menor taxa de inflação desde 1994 com a marca de 0,29% (acumulado de um ano é de 2,86%), o que não afasta os temores com as quedas na Bolsa ,revelando os humores do mercado internacional.

Acomodação
Outra expressão clara de acomodação e conformismo está na lei contra os abusos de telemarketing: em nove anos apenas três mil se cadastraram na Capital. Há leis que colam e as que não pegam e no país inteiro os abusos persistem. Os órgãos de defesa do consumidor-usuário vem cumprindo a sua parte, porém o nível de adesão do público é ainda baixo.

Cartelização
Já se levou ao Cade, Conselho Administrativo e de Defesa Econômica, se temos ou não cartel no sistema de transporte coletivo da cidade, pendência não respondida. O sistema de ônibus local, intermunicipal ou interestadual é de oligopólio, melhor do que o monopólio testado na CMTC , Companhia Municipal de Transportes Coletivos, de São Paulo. Ocorre que o diferente porte dos que o integram transformam as empresas menores em ´´laranjas´´ das grandes quando dos atrasos de salários e adiantamentos que levam a greves e ao exercício do poder de pressão em favor do cartel como se deu historicamente aqui com o alegado desequilíbrio financeiro das empresas, sustentado pelo Judiciário.

Agora a discussão é se no alinhamento de preços de combustíveis e derivados há ou nãoum processo de cartelização, questão suscitada pelo ministro Moreira Franco. O Cade vai fazer a avaliação . No Paraná o nivelamento de preços foi considerado em Londrina cartel o que jamais se deu em Curitiba.

Juri marcado
O novelesco processo criminal contra o ex deputado Ribas Carli, autor da morte de dois jovens em acidente de trânsito, vai ter seu final com a decisão recente do Tribunal de Justiça fixando a data do júri popular. Quase nove anos de espera.

Praça e calçadão
Dá-se em Curitiba com a Praça do Japão quase o mesmo ocorrido com o calçadão: a entrada em operação do ligeirão obrigaria o contorno da área pelo ônibus com o que não concordam os moradores que pedem a intervenção do Ministério Público e audiências da comunidade face ao impacto urbano-ambiental. No caso do calçadão havia resistência do comércio da rua XV que temia perder o cliente de porta em porta nos bares, confeitarias e lojas. O calçadão provou que a preocupação era equivocada. Já há um abaixo assinado com duas mil assinaturas que os proponentes pretendem elevar a mais de vinte mil no Batel.

Esquentou
Pega fogo o clima político em Londrina com as suspeitas levantadas pelo Gepatria (Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa) do Ministério Público Estadual em torno do IPTU do prefeito Marcelo Belinati que estaria com valor venal abaixo do mercado. O prefeito deu as suas explicações em coletiva ontem à tarde, mas a Câmara Municipal se antecipou e em ofício ao MP pediu cópia do procedimento. Vivemos um ciclo novo, inegavelmente, no qual o tom punitivo é dominante, o que nem sempre assegura um juízo equilibrado das coisas.

Folclore
Mais quadrinhas do Emílio de Menezes encomendadas pela Brahma como essa de 11 de abril, data da morte do romancista Joaquim Manoel de Macedo: "Nesta data morreu nosso Macedo,// Autor do "Moço Loiro" e "Moreninha".//Quando o releio penso assim em segredo:// Um chope loiro e um copo da Negrinha.//

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