LUIZ GERALDO MAZZA -Os espaços nacionais
Por mais de uma vez, a derradeira na convenção do PMDB, o atual governador tentou a presidência da República. Perdeu as duas, a primeira para Quércia, que abominava em campanhas radicais e hoje afaga, e a segunda ao tentar a tese da candidatura própria à presidência no partido.
Mesmo que passasse nas duas ocasiões como chefe de um Exército Brancaleone ou uma espécie de Dom Quixote firmou posição, ganhou respeito no grupo rebelde e minoritário da agremiação e é hoje um interlocutor nacional não apenas no esforço para derrubar o grupo dirigente como ainda para fustigá-lo na eleição da presidência do Senado. Eis algo que Lerner não fez, distanciado do agir político e com aquele ar de permanente náusea como personagem do cineasta (e também como ele arquiteto) Antonioni.
Obviamente Lerner detinha potencial mais do que qualquer outro na recente história do Paraná para esse papel nacional. Pródigo no governo, também dissipou esse patrimônio pessoal com esquivas injustificáveis. Requião está obstinado em fazer pontes para facilitar as ações do governo Lula, enquanto detrata a cúpula do PMDB, a quem qualifica de argentária e de à procura de espaços, como se em política esse tipo de atuação não fosse a regra.
Acumulando a pasta da Segurança, enquanto tenta recompor o governo, ainda se empenha nesse projeto. A segunda acumulação é válida e normal.
BIZARRICE A audiência mais demorada até agora no Palácio foi mais do que isso, pois, pela duração, lembrava uma conferência: tratou-se da concedida pelo governador ao seu secretário de Segurança. No solilóquio há muita reflexão.
AXIOMA Precatórios devidos pelo Estado somam mais de R$ 7 bi (desses mais de R$ 4 bi para a CR Almeida) o que praticamente cobre a receita estadual de um ano. Por isso Heron Arzúa afirma ser ''impagável''. Disse quase o mesmo que o John K. Galbraith sobre a dívida externa brasileira há uma década. Que, apesar do peso do declarante, resultou em nada.
GLOSA Será que cabe um Big Brother Brasil no Aterro Sanitário da Caximba?
EPIGRAMA Especialistas em cenários futuros da Polícia Civil e da Militar estão prevendo maior número de homicídios com o desencadeamento da operação ''Mãos Limpas'' por queima de arquivo como houve na passagem por aqui da CPI federal.
VINHETA Cresce o número de assaltos, fora os legais como pedágio, IPTU, IPVA.
FOLCLORE Brizola costumava usar expressões gauchescas para definir situações como a de Lerner ao armar a sua saída do PDT ''está costeando o alambrado''. No momento tem muita gente nesse tipo de operação para ligar-se ao governo. Talvez essa seja a razão da insistência de Requião em remover as cercas que delimitam o Centro Cívico. Afinal todos se obrigam a costear o alambrado.
CROMO Aves e arco-íris de vários tamanhos transitam nas cataratas.
AFORÍSTICO Se FHC tentasse as reformas, incluindo a da Previdência, no seu primeiro mandato, quando estava de ibope elevado, teria por certo mais possibilidade de êxito. É o que Lula tenta fazer e com a vantagem de não ter o PT pegando no pé e fungando na nuca numa oposição intolerante como aconteceu.
SCAPS Se a regra para afastar a prefeita em exercício de Rio Branco do Sul (a nomeação de parentes) fosse aplicada no Governo do Paraná, Requião estava fora. E poucos governadores escapariam no Brasil.
OPS Aliás, no Brasil, mesmo quando isso é feito entre parênteses, nomeia-se, de preferência, os parentes. É clássica a lição de Aníbal Khury sistematicamente contra concursos públicos porque neles só passavam ''japoneses e comunistas''.





