LUIZ GERALDO MAZZA - Olha o bumerangue
A compreensível revolta da população contra a impunidade está criando, como já disse, um clima de ''justiçamento'', de linchamento no país. Isso se funda num princípio de indignação, mas pode, também, tornar-se uma arma fora de qualquer controle e fomentando ainda mais a violência. Estamos agora próximos ao júri do caso Zanella, o estudante assassinado pela polícia e que tentou criar um flagrante de tráfico de droga para eximir-se da responsabilidade. Não fosse a mãe do rapaz, Elizabetha, dificilmente se chegaria aos culpados, tal o seu empenho para desmascarar a farsa.
É evidente que há gradações de responsabilidade entre os que executaram o crime e aqueles que lhe deram cobertura na base da ''ética'' da corporação. Apesar da distância no tempo do fato criminoso a opinião pública está muito ligada no episódio e emocionalmente envolvida e a instituição do júri, até por seu apego ao operístico e melodramático, está capacitada para decidir sem deixar envolver-se até porque o mais amplo espaço de defesa já foi concedido e ainda o será no andamento do julgamento e na sequência.
A confiança nas instituições é fundamental num momento em que a ira toma conta de tudo e o anseio punitivo se sobrepõe e por vezes acaba estabelecendo a norma do pré-julgamento. Dá para lembrar aqui da forma como a maioria da população inculpou, via meios de comunicação, os ''anões do Orçamento'' e depois ficou demonstrado que o presidente da Câmara Federal, Ibsen Pinheiro, nos processos subsequentes, não tinha qualquer culpa. Ocorre que Ibsen tinha sido muito duro no caso Collor e em tudo se percebia um clima de bumerangue, aquele aparato australiano que retorna ao ponto de origem.
Aliás, se havia facilidade para aquele tipo de manobra orçamentária será que os dirigentes anteriores não teriam também seguido o ''caminho das pedras''? É o que se pode dar, por exemplo, com investigações em profundidade sobre a tal lavagem do dinheiro das agências do Banestado e Banco del Paraná e pegar figuras de governo que hoje se postam na acusação. Pedagógico, sem dúvida.
BIZARRICE Moralismo dá em casos como o de Haroldo Leon Perez, que foi obrigado a renunciar porque supostamente apanhado, talvez até induzido, num esquema de propina. Ou do governo gaúcho com aquele consulado do jogo-do- bicho a servir de suprimento de recursos para o PT, via uma fundação criada para esse fim.
AXIOMA ''Haja moralidade ou locupletemo-nos todos.'' Barão de Itararé. Essa figura eu conheci num ônibus de jornalistas, no Rio, em direção a Friburgo. Com seus cabelos enormes, com jeitão de guru, ao ver o veículo superlotado, bradou: ''O Divino Mestre já dizia: sentai-vos uns aos outros''. Eu, o Silvio Back e o João Féder, da delegação paranaense, o identificamos pelo saque.
GLOSA Num bairro da capital a água da torneira de um jardim parou de jorrar. Chamada a Sanepar, verificou-se que havia entupimento por pedaços de chinelos e ao usuário só houve o recurso da piada: ''Se em água tratada passa um pedaço de hawaiana resta agora verificar se é das legítimas''.
FOLCLORE Muito interessante a nova logomarca do governo, que é uma bandeira estilizada com cinco estrelas. Segundo Cícero Catani, não se trata de referência ou reverência ao penta, mas aos cinco Requião a postos no governo.
CROMO Erótica: se você se lubrifica, lúbrico fico.
AFORÍSTICO Agora o Lula preocupado com 21 mil processos de indenização de vítimas de 64. Como tenho dito, se fossem tantos os heróis jamais teríamos perdido a batalha (também fui afetado pelo Ato Institucional). Aliás, esta Folha e o Canal 12 (Milanez e Cunha Pereira) me tiraram da quarentena a que condenavam os jornalistas ''subversivos''.
OPS No Paraná, na imprensa, sempre houve mais subvenção do que subversão. Como vai faltar de repente, pode haver subversão por falta de subvenção.
SCAPS Peruas, em regime para não engordar, são pioneiras do Fome Zero. Indutoras da anorexia.





