LUIZ GERALDO MAZZA - O medo em primeiro lugar
Por incrível que pareça uma pesquisa nacional sobre o medo da população deu a Curitiba o primeiríssimo lugar, batendo a paranóia do Rio, São Paulo, Minas. É um complicador a mais, a manter-se tal situação, para as eleições municipais de 2004, já que a segurança é assunto de responsabilidade estadual.
Curitiba é tida como um modelo não apenas de inovações marquetológicas como as de caráter urbano e essa liderança deveria fazer desse tema, daqui para a frente, a prioridade incontestável do governo Requião. Não se trata do medo do amanhã até porque a Capital desfruta de uma liderança, por três anos seguidos, como área mais apropriada a investimentos, conforme a revista Exame. Cuida-se do medo de hoje da rapidez com que a escala da violência cresce por aqui.
A taxa de violência (várias modalidades de crime do roubo, lesão corporal, sequestro e homicídio) cresceu cerca de 30% em relação a 2002 no quadrimestre. Nos três primeiros meses tivemos 44 homicídios ano passado e nesse 57. Não há como fechar os olhos para a realidade: em roubo a estatística do trimestre sobe de 2.662 para 3.439.
Requião acredita na força desse fator para a ação política e tanto que nunca escondeu seu apego a armas e até a participações em blitze. Não vai acabar a tal da banda podre tão cedo por melhores que sejam os instrumentos. Se aqueles que ele considera comprometidos se encontram bloqueados não há como atribuir-lhes participação no descontrole geral. Dois dos principais operadores dos desmanches Caboclinho e Mandelli estão fora de combate, um preso e outro foragido e a roubalheira de carros segue numa escalada intolerável. Nomear um titular para a Segurança é necessidade inadiável que o governador reconhece.
Para transformar a violência em favor do seu grupo, indispendável reverter o quadro. Se permanecer, os méritos de Cassio Taniguchi ações sociais e o padrão do sistema de transporte, da coleta do lixo ganharão maior destaque e ajudarão a decidir as eleições.
BIZARRICE O Estado está de tal forma desmoralizado que Lula quer uma ONG para tratar do Fome Zero. Uma ONG gerada no ventre oficial, que loucura.
AXIOMA A fome pantagruélica da burocracia ameaçava o Fome Zero.
GLOSA Lula ''endireitou'' tanto que o Fome Zero foi privatizado. De repente esse governo acaba enquadrando o Pedro Malan como esquerdista radical.
EPIGRAMA A Loteria, já está demonstrado, ajuda mais na ''lavagem de dinheiro'' do que os bingos. Urge cercá-la e desmontar seus equipamentos.
FOLCLORE Numa entrevista ao semanário ''Hora H'', o delegado Adauto conta que ao assumir a Anti-Tóxicos, dos 36 servidores, 35 foram dispensados porque estavam ligados ao narcotráfico. Qual seria a proporção no geral da polícia?
CROMO Um ''furo'' na natureza: estão floridos os ipês rosa e roxo.
AFORÍSTICO Fingir-se ou ser de esquerda no governo Lula perdeu o sentido. Rumo decente acaba sendo o da oposição para salvar a democracia e o contraditório.





