O governo Requião entrou no quinto mês. A seu favor as isenções e reduções tributárias que podem aquecer a economia, a ''dura'' em cima do dirigente da Renault pleiteando maior nível de ''nacionalização'' e contestando os números da montadora, sabidamente manipulados, e as rupturas (nem todas, é claro) de contratos. O passivo não é pequeno: as candentes demagogias do leite, água e energia gratuitos para os pobres até hoje não foram implementadas; a guerra contra o pedágio se dá bem ao gosto populista de rebeldes oficiais (animador de tensões D.A.S tal) e não no âmbito das negociações administrativas e judiciais; a pior de todas, porém, é a do zero absoluto na área de segurança, jamais deteriorada como agora e sem qualquer sinal de recuo da abominada ''banda podre'' e hoje com o desgaste da imagem do Adauto, até então um dos paradigmas da categoria e ora denunciado como acobertador de diárias falsas.
Se o caso da Sanepar, a rigor mantido na mesma, teve o mérito de acuar acionistas privados, e os demais (informática, Copel, propaganda) o de mexerem em áreas tabu, há a lamentar, até pela escassez notória de quadros, ausência de programas, visão de planejamento, a não ser por exceção nos estudos do Ipardes e da área de desenvolvimento urbano, decorrentes de uma cultura permanente e que independe do chefe de plantão.
A safra, convenhamos, é inferior à semeadura; o resultado, até aqui pelo menos, bem abaixo da expectativa criada. Pode melhorar e isso é possível.
BIZARRICE - Que tal fazer uma CPI para apreciar as próprias CPIs? Por que a CPI da Copel-Sercomtel foi montada num dia e desmontada no outro? Alguém ganhou, mas quem perdeu foi o povo, mais uma vez ludibriado.
AXIOMA - Outra investigação poderia ser feita: quantos e quais deputados fizeram empréstimos irregulares no Banestado e saíram pela tangente? Da legislatura atual há alguns daquele tempo.
GLOSA - Dizia-se que pombas gigantes comiam os resíduos de soja do Porto de Paranaguá. Hoje a pomba é apenas o símbolo da paz, aquele do Picasso.
EPIGRAMA - Havia um jornal ''A Cidade'', de Joni Varisco e Mano Preisnner, ambos de Cascavel, que esboçava linha independente e que fechou. Era governista com Lerner e teve pouco tempo de oposição. Se virar chapa-branca, sob nova direção, não surpreenderá. É o fadário comum da área.
FOLCLORE - Segundo um velho cronista de futebol há poucas coisas tão parecidas com a seleção brasileira como o governo paranaense: não inova e nem cria.
CROMO - A Rosana em Foz do Iguaçu: uma flor entre arcos-íris que coriscam no turbilhão das águas.
AFORÍSTICO - Setor mais omisso do governo é aquele que Requião acumula. Se o faz para inibir a violência já perdeu a guerra.

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