LUIZ GERALDO MAZZA - Mídia e afetividade
Às vezes, ironicamente, a efetividade da mídia (o seu alcance, receptividade e credibilidade) vale menos do que a afetividade, critério subjetivo e de alto risco mas presente, historicamente, em nossos hábitos culturais. Algumas vezes o sistema foi checado: no governo Haroldo Leon Perez, em que a ração levava os meios de comunicação à anorexia, e no seu sucessor, o estadista Parigot de Souza que também deu continuidade à secura, o que levou um dos jornais, que pretendia interpretar o conjunto, a desejar, em manchete, que o governador, minado pelo câncer, morresse o mais breve possível.
No livro ''Terra Vermelha'', de Domingos Pellegrini, em que ficcionaliza eventos reais, ele se refere a uma reação ocorrida com um governo não muito disposto a prestar a vassalagem habitual à mídia. Isso, de certa forma, ocorreu com o também estadista (poucos são os que assim podem ser classificados) José Hosken de Novaes que completou o mandato, o segundo, de Ney Braga. Humilde, indisposto à vaidade, lembro daquela figura a carregar, à noite, compras do supermercado, depois de dispensar o motorista.
Ninguém é tão ignorante para acreditar na possibilidade de um sistema que reduza ao mínimo razões de ordem subjetiva, aí entrando o que pode presumir corrupção e também gestos largos de amizade. Revistas e jornais que claramente não circulam, rádios sem audiência, levantando fortunas e num momento de crise só podem justificar suspeitas de compadrio da pior espécie.
É claro que há as ordens de cima quase sempre de um ser imponderável, mais seguido do que o próprio Deus, muito referido e escassamente cultuado que tornam complicado fixar com precisão responsabilidades. Se nos basearmos nas declarações do fac-totum de Lerner, Guaraci Andrade, tudo o que foi feito na área seria de total responsabilidade dos secretários de Cila Schulmann passando por Lechinski e chegando a Deonilson Roldo. Obviamente não é bem assim. Não é crível que Lechinski soubesse que toda a derrama de quase R$ 500 milhões fosse de sua exclusiva responsabilidade e da sua antecessora na prima gestão, aquela de safanagens como a dos Jogos da Safadeza e outras tantas.
BIZARRICE Para quem gastava mais de R$ 100 milhões ao ano, primeira gestão, Lerner até que foi econômico em 2002 ao despender R$ 54 milhões.
AXIOMA São Paulo gasta muito menos do que o Paraná em propaganda oficial e só isso revela a prodigalidade da terra em favor de minorias e sem qualquer ganho em dimensão nacional, que deveria ser o objetivo maior do investimento.
GLOSA Rochefoucould prelecionou: ''a hipocrisia é uma homenagem que o vício presta à virtude''. Há muito disso nessa estória da propaganda oficial. E pelo jeito pega de todos os lados.
FOLCLORE Primeiro jornal do Paraná, ''O Dezenove de Dezembro'', nasceu no dia da mentira, 1º de abril de 1854, e publicava atos oficiais. Olha o DNA!





