Saiu no Diário Oficial da União um decreto de 1º do corrente, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, instituindo um grupo de trabalho de caráter interministerial para avaliar, dentro de 45 dias, e apresentar propostas para modificar a legislação que trata das atividades relacionadas à exploração dos jogos de bingo. Comporão o grupo representantes da Casa Civil que o coordenará; do Ministério da Fazenda; do Ministério da Justiça; e Ministério do Esporte.
Já anteriormente um ato presidencial tratou do direito de municípios fazerem a cobrança de ISSQN, Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza, no caso específico do bingo e dos concursos de previsão. Como se vê na União não se enxerga o bingo como fonte de lavagem de dinheiro até porque ela sabe que nesse aspecto ninguém bate a Loteria.
Como o governador pretende impor que a soja transgênica não chegue ao Paraná e com isso fazendo com que uma medida provisória presidencial tenha apenas validade parcial no território brasileiro é possível que tente por outros meios impedir a volta do bingo que aliás só não funciona aqui. E também tem outro conflito com o governo federal por não concordar (e não deixa de ter uma parcela de razão) com a desverticalização da Copel. A propósito seu crítico mais constante, o empresário-enxadrista Guilhobel Camargo, que sustentou ação popular para evitar a venda da empresa até o dia do leilão, sugere algo bem ao gosto da turma do PMDB requianista: a ''socialização'' da Copel pela venda de ações aos trabalhadores, usando o FGTS, como se fez com a Petrobras e o Banco do Brasil. Com o valor das ações em queda hoje não daria bom negócio.
TRIUNFALISMO Há uma linha comum entre os governos paranaenses: a de apostar no triunfalismo. Nisso todos são iguais: Moisés Lupion, Munhoz da Rocha, Ney Braga, Canet Júnior, Paulo Pimentel (Paraná, segundo estado do Brasil), Alvaro Dias e Roberto Requião (Paraná, o Brasil que dá certo) e Lerner. Pimentel insistia nessa de segundo do Brasil quando éramos, proporcionalmente, ainda mais se cruzados dados sociais e econômicos, o terceiro no sul.
Com a publicação do Atlas da ONU relativamente ao Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, que cruza dados sociais com os econômicos, melhoramos de posição em 2000 ao sairmos do 7º para o 6º lugar. Distrito Federal (também a maior renda per capita do País, a melhor taxa de escolaridade) sai em primeiro e seguem Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro.
O pior é que no ''econômico'' a nossa posição é melhor do que no ''social'', o preferido tema do discurso populista e calhorda sem efeito prático. Vejam a própria Curitiba tida como ''Capital Social'' aparece em 16º em IDH, embora em terceiro entre as capitais, perdendo pra Floripa e Porto Alegre. É preciso equilibrar esse discurso e atribuir-lhe racionalidade. Como a mídia tende a ganhar liberdade por imposição de sobrevivência espera-se que se ligue à causa da informação correta, crítica, embora sem negar a auto-estima.

mockup