"Os avanços do governo favorecem o arcabouço simbólico na perspectiva do mercado e reescrevem a pantomima de que permanecemos entre a Casa Grande e a Senzala"



Ganhou o FMI e o povo?

Até agora as medidas do governo interino foram positivas no interesse do mercado, como se viu nas reações do Fundo Monetário Internacional em torno das pretensões e dos nomes até aqui cogitados a partir do principal deles, Henrique Meirelles, na Fazenda e de soluções como a do executivo Pedro Parente na Petrobras. Não criou um só fato político junto à massa em termos positivos já que ao contrário se espera justamente uma escalada de restrições no campo social, como se não bastasse a mancada do nosso ministro da Saúde com relação ao atendimento universal pelo Sistema Único de Saúde.
Enquanto isso, a resistência se acirra em acampamentos permanentes como o do Iphan na Capital, nas manifestações de rua e nas redes sociais e a própria presidente afastada, do seu bunker, dá entrevistas à mídia internacional. De outro lado, em função de ameaças ao velho e imbatível entulho trabalhista e previdenciário, centrais sindicais se fundem e com o propósito de superar, em efetivo, a CUT, braço sindical do lulopetismo,
Como se vê, os avanços do governo favorecem o arcabouço simbólico na perspectiva do mercado, consequentemente da elite, e reescrevem a pantomima volta e meia repetida de que permanecemos entre a Casa Grande e a Senzala, metáfora volta e meia referida por Mino Carta, como se essa linha de frente do petismo, a dos que estão na cadeia ou ladeando o alambrado para nela ingressar, fossem expressão do proletariado sofredor e explorado ou mesmo do lúmpen. Parece que não é exatamente da vocação e do estilo dos que assumiram o governo cortejar as massas, o que não seria um mal no caso brasileiro, tantas as nossas concessões populistas, e isso pode, nessa altura do campeonato, gerar um vácuo, cuja densidade psicossocial não deve ser, em hipótese alguma, subestimada. O impeachment ganhou visivelmente a batalha das ruas em escalada numérica daqueles que a ele se opunham, porém até aqui não houve colher de chá para as massas e no campo simbólico, arma sempre bem operada por Lula, os campos que restaram, gerados pelo maniqueísmo primário, favorecem os atuais perdedores, que com isso acumulam energia para uma virada, sabidamente não impossível.

Cuidado com o andor

O sucesso da UFC em Curitiba e em escala internacional levou muita gente a um estágio próximo da apoteose mental. Já se fala até nos ganhos que teríamos com um jogo da NBA na Arena da Baixada. Da mesma forma, as supostas respostas turísticas em termos de lotação média de hotéis, de gastos superdimensionados pelos visitantes, bem como da sua disposição de voltar à capital paranaense, parecem uma resposta também exagerada ao fracasso daqueles quatro jogos da Copa do Mundo que, juntos, não atingiram os resultados de agora.
Obviamente, o terceiro maior público mundial do UFC credencia o Atlético Paranaense a fazer agora uma venda de sua marca que não seja infeliz e precária como aquela da Kyocera e o coloque como referência para exploração intensiva do estádio de múltiplo uso, o que afinal se dá com o Maracanã e o Morumbi, por exemplo. O ilusionismo das expectativas criadas pelos políticos e secretários municipais e estaduais em torno da Copa do Mundo foram de uma irresponsabilidade abissal, um oba oba sem fundamento, típico do ufanismo oficial que leva a lugar algum, algo com jeitinho de picaretagem.
Há necessidade de formação de quadros para esse tipo de ação e que sejam precedidos de pesquisas motivacionais porque de repente um jogo de rúgbi ou de beisebol, que não caia no gosto público, não traz resultados equivalentes como poderiam ser obtidos com o Cirque de Soleil, por exemplo, ou a Ópera de Pequim. Urge estudar e explorar bem o filão. Vantagem locacional incontestável é, sem dúvida, o teto retrátil, sonho antigo do Corinthians e ausente da sua excepcional arena.

Um pouco de bola

No mundo das representações simbólicas, o futebol é uma das expressões mais claras daquilo tão mal conceituado jurídica e constitucionalmente: a democracia direta, hoje assentada na abertura do texto da Carta de 1988. Um time vai mal, como se deu recentemente com os nossos Coritiba e Londrina, e pronto: o associado se retrai, não paga mensalidades e lá se vai o equilíbrio financeiro. Caso do Coritiba é dos mais graves: depois de liderar com distância a pontuação dos campeonatos de 2015 e 2016 perde as duas finais, a primeira para o Operário de Ponta Grossa e a segunda para o seu maior rival, o Atlético, de 5 a 0 por duas vezes, na soma 10 a 0, isso sem levar em conta que nos últimos anos escapou da segunda divisão nas rodadas derradeiras do campeonato nacional. Na hora de apontar culpados sobra para o técnico e o dirigente, símbolo do presidencialismo brasileiro, continua no poder ainda que acumulando uma série de papelões.

Folclore

Carregando no didatismo, o mestre de Português se referiu ao cacófato (som desagradável) como o pum sem odor da linguagem.

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