É bom para a democracia que haja bate-chapa na Fiep, ainda que o ideal seria que o governo estadual se mantivesse neutro. Aliás, uma das condicionantes das entidades representativas tem sido a da servidão ao oficialismo. Daí, até em consequência disso, o festival de euforia quando um governo assume ou mesmo um secretário: a impressão que fica é de uma simetria entre poder estatal e a iniciativa privada como se essa dependesse mais daquele do que o contrário.
O irônico é que se diz que vivemos sob o neoliberalismo, quando essa relação de clientelas chega a ser aberrante e até debochada.
Entidades como a Associação Comercial do Paraná em raras ocasiões exercem uma postura crítica: mais do que a Fiep, ela se colocou abertamente contra o leilão da Copel. Embora afinizada ao exagero com o lernerismo, hoje mudou sua rotina. No passado recente tivemos os casos de Oscar Schrappe e de Carlos Alberto de Oliveira, o primeiro no segundo governo Lupion e o segundo durante as gestões do PMDB, a partir de Richa, na qual descobriu sete comunistas como secretários.
Carvalhinho, de quem não se pode reduzir os exageros porque é o seu estilo, é uma figura nacional e isso se torna inegável na forma como age, às vezes até lembrando um ''bicão'', mas agindo com uma dinâmica assustadora. Não foi um crítico do processo de industrialização de Lerner quando poderia encaixar as reivindicações de setores sob ameaça e defender participação maior de grupos paranaenses, independentemente da sua dimensão, no processo. Mas quem o fez? Mostramos na Rádio CBN e aqui neste jornal as deformações daquele projeto que concentrava a tal malha produtiva no eixo Curitiba-Ponta Grossa, seu traço desnacionalizante e portanto ''desregionalizante'' (a absorção da Refripar pela Electrolux como antes se dera com Móveis Cimo e no plano comercial com a Hermes Macedo, maior loja de departamentos da América Latina) e o fato de priorizar capital intensivo e tecnologia e não a geração de empregos.
O bate chapa é saudável. Ficaria desagradável, porém, que o desequilíbrio da disputa se desse pela opinião do governo, ainda que as teses de Rocha Loures sejam corretas no concernente ao apoio ao médio e pequeno empreendimento como prioridade aos grandes, normalmente transnacionais.
BIZARRICE Quem estava eufórico, ontem, era o prefeito Élcio Berti, aquele de Bocaiúva do Sul, com a promessa do governo em Cerro Azul de asfaltar a BR-476 em um ano. Nessa rodovia já há pedágio programado entre Araucária e Lapa.
AXIOMA Se tudo funcionar, a BR-476 fica pronta antes do Ovniporto.
GLOSA Em ''Mulheres Apaixonadas'' amantes lembram políticos: trocam de mulher e vice versa como a turma o faz com os partidos.
EPIGRAMA ''O Estado sou eu.'' A frase é de Luiz XIV, mas ainda há seguidores.
FOLCLORE ''Depois de mim, o dilúvio'' também é um culto muito comum.

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