Quando Lerner assumiu o governo estadual, depois de Requião, não moveu uma palha para atingir o antecessor, aliás repetindo o que se dera na Prefeitura da Capital em situação oposta. Requião sucedeu Lerner e não o incomodou. Só as apurações do governo transitório de Mário Pereira, vice de Requião, é que ficaram como o caso das ''diárias frias'' e assim mesmo tocadas de leve.
Os antecedentes nas relações entre os dois não eram negativos, embora a fúria com que a oposição tentava desfigurar os feitos de Lerner como urbanista e com uma certa dose de razão porque havia excesso de ''marketing''. O recalque não é pequeno e ainda anteontem vimos a performance de Curitiba como a Capital de melhor nível de satisfação com os serviços públicos, segundo a Fundação Getúlio Vargas.
Dentre os negativos está a segurança, responsabilidade da administração estadual. O curioso é que Vitória, Espírito Santo, capital de um dos maiores centros do crime organizado no País, saiu em primeiro lugar.
CONFLITOS Quando Requião era governador tentou impedir a integração do sistema de transportes coletivos na Região Metropolitana. Perdeu a batalha, mas não a guerra, já que restabeleceu um novo confronto na área, recusando-se a acatar a tarifa de R$ 1,70 sob o fundamento de que a Comec precisa ver as planilhas. Uma mesquinharia que está levando municípios da Região Metropolitana ao desespero porque com a recusa dos R$ 0,20 a Urbs determinou uma redução de 10% nas frotas para não quebrar as empresas.
Não é a primeira vez que o transporte coletivo de Curitiba se transforma em fator de beligerância entre a Prefeitura e o Palácio Iguaçu. Quando Ney Braga era prefeito e Lupion governador, este chegou a baixar um decreto, totalmente inconstitucional, passando o sistema à gerência da fiscalização do transporte rodoviário estadual. Foi preciso a Justiça intervir como se deu também quando Requião buscou bloquear a integração na Região Metropolitana.
OUTROS FOCOS O primeiro foco dessa emulação negativa (quando o correto deveria ser num processo construtivo para ver quem é mais eficiente) foi a questão das cercas do Centro Cívico que Requião mandou remover, mas teve o bom e mínimo senso de devolver o material ao seu proprietário, a prefeitura. Teremos, em breve, a questão do Aterro Sanitário, diante do esgotamento do existente na Caximba, que pode, se persistir o clima, em novo ponto de desentendimento e de exploração para fins políticos. A obsessão, aliás compreensível, do PMDB é recuperar a prefeitura da Capital e para tanto se vale dessas sortidas, do histórico do Caixa 2 de Taniguchi e da demolição de Lerner. Porque temem que o homem se candidate a prefeito e detone a oposição. Por causa disso sofremos.

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