LUIZ GERALDO MAZZA - A suavidade do palavrão
Ruth Bolognese, desde ontem, deixou de escrever sua coluna em ''O Estado do Paraná''. Vítima de bala perdida, provavelmente do governo, como já ocorrera com o Pedro Ribeiro. Somos de uma profissão em extinção e quanto mais nos esforçarmos para sair da bitola estreita do conformismo mais riscos corremos. Outro dia o governador chamou a revista ''Época'' de ''canalha'' porque divulgou reações do mercado financeiro sobre as mexidas no pacto acionário da Sanepar. Que qualificativo caberia agora para dirigir ao autor e/ou autores desse vandalismo contra a inteligência exercida com elegância?
Lembro do gênio alemão, aquele que quase todos que estão no poder seguem, sem citá-lo, Joseph Goebels, e que doutrinou ''cada vez que me falam em cultura, sinto ganas de puxar o revólver''.
Da mesma maneira que o nosso governador se achou com o direito de usar uma frase forte, uma ofensa, para defender-se do que considera uma agressão a seus pontos de vista também os jornalistas se julgam em condições de valer-se de um palavrão para descomprimir-se e projetar o seu inconformismo diante do autor e/ou autores dessa baixaria. Fascistas!
BIZARRICE - O governo não tem recursos para botar professores na sala de aula e isso não se dá apenas nas universidades. Agora decidiu vetar o pagamento retroativo do Plano de Cargos e Salários dos professores e anunciou que o reajuste só sairá daqui a 45 dias. Se o governo não previu a situação que agora está criando é porque se mostra tão desarticulado quanto o federal.
AXIOMA - Produtores do Paraná calculam perdas de R$ 1,5 bilhão com a venda de soja com deságio (por deficiência) em Paranaguá. O prejuízo do deságio é bem maior do que o do pedágio, mas esse é o combatido, o outro esquecido.
GLOSA - Monstruoso mesmo seria a clonagem de políticos. Só em imaginá-lo isso já provoca pesadelos dignos de um filme do Zé do Caixão.
EPIGRAMA - Deputados da base governista e da oposição estariam dispostos à derrubada do veto do governador ao Plano de Cargos e Salários dos professores. Se o rejeitarem, o governador pode sustentar, de acordo com especialistas em Direito Constitucional, a sua posição na Justiça, já que só o Executivo é que tem a iniciativa em matéria de despesas. Mais um conflito e todos sabem que isso alimenta o estilo do governador.
FOLCLORE - No Brasil todos marcham: prefeitos, como se viu ontem, bingueiros, sem-terra, agricultores familiares, servidores públicos, aposentados, enfim a mais absoluta diversidade de representação. Os lobistas furam a fila e não precisam marchar. Enquanto marcham, o governo persiste catatônico, não se sabe se fingindo ou vivendo mesmo essa situação de estátua e paralisia.
VINHETA - Um governo supostamente de esquerda como o do PT na dependência de Antonio Carlos Magalhães e especialmente do José Sarney. Nada mais parecido com uma opereta bufa do que o exercício político no Brasil. De outro lado o ar revoltado do PSDB que no poder aprontou a mesma coisa.
CROMO - O balê do beija-flor sob ameaça da vespa cassumunga, o destino alado no peso e feiúra de um e na destreza do outro.
AFORÍSTICO - Não há genealogia que resista ao populismo da sífilis.
CONSOLO - Quem esperou tantos anos pelo Plano do magistério pode aguentar por mais 45 dias. Ou a moratória matou a esperança?
NEGÓCIO - A Consilux que aplica os pardais em Curitiba paga R$ 7 por unidade à Copel, que promete desativá-los, e ganha R$ 670 mil mensais.





