O vereador André Passos, do PT, ingressou com ação popular na Justiça contra institucionais da Prefeitura de Curitiba, aqueles que mostram a diferença entre o ''fazer'' e o falar, esta uma característica de monopólio mais do governo estadual do que do federal. Ao fazê-lo, na condição de um dos mais atuantes membros da oposição, assumiu a carapuça de que a logomaquia, o destempero verbal e o imobilismo caracterizam justamente o seu grupo.
Se a Justiça começar a julgar subjetividades do gênero e apoiar ações de censura chegaremos em algo bem parecido com a ordem de valores do regime militar ainda que praticada por civis. Ocorre que não vemos um horizonte claro para a oposição municipal ou a situação estadual e federal em termos de fazer algo de concreto. O contexto é altamente negativo, pela absoluta ausência de recursos, e a mera doutrinação, na base de discursos apologéticos em favor dos excluídos (sem-terra, sem-teto e especialmente a maioria dos sem-tato), vai acabar cansando, com fadiga do material, estresse, seguida, obviamente, de um forte sentimento de impotência.
E pelo jeito até as eleições, como esses dez meses de amostragem o indicam, haverá muito pouco a contabilizar em termos de ''fazer'' e a inócua e monocórdia peroração sem fim, as intenções verbalizadas e nada de concreto.
Aliás nada há de novo nesse exercício de ''marketing'': nos anos 60, no governo Ney Braga, houve a eleição para prefeito de Curitiba e tinha-se como certo que o postulante do PTB, Carlos Alberto Moro, orador primoroso, levaria enorme vantagem sobre o desajeitado, formal e introvertido Ivo Arzua que era extremamente técnico e sem molejo de cintura. O publicitário Arnaldo Del Monte, da Associados Propaganda, bolou o teaser ''Mais ação e menos conversa'' o que teve um efeito muito parecido com essa reação do dedicado vereador André Passos ao assumir a carapuça de que faz parte do agrupamento que só discursa. Ivo Arzua venceu o pleito com folga e não deveu isso ao ''slogan'' porreta e sim à articulação política de lideranças como as de Ney Braga, Paulo Pimentel e tantos outros. Do descontrole se chega à ânsia da censura subjetiva bem parecida com a do enquadramento que sofremos no regime militar e que encontrava seu fundamento na Lei de Segurança Nacional.
MIGRAÇÃO Dos 72.216 empregos gerados no Paraná 65.413 (janeiro a agosto) foram no interior, apesar da alaúsa das montadoras e congêneres. Na Grande Curitiba apenas 6.803 vagas. Resumindo: 300 empregos por dia no interior, apenas 28 na metrópole. Se houvesse planejamento no governo, ele enxergaria que mudar o fluxo migratório é indispensável. Inclusive para os migrantes.
ADEPOL Governo, deputados e secretários todos mobilizados na eleição dos delegados de polícia. Se cuidassem da segurança com tanto empenho não teríamos a escalada da delinquência que enfrentamos. Amanhã governistas se reúnem em Cascavel e Londrina com delegados em favor da chapa oposicionista. Houve autoritarismo dos dois lados: governo e Adepol impediram a montagem da chapa alternativa do Zavataro. A democracia é assassinada diariamente. Por todos.
DELÍRIO O novo presidente da Fiep, Rocha Loures, acha que a economia regional pode crescer a 8% ao ano, dobrar o desempenho atual. O estímulo para isso é ainda uma incógnita, pelo menos não está visível. Além do mais, dependemos do arranque da situação brasileira, também.

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