A disposição dos presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), de alterar as regras regimentais para acelerar a apreciação de propostas no Legislativo não garante a votação da reforma da Previdência ainda este ano nem livra o governo de um processo lento e desgastante no segundo turno da reforma administrativa, previsto para começar no dia 12.
Na tentativa de simplificar a votação sem mudar as regras no meio do jogo, o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), reúne-se hoje com os líderes dos partidos de esquerda em busca de um acordo de procedimento. ‘‘Queremos um acordo de cavalheiros com o bloco das oposições para não ficar repetindo velhos pedidos de Destaques para Votação em Separado (DVSs)’’, explicou o Luís Eduardo (foto)
O líder do governo aposta no entendimento, mas já prepara uma saída para a hipótese de o acordo fracassar. Neste caso, restará ao governo a alternativa de votar um projeto de resolução de autoria do próprio Luís Eduardo que limita a apresentação de DVSs e inverte o ônus da aprovação. Ainda assim, não será muito fácil. O líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA), acredita ser possível votar o projeto antes da reforma da Previdência, mas não a tempo de salvar a reforma administrativa.
Pelas regras atuais, o governo é obrigado a repetir o esforço de mobilização de no mínimo 308 votos para confirmar o texto já aprovado a cada DVS apresentado pelas oposições. Com as novas regras, as oposições é que seriam obrigadas a reunir os 308 votos para mudar o texto aprovado em plenário.
Os aliados do Palácio do Planalto concordam que estão no ‘‘tempo limite’’ para tentar aprovar a reforma administrativa, mas fizeram a opção pelo adiamento porque comemora-se na próxima terça-feira o dia do funcionário público, com ponto facultativo no Executivo federal. ‘‘Com os funcionários liberados do trabalho para fazer lobby no Congresso, a votação da emenda soaria como provocação que nos tiraria votos’’, ponderou um líder governista.

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