Luís Eduardo rebate as críticas de Ermírio
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
O líder do governo na Câmara dos Deputados, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), foi à tribuna da Câmara ontem para defender o governo das críticas feitas pelo empresário Antonio Ermírio de Moraes, dono do grupo Votorantim, em entrevista à revista Veja. O Brasil está começando a se ajustar de forma verdadeira, declarou o líder, após rebater as críticas à globalização, à falta de investimentos na área social e à política econômica do governo feitas por Antonio Ermírio. Segundo o Palácio do Planalto, o empresário telefonou ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso - que se disse surpreso com a entrevista -, e desmentiu as declarações publicadas pela revista.
Na entrevista, Antonio Ermírio critica tudo do governo: o processo de abertura da economia, o desprestígio ao empresariado nacional, a política para as áreas de educação e saúde, o programa Comunidade Solidária e a falta de cuidado com a área de segurança pública. Antonio Ermírio manifestou constrangimento, alegando que o texto não reflete seu pensamento e não ser homem de duas caras, contou Sergio Amaral, porta-voz do Planalto, a respeito da conversa do empresário com o presidente.
A uma platéia de três deputados numa segunda-feira costumeiramente vazia na Câmara, Luís Eduardo rebateu todas a críticas de Antonio Ermírio e deu ênfase à vitória do governo sobre a inflação. O líder lembrou que Fernando Henrique encontrou uma inflação de mais de 5.000% ao ano, elaborou um plano econômico e conseguiu de fato baixar as taxas de inflação para cerca de 5% ao ano.
Eu não me recordo de um período tão longo de estabilização da economia, cuja inflação contida e debelada era, sem dúvida, o tributo das classes menos favorecidas em favor daqueles que, com a especulação financeira, às vezes, ganhavam mais nas aplicações do que nos investimentos de seus próprios negócios, afirmou.
Numa outra crítica sutil, tratou de dirigi-la ao empresário: Tenho certeza de que o senhor Antonio Ermírio de Moraes não desempregou cerca de 20 mil pessoas após a vigência do Plano Real porque o preço do cimento no Brasil caiu de 7 reais para 4 reais o saco, embora esse fosse um dos grandes desejos do empresariado da construção civil brasileira, uma liberalização no setor do cimento, cujo preço no Brasil, às vezes, chega ao triplo de alguns mercados internacionais.
O líder defendeu um a um os pontos criticados por Antonio Ermírio: acentuou o programa do ministro da Educação, Paulo Renato Souza, de valorização do ensino fundamental; o projeto de municipalização da saúde; a taxa de crescimento positiva; o programa irreversível das privatizações e o esforço do governo para aprovar as reformas. Só não deu resposta aos comentários do empresário contra o programa Comunidade Solidária, dirigido pela primeira-dama Ruth Cardoso.


