Luís Eduardo é lembrado como o homem do diálogo
O ex-líder do governo na Câmara Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) foi lembrado ontem, na missa realizada na Catedral de Brasília, pela passagem do sétimo dia da morte dele, como o homem de diálogo, o político talentoso que deixou um grande vazio. Foi com esses adjetivos que o arcebispo da cidade, d. José Freire Falcão, pregou, no sermão, a fidelidade à vida e ao trabalho de Luís Eduardo.
Passados os momentos de sofrimento, cabe aos próximos de sangue, aos amigos e companheiros de Parlamento retomar o papel que ele vinha cumprindo, insistiu d. José, sob o olhar atento do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Sentado ao lado do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), Fernando Henrique foi o escolhido para fazer a primeira leitura, extraída do Livro da Sabedoria, do Antigo Testamento. O justo encontrará repouso, mesmo se morrer antes da idade avançada, leu o presidente. Para o homem, a inteligência equivale aos cabelos brancos e uma vida sem mancha, a uma longa velhice, completou Fernando Henrique, de pé, ao microfone, diante da platéia de cerca de 500 pessoas, entre familiares, amigos, deputados, senadores, prefeitos, governadores e ministros de Estado.
As cadeiras colocadas ao lado do altar foram reservadas a ACM, à mulher dele, Arlete, ao presidente, à primeira-dama Ruth Cardoso, ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que mandara rezar a missa, e ao vice-presidente da República, Marco Maciel. Ele e a mulher, Ana Maria, ficaram ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, e do líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). Também presentes a viúva de Luís Eduardo, Michelle Magalhães, os três filhos e o irmão dele, Antônio Carlos Júnior.
D. José começou o sermão ressaltando que o Parlamento é um lugar de debate, onde o diálogo é fundamental para a construção do regime democrático. Disse que diálogo supõe paciência e humildade para lembrar que Luís Eduardo sabia dialogar com talento. Daí, o profundo pesar por sua morte, sentida por políticos de todos os horizontes ideológicos, arrematou.
Encerradas as orações, ACM ficou de pé, em frente do altar, para receber as condolências. Choroso, o senador suportou os 50 minutos de cumprimentos dos presentes, que formaram uma imensa fila. Fernando Henrique, que chegara dez minutos atrasado para a missa, saiu rápido. Deixou na fila os governadores tucanos de São Paulo, Mário Covas, e do Ceará, Tasso Jereissati, e a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), além do pré-candidato ao governo paulista e ex-prefeito Paulo Maluf. A equipe ministerial também compareceu em peso para abraçar ACM. (A.E.)





