A família Magalhães espera anunciar a candidatura do deputado Luís Eduardo ao governo da Bahia depois do carnaval. Com amigos, o senador Antônio Carlos comenta que a demora do filho em decidir a próxima etapa de sua carreira política está atrasando a campanha que já poderia estar nas ruas. Além disso, para disputar o Senado o governador Paulo Souto terá de deixar o cargo até o dia 2 de abril, e teria de se preparar para isso com antecedência.
Mas em uma nova preocupação envolveu-se Antônio Carlos: a escolha do suplente do senador que elegerá, porque qualquer que seja o titular da vaga baiana no Senado, o projeto de Antônio Carlos é fazê-lo ministro.
Existe mais de uma razão para o senador sonhar com a dupla de candidatos Luís Eduardo e Paulo Souto, mas a principal, segundo seus próprios aliados, é montar a equação correta para manter o imenso poder que tem no Estado e eliminar ameaças. Um segundo mandato de Paulo Souto no governo baiano poderia consolidá-lo como liderança política no Estado e comprometer a hegemonia no poder do clã dos Magalhães.
Nas pesquisas de opinião, Paulo Souto e Luís Eduardo arrancam na frente com uma distância cruel dos adversários simulados Waldir Pires (PT), João Durval (PDT) ou Beto Lélis (PSB). Mesmo com a total transferência de votos que Antônio Carlos garante para seu filho, Paulo Souto, com mais contato com o eleitor baiano, aparece alguns pontos percentuais à frente de Luís Eduardo. Em sua última eleição para a Câmara, Luís Eduardo foi o mais votado, com 138 mil votos. ‘‘Se Luís Eduardo for candidato ao governo, será um banho na oposição’’, acredita o deputado Benito Gama (PFL-BA), com boas chances de se reeleger em outubro.
O pai e os aliados estão convencidos de que o deputado Luís Eduardo precisa ter o batismo das urnas numa eleição para governo. Pensando longe, Antônio Carlos se preocupa em preparar sua sucessão no comando político da Bahia, pois já está perto de completar 50 anos de carreira política. Por estas e outras razões, o senador incorporou mais uma preocupação para equacionar. Seja Luís Eduardo ou Paulo Souto na vaga do Senado, Antônio Carlos pretende levar o titular para o futuro Ministério, no caso de um segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.

mockup