O líder do governo, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), defendeu ontem, em reunião de líderes aliados, a necessidade de convocação extraordinária do Congresso em julho para adiantar a votação da emenda que prorroga o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) até 99. Luís Eduardo deve discutir o assunto nesta quarta-feira com o presidente Fernando Henrique Cardoso, que chegou ontem de Nova York.
Alguns líderes, como o do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), e o do PSDB, Aécio Neves (MG), além do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), questionam a convocação extraordinária. ‘‘Tenho medo do desgaste que a falta de quórum pode provocar’’, disse Geddel. Temer ainda tentou um acordo com as oposições sobre a pauta da convocação. Mas elas se recusaram. Antes de entrar para uma reunião do colégio de líderes, convocada às pressas, Temer chegou a falar sobre um possível recuo na proposta de convocação.
A convocação extraordinária vai custar R$ 9,5 milhões só em salários extras para os 513 deputados e 81 senadores. Cada um vai receber R$ 24 mil em julho: R$ 16 mil correspondentes a dois salários, um para o início e outro para o fim do recesso, e o vencimento normal, de R$ 8 mil. Como neste período acabam sendo pagas extras também aos servidores, os cálculos são de que a folha total dos funcionários do Senado e da Câmara custará cerca de R$ 30 milhões.
As ameaças do presidente da Câmara, de cortar os salários dos faltosos nestes dias de festas juninas tiveram pouco efeito. Até as 19 horas só tinham aparecido 389 deputados, número pequeno para votar uma emenda constitucional, que exige 308 votos favoráveis. Com a perspectiva de baixo quórum, Michel Temer regulamentou o corte de salários.

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