Está chegando a hora. O PMDB se prepara para fechar os acordos necessários com vistas às eleições de 2010. Qual PMDB? Quais acordos? Aí é que mora o perigo. O PMDB está dividido, e não é entre governistas e oposicionistas. A divisão é mais sutil e se dá entre a bancada no Congresso e os diretórios estaduais. A bancada no Congresso quer fechar rapidamente o acordo com o PT e fornecer o candidato a vice da ministra Dilma.

Senadores e deputados - principalmente estes - vivem da ocupação de espaços no centro do poder, isto é, no Executivo. Seu poder vem das nomeações para cargos na máquina pública e da liberação das emendas parlamentares, recursos com os quais eles se apresentam diante de prefeitos e cabos eleitorais em seus Estados.

O caso do deputado Michel Temer é exemplar. Em 2006, foi eleito com votos das sobras eleitorais; por isso mesmo, ocupou uma das últimas vagas do PMDB paulista. Em 2010 Temer corre sério risco de não se eleger nem como suplente de deputado. Mas pode ser vice-presidente da República.

O poder de Michel Temer não vem do voto, mas de sua posição privilegiada como presidente da Câmara. A partir daquela cadeira, ele é interlocutor frequente do Palácio do Planalto e do próprio presidente Lula. Coordena os interesses e as demandas da bancada peemedebista na Câmara.

Não fala pelo partido, nem mesmo pelo diretório paulista. Ali existe um acordo há tempos. Temer não dá palpites sobre a política paulista, e Orestes Quércia não palpita sobre a condução nacional do PMDB. Pois Quércia decidiu romper este acordo e foi pessoalmente dizer a Temer que o partido deve adiar a decisão de firmar um acordo com o PT para depois da convenção nacional, isto é, para o ano que vem.

Temer está angustiado. Não tem influência no partido, sua liderança é menosprezada pela maioria dos caciques peemedebistas Tem receio de acabar falando sozinho. E isto não é nada impossível. Se a candidatura da ministra Dilma demorar a decolar, o grupo de Temer, Sarney e Renan ficará sem cacife para bancar um acordo com o PT.

Os caciques do PMDB têm amor à própria pele e não querem se arriscar a uma derrota, pois sempre poderão fazer acordo com o vencedor. Quem quer que ele (ou ela) seja. O PMDB é uma federação de diretórios regionais controlados por caciques poderosos. Gente que tem voto. (O último presidente do partido que exercia uma liderança incontestável foi o dr. Ulysses.)

Nos Estados, onde se passa a realidade do dia a dia da campanha, onde os diretórios montam palanques e pegam no pesado, um acordo com o PT não é garantido. Há problemas praticamente intransponíveis na Bahia, no Rio Grande do Sul, no Pará, no Estado do Rio, em São Paulo, em Minas Gerais, no Paraná e em Santa Catarina.

Não é pouca coisa. São os maiores colégios eleitorais do país. Em suma, há um sério problema de descompasso. O tempo político de Temer, Henrique Alves, Sarney e Renan não é o mesmo do PMDB que milita nos estados.

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