O go­ver­no bra­si­lei­ro es­tá atra­sa­do na cons­tru­ção do mo­de­lo de ex­plo­ra­ção do pré-sal. O pre­si­den­te Lu­la e a mi­nis­tra Dil­ma pre­ten­dem que se­ja cons­ti­tuí­da uma em­pre­sa es­ta­tal, in­de­pen­den­te da Pe­tro­brás.
  De ­olho nes­ses re­cur­sos, po­lí­ti­cos de vá­rios par­ti­dos de­fen­dem uma re­dis­tri­bui­ção dos re­cur­sos por to­dos os es­ta­dos, a pre­tex­to de que o sub­so­lo per­ten­ce à ­União.
  Lon­ge de mim sus­pei­tar de que es­ses po­lí­ti­cos es­te­jam de má-fé. Pre­fi­ro acre­di­tar em des­co­nhe­ci­men­to, de­sin­for­ma­ção.
  Na As­sem­bleia Cons­ti­tuin­te (1987-88), os le­gis­la­do­res de­ter­mi­na­ram que to­dos os pro­du­tos te­riam seu ­ICMS re­co­lhi­do na ori­gem. Ex­ce­ção: pe­tró­leo e ener­gia, que se­riam re­co­lhi­dos no des­ti­no (di­zem que a emen­da é do en­tão de­pu­ta­do pau­lis­ta Jo­sé Ser­ra). Es­ta­dos que são gran­des con­su­mi­do­res de pe­tró­leo, prin­ci­pal­men­te São Pau­lo, pas­sa­riam a con­tar com um au­men­to ex­tra de ar­re­ca­da­ção.
  Pa­ra com­pen­sar os es­ta­dos pro­du­to­res de pe­tró­leo e ener­gia, tan­to da per­da de ar­re­ca­da­ção quan­to dos efei­tos da de­gra­da­ção am­bien­tal e de in­fraes­tru­tu­ra ge­ra­dos pe­la ex­plo­ra­ção de pe­tró­leo e ge­ra­ção de ener­gia, e as­sim man­ter o equi­lí­brio da fe­de­ra­ção, os cons­ti­tuin­tes de­ter­mi­na­ram que os es­ta­dos se­riam res­sar­ci­dos com pa­ga­men­to de ro­yal­ties (Art. 20, XI, º1º, da Cons­ti­tui­ção de 88).
  Co­mo a fe­de­ra­ção é cláu­su­la pé­trea da Cons­ti­tui­ção (Art. 60, º 4º), nem por emen­da cons­ti­tu­cio­nal se­ria pos­sí­vel al­te­rar a dis­tri­bui­ção dos ro­yal­ties. Uma tal al­te­ra­ção ge­ra­ria de­se­qui­lí­brio fe­de­ra­ti­vo.
  Re­cen­te­men­te, a mi­nis­tra Dil­ma Rous­seff de­cla­rou pu­bli­ca­men­te que não há in­ten­ção do go­ver­no em al­te­rar a dis­tri­bui­ção dos ro­yal­ties. ‘‘Es­tá na ­Constituição’’, dis­se ela.
  Me­nos mal. Fi­ca­mos sa­ben­do que a mi­nis­tra res­pei­ta a Cons­ti­tui­ção, atri­bu­to im­por­tan­te pa­ra uma can­di­da­ta a pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca. Mas, con­ti­nuou a di­zer a mi­nis­tra, com o pré-sal é di­fe­ren­te, por­que se­rá cons­ti­tuí­da uma em­pre­sa no­va, in­de­pen­den­te da Pe­tro­brás.
  Aí ­quem não en­ten­deu fui eu. Eu e mui­to ­mais gen­te.
  A ca­ma­da de pré-sal não con­tém pe­tró­leo e gás, igual­zi­nho ao que ocor­re na ca­ma­da de pós-sal? Se os ro­yal­ties são com­pen­sa­ção pe­la de­gra­da­ção am­bien­tal e da in­fraes­tru­tu­ra, is­to ­quer di­zer que o pré-sal po­lui me­nos? Ao con­trá­rio, di­zem os es­pe­cia­lis­tas, po­lui e de­gra­da mui­to ­mais.
  A ca­ma­da de pré-sal não se en­con­tra em­bai­xo das ­atuais re­ser­vas ex­plo­ra­das na pla­ta­for­ma sub­ma­ri­na? En­tão, co­mo po­de­rão ser sub­me­ti­das a um re­gi­me di­fe­ren­te de com­pen­sa­ção?! Mis­té­rio...
  No Es­ta­do do Rio e em ou­tros es­ta­dos pro­du­to­res, as ban­ca­das na Câ­ma­ra e no Se­na­do pre­pa­ram-se pa­ra uma ba­ta­lha con­tra a in­ves­ti­da da­que­les es­ta­dos que não pro­du­zem pe­tró­leo.
  Mas a li­de­ran­ça dos go­ver­na­do­res se­rá cru­cial.
  É aí que o bi­cho pe­ga. Que go­ver­na­dor que vai con­tra­di­zer um pre­si­den­te com ­mais de 80% de po­pu­la­ri­da­de e sua can­di­da­ta à Pre­si­dên­cia?
  Os pró­xi­mos ca­pí­tu­los pro­me­tem for­tes emo­ções.

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