Principal responsável pela elaboração da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a economista carioca Selene Peres Peres Nunes, acredita que essa lei, cujo principal objetivo é a moralização na aplicação de recursos públicos, já ‘‘pegou’’. Mas ela critica a maneira como prefeituras e outros órgãos governamentais estão apresentando ao cidadão as prestações de contas. A linguagem é técnica demais e os relatórios são dispersos, publicados em vários locais diferentes.Assessora do Ministério do Planejamento desde setembro de 1996, Selene, de 34 anos, atualmente gasta boa parte de seu tempo em viagens pelo País e o exterior para explicar o funcionamento da LRF. Ou recebendo, em Brasília, delegações de países que pretendem adotar sistemas de controle inspirados na experiência brasileira. ‘‘Nossa lei é reconhecida como a mais bem elaborada da América Latina’’, vangloria-se.
Nos últimos meses, Selene, que é professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Escola Superior de Administração Fazendária (Esaf), já deu palestras em países tão diferentes como Índia, Argentina e Equador. Em apenas seis dias, ela visitirá Curitiba duas vezes. Amanhã, falará a técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TC). Na última quarta-feira, foi muito aplaudida ao dar palestra em encontro nacional de administadores. Foi naquele dia que ela recebeu a Folha para a seguinte entrevista:

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